UNIDADE DIVIDIDA
© Joaquim Saturnino da Silva ( "Juca" )

UNIDADE DIVIDIDA
© Joaquim Saturnino da Silva ( "Juca" )
Revisão: Eni Suzete Maffei Botega
Capa: Juca
4ª Edição-E: Setembro/1992
APRESENTAÇÃO:
"Unidade Dividida" é um livro que, aparentemente, sem pretensão tem a finalidade de questionar. Vai-se lendo, admirando certas colocações, discordando um pouco, rindo outro tanto, mas no fundo está a intenção máxima – alcançar seu senso crítico – faze-lo entrar na roda da realidade e se decidir de que lado está: dorme em berço esplêndido ou já saltou da cama para a realidade da vida.
Juca é um nome, ou melhor, um apelido simples, como simples sua forma de escrever, não gosta de complicar, gosta sim, de fazer pensar.
Pare,
Leia,
Viva.
Neimar de Barros
TRIBUTO:
Não sei bem por quê estou escrevendo esta carta. Talvez seja para desabafar, pois nunca consegui falar sobre isso com alguém que me entendesse, desde o dia em que você partiu.
Quando me contaram como tudo aconteceu naquele dia, o que senti jamais saberei descrever, mas sinto que de onde quer que você esteja, saberá me entender.
Você sempre foi e continua sendo o irmão que não tive e das nossas brigas e tréguas da infância, trago guardada e machucando, uma incrível saudade.
Lembro-me que lhe devo muita coisa que aprendi e sinto uma ponta de orgulho por também ter lhe ensinado muitas outras.
Nossas vidas foram vidas comuns, mas soubemos vivê-las, lado a lado, na natureza que cercava nossa existência de meninos do interior.
Acredito que você me dará razão; nós jamais deveríamos Ter saído de lá. Mas como o arrependimento sempre chega tarde, só me restou lamentar sozinho tudo que aconteceu. Quando me descreveram a maneira trágica da sua partida, não odiei nem maldisse a faca ou o assassino, apenas fiquei lembrando o passado, que foi como um bálsamo para atenuar aquela dor imaterial, mil vezes pior do que qualquer dor física.
Hoje, só me resta essa saudade, como um tributo a sua lembrança, gravada para sempre em minha memória. E no dia em que nos encontrarmos novamente, poderemos, quem sabe, lembrar juntos com alegria as coisas boas que fizemos.
Um grande abraço!
Tributo a WILSON DE FREITAS NEGRÃO
O primo e irmão, que partiu
sem tempo de dizer Adeus,
mas permanece vivo na
lembrança dos seus.
A morte anda na vida, até o dia da vida andar na morte.
Então eu lhe disse:
Vamos?
Ela respondeu-me:
Sim, vamos...
...E eu nunca caminhei tanto tempo sozinho em toda a minha vida.
ÍNDICE
Unidade dividida......................................................................................09
Esboço de uma indiferença.......................................................................11
Caro Tio Sam...........................................................................................13
Surrealismo..............................................................................................16
Direito......................................................................................................17
E virei as costas........................................................................................18
Rir pode não ser o melhor remédio..........................................................19
In-definições............................................................................................20
Encanto nosso..........................................................................................21
A vida......................................................................................................23
A união....................................................................................................25
Prisioneiro................................................................................................26
Sonhos.....................................................................................................27
Recusa.....................................................................................................28
Aos mestres.............................................................................................29
Pescaria...................................................................................................30
Um momento!..........................................................................................32
Renascimento..........................................................................................33
Unificação exemplificada..........................................................................34
Que..........................................................................................................36
O lixo.......................................................................................................38
Mau jeito..................................................................................................40
O velho sábio...........................................................................................41
Mudanças.................................................................................................45
Voa imaginação, voa................................................................................46
Mundo e expectativa................................................................................48
Paranoilógica...........................................................................................50
Vamos?....................................................................................................54
Submissão...............................................................................................56
Re-lembranças.........................................................................................58
Arte da Imaginação..................................................................................60
Hora "h" de um dia "d"..............................................................................61
Semicaos..................................................................................................62
E = mc2....................................................................................................64
Mãos do mundo.......................................................................................66
O dia que choveu dinheiro.......................................................................68
Coisas em comum....................................................................................70
Marcas.....................................................................................................72
Ao encontro da beleza.............................................................................74
Porque admiro certas pessoas..................................................................75
Caminhando.............................................................................................76
Ponto de partida, ponto de chegada.........................................................78
Tentativa de assassinato..........................................................................81
Livre.........................................................................................................82
A árvore...................................................................................................83
Pequeno grande momento.......................................................................84
Só depois.................................................................................................85
Dilatação da consciência..........................................................................87
Estranha noite..........................................................................................88
Anotação (des)necessária.........................................................................92
UNIDADE DIVIDIDA
Com o incrível poder da IMAGINAÇÃO, vamos tentar "ver" o mundo, em seu início, algo assim como um "gigantesco corpo humano".
Durante um certo tempo,uma Paz relativa, mesmo vacilante, existiu.
Depois, talvez pela necessidade de experiência que o conhecimento exige, talvez "por acaso" (como preferem sempre os céticos), talvez por predestinação (como preferem os fatalistas), talvez por aventura (como preferem os românticos), talvez, por qualquer motivo, conhecido ou desconhecido, esse "gigantesco corpo humano" se dividiu: "CABEÇA" – "TRONCO" e "MEMBROS".
Cada uma dessas partes, passou a existir independentemente.
No princípio sem quaisquer problemas, mas logo surgiram rivalidades. E por ter, cada uma dessas partes, desenvolvido graves tendências ao egoísmo, o masoquismo, o sadismo e tantos outros "ismos", essa divisão não só permaneceu, como outras se processaram.
Mão separaram-se dos braços. Pés da pernas.
Dedos separaram-se das mãos e dos pés.
As unhas separaram-se dos dedos.
As separações, as guerras e as oposições de idéias foram tamanhas, que num determinado ou indeterminado tempo no espaço, o cérebro teve de abandonar a cabeça, pois estava sendo demasiadamente prejudicado, insultado e coagido.
Até hoje, muito poucos foram os que tiveram a oportunidade de, pelo menos, vislumbrar como é e onde está o cérebro. Apenas alguns poucos mártires, que exatamente por esse "vislumbre" perderam a vida.
Nessa separação, se não total, ao menos quase total, nasceram e proliferaram diferentes tendências políticas, religiosas, artísticas e de "modus-vivendi".
Na guerra do "cada um por si", já que o cérebro não estava mais para velar por todos, aconteceram parricídios, matricídios e fratricídios. A própria mãe e coordenadora anterior da evolução, a Natureza, foi violentada, insultada, coagida e sufocada. Em nome da anterior evolução, que acontecia antigamente segura e firma, foi se firmando uma "in-volução".
Finalmente, no semicaos que existe hoje só existe uma "saída", uma alternativa. Dedos voltarem para as mãos e pés. Membros se completarem e juntamente com a cabeça, voltarem a fazer parte do mesmo "corpo" e, assim, novamente unidos, vencidos ou convencidos de que a Paz é o melhor, procurarem pelo "cérebro" que passeia triste pelas galerias do infinito.
ESBOÇO DE UMA INDIFERENÇA
Se na minha voz existir uma mensagem
Mesmo sofrida
Que ela acorde para a vida
Os zumbis do quotidiano.
Se minhas mãos esboçarem um gesto
Que elas detenham o resto
Que caminha para a autodestruição.
Se minha mente criar algo forte
Que seja um pensamento
Capaz de deter a morte
Deliberada e criminosa, de inocentes.
Se meu nome puder afogar algo
Que afogue a fome
De alimentos e sentimentos
Que caça vítimas no dia-a-dia.
Se eu tiver de ser algo
Que seja uma parte viva de tudo
E depois quando estiver "mudo"
A consciência não acuse cumplicidade.
Se eu tiver que gritar
Que grite pela verdade
Pois a mentira, por infelicidade
É única coisa que grita agora.
E quando eu for embora
Que ninguém se lembre a hora.
Que a paz sonhada fique
No lugar de quem não ficou...
A floresta,
um pássaro voa,
o eco de um tiro.
Uma semente,
a árvore frondosa,
a cor do carvão.
O parto,
o viver farto,
uma morte vazia.
CARO TIO SAM
Pensando no bem do mundo e no meu próprio, pois também sou egoísta, resolvi tentar alertá-lo de uma "pequena" sujeira, que segundo penso, deve estar passando desapercebida pelo senhor.
Lembra-se de 1865, quando assassinaram seu filho Lincoln? Pois desde aquela época (sem citar passado mais remoto), o assassino estava ao seu lado, procurando o "criminoso". Achou-"o" e executou-"o". O senhor deve ter ficado satisfeito com a conclusão dos fatos, pois se não ficou, fingiu muito bem.
Um século depois, esse assassino que achou outro culpado, passando assim a continuar sua vida de torpezas, feliz e saudável, AO SEU LADO, não existia mais. O "doutor Tempo", com seu infalível remédio chamado "morte", sarou o mundo dessa ferida. Mas, a semente do nojento ideal, já havia germinado. Muitas "feridinhas" passaram a ocupar o lugar da antiga. E foi a vez de seu filho John.
Os malditos agiram da mesma forma que agiu o ancestral. Um "culpado" foi encontrado. A única diferença, foi o fato desse "bode expiatório" poder "abrir o bico", então executaram-no extra-oficialmente.
Não podemos esquecer o processo análogo a aplicado ao irmão de John, Robert.
Tudo isso, sem contar o covarde uso de dois "objetos", que riscaram do mapa as cidade de Hiroshima e Nagazaki. Inverteram o ideal do cientista, transformando seus sonhos de progresso em pesadelo.
Tudo isso, sem contar as IMPOSIÇÕES e DEPOSIÇÕES de regimes, a países outros, de acordo unicamente com suas próprias conveniências. E jamais sem levar em conta que, em outros países, também existem seres humanos.
Agora Tio Sam, parodiando Shakespeare eu digo: "há algo de podre na sua casa". Pois (não sei porque diabos), insisto em acreditar que não seja o senhor mesmo.
Seu sobrinho
Al Guém
A lucidez, brincando de loucura, abriu as asas da verdade. Então a coerência e a incoerência dançaram abraçadas, ao som de uma música chamada: ‘CONSCIÊNCIA TOTAL".
[ [ [ [
Não somos nossos corpos, somos os atos que praticamos...
[ [ [ [
Quem vive por viver, não morrerá. Já está morto.
[ [ [ [
...E a morte ensinará mais coisas, do que a vida pôde ensinar.
SURREALISMO
Abri o zíper do peito e retirei o coração, ele batia (ou apanhava), com a mesma lentidão dos passos dos empregados nas segundas-feiras.
O sangue escorria, rubro, pelo meu braço direito, então senti vontade de bebê-lo, bebi. Matei uma sede absurda e louco que me secava a boca e ele voltou a correr em minhas veias, como antes havia corrido.
Olhei então para o coração, que pulsava agora com mais força em minha direita mão. Senti vontade de come-lo, comi. Matei uma estranha fome de sentimentos e ele desceu lerdo comprimindo a garganta. Voltou ao lugar de onde havia saído e tudo ficou como se nada tivesse acontecido.
[ [ [ [
Na curva do absurdo, a lógica descansava.
DIREITO
O direito morreu cedo
Na curva da ignorância.
Seu enterro foi simples
E sem propaganda.
Sua sepultura,
No ponto de interrogação
Provocou exclamações,
Pela quantidade de flores
Que nasceram espontaneamente.
O direito morreu cedo
Num momento errado.
Justamente quando a dúvida
Gritava por socorro,
Foi quando o ponto final
Tapou-lhe a boca.
O direito morreu às pressas
Como se tivesse pressa
De beber sua liberdade.
O direito saiu da cidade
E sua história
Terminou com reticências...
[ [ [ [
Tantas coisas morrem na gente diariamente, que é difícil afirmarmos que ainda estamos vivos.
...E VIREI AS COSTAS
Vi seu sorriso triste numa noite escura, senti sua amargura, a loucura, de quem conseguiu "ser feliz". Ouvi sua voz rouca, escorrendo pela boca, melosa e mal cheirosa como os vícios que aceitar.
Senti sua mágoa seca, a dor do mundo, morando no que ele tinha de mais profundo.
Entendi seu sofrimento, calculei a inutilidade de seus sentimentos e choramos juntos. Chorei por ele e ele por mim.
Vi a relativa boa aparência de seu corpo e os trapos do seu espírito.
Afoguei-me várias vezes, com a fumaça de seus cigarros, senti o peso do barro e a força inexorável do ponto final.
Foi procurando a morte que ele encontrou a vida, uma vida inútil e errada como tantas que já vi.
Já não agüentava mais ficar ali. Era insuportável o "hálito da verdade".
E como a mentira é mais conveniente, resolvi sorrir contente, levantar-me e sair da frente do espelho.
RIR, PODE NÃO SER O MELHOR REMÉDIO
Sou um produto do século vinte!
Sou orador e ouvinte
Das minhas próprias besteiras.
Sou semi-consciente
E estou contente
Em saber, que não sei quem sou!
Tenho rótulo e etiqueta
Sou mais uma careta
Que zomba, na liberdade,
De uma absurda prisão.
Sou um produto bruto
Que segue viagem
Sem sair do lugar.
Não me revolto
Porque me suporto,
Não suporto quem se revolta.
Estou neste "globo"
Como um bichinho bobo
Está numa maçã
Até a hora da vitamina.
Só a vida me ensina
Por ser a única ciência.
Por isso penso que o vazio,
Pode estar mais cheio
Do que se pensa.
IN - DEFINIÇÕES
EU: Matéria-prima do egoísmo.
PRÓXIMO: Apelido que usamos, quando objetivamos ajudarmos a nós mesmos.
HOMEM: Animal "racional" especializado em complicações.
ANIMAL: Ser irracional especializado em simplicidade.
LIBERDADE: Algo que acreditamos ter quando não temos e vice-versa. Ou, algo que desejamos a nós mesmos e negamos aos outros.
VERDADE: Algo tão simples, mas TÃO simples, que não conseguimos atingir a simplicidade necessária para vê-la.
ENCANTO NOSSO
É um canto da vida, um pedaço de sonho
Um passado presente e o futuro chegando.
Noutro pedaço do sonho
A sua boca teimosa
Tenta morder "meu olhar falado"
E sua voz chorosa
Reclama do meu modo
De amar calado.
Perco-me em seu corpo
E me acho debaixo
Dos gestos contidos.
Olhares também perdidos
Encontram-se frente a frente
Bem, bem dentro da gente.
Há algo para dizer, mas não é dito.
Uma palavra pode ser o grito
Que quebraria esse encanto.
É um canto da vida
É a vida contida
Nesse pequeno canto.
"Nosso mundo dentro do mundo".
Somos nós, um dentro do outro
Somos muito, somos pouco
Somos eu e você.
Caminhamos no mundo , livres
Sem descanso e sem cansaço
Somos um, porque nos amamos
Neste infinito abraço.
Quem, no amor, "joga com cartas marcadas", perde sempre, pensando que está ganhando.
[ [ [ [
Os verdadeiros não morrem, apenas assumem a sua imortalidade.
[ [ [ [
A finalidade da vida é conciliar os opostos.
[ [ [ [
Sua morte será como seu nascimento, igualzinho a todo mundo.
[ [ [ [
A Verdade está "heroicamente" mantida fora da luz, porque não tem valor material.
A VIDA
Não penso na vida,
Como algo que começou,
Ou vai terminar.
Vejo sua existência
Através da eternidade contida
Em cada minuto vivido.
Penso na vida como algo sagrado.
Não por preconceito
Ou por imposição
Mas por um respeito,
Que nasceu dos momentos
Que me ensinaram isso.
Acredito na vida sem compromisso
Porque sua liberdade
Depende da verdade
Na maneira de existir.
Anseio pela vida
Tanto quanto pela morte
Porque ambas se completam.
O segredo de uma
Tem a resposta na outra.
Não creio em coincidência,
Pois essa nada mais é
Do que a ciência, através da qual
A vida executa suas experiências.
Acredito na vida porque ela é limpa.
Pois com hipocrisia
É condicionamento, não é vida, não é morte, é nada.
Acredito no mundo
Porque o meço
Com as minhas medidas,
E sei que as violentações
Ocorrendo no cotidiano,
São produtos da força
Caída nas mãos dos fracos
E será transformada em fraqueza
Porque foge à Lei Natural da VIDA.
[ [ [ [
A consciência, consciente de si mesma, procura a Fonte.
[ [ [ [
Só existem que levam, o resto é estacionamento.
A UNIÃO
Gritou, gritei, gritamos.
E o eco de nossas vozes
Perderam-se no infinito
Nem um único grito
Conseguiu sobreviver
E acordar as respostas
Para as perguntas que formulamos.
Ouviu, ouvi, ouvimos
Mas, as palavras soaram ocas
Destituídas dos gestos e significados
Que nos fariam entender as desculpas,
Tua culpa, minha culpa, nossas culpas.
Andou, andei, andamos.
Mas, o caminho se tornou árduo.
Procuramos e não encontramos tomadas,
As decisões,
Que não tivemos coragem de tomar.
Parou, parei, paramos.
E nosso estacionamento
Foi o ponto de interrogação
Materializado, numa concreta alienação.
Tua vida, minha vida, nossas vidas.
E a morte andando junto
Como se já fôssemos defuntos
Vitimados na terrível "batalha mental"
A luta, do bem com o mal.
PRISIONEIRO
Queria correr de braços abertos
E apertá-los na verdade
Na realidade de ter você.
Mas, o tempo marca a hora
Não posso ir embora
Desobedecendo regras e tornando-me
Uma voluntária exceção.
Preciso controlar cada emoção
Preciso conter cada gesto
E conviver com a inconveniência.
Preciso absorver paciência
De uma imaginável fonte
Para não correr e cruzar a ponte
Que nos separa fisicamente.
Queria explodir em mil fragmentos
E como pétalas de uma flor morta
Cair na sua porta
E ressuscitar pra você.
Ah! São tantas coisas que quero
E tão poucas que posso,
Que o cérebro livre
Castiga o corpo prisioneiro.
E mesmo no amor,
A liberdade e a felicidade
Rimam, mas não andam juntas.
SONHOS
A paisagem "escorria" por baixo, como um rio enorme e multicolorido, Eu voava pelas florestas, rios, tudo em festa. E os pássaros, felizes portadores da voz da natureza, enchiam o espaço de sons diversos. Eu deslizava pela brisa, como um planador sem rota fixa. Havia um mágico encantamento no colorido dos desenhos abstratos de minhas asas, enormes e raras.
Enquanto voava, recordava meu tempo de lagarta, lerda e verde, arrastando-me entre as folhagens e confundindo-me com elas no mais profundo anonimato. Depois, a prisão voluntária no casulo que eu próprio construíra, uma incubação da vontade de tornar verdade o meu maior sonho, VOAR.
Depois da prisão, da metamorfose lenta, a liberdade. Conquistada fio por fio, como o próprio casulo. O resultado de uma Força que empurra para a vida e transcende o meu poder de discernimento, além do tempo e do espaço. Recordava ainda, a primeira queda. O reconhecimento da força da gravidade e a fraqueza da inexperiência. E finalmente o vôo da realidade sobre o sonho. Felicidade suprema conseguira. Voava agora feliz, a mais feliz das borboletas. Um sentimento total de realização plena e paz absoluta. Voava por um mundo belo, cheio de alegrias e surpresas, até morrer espetada na ponta da agulha escolhida pelo colecionador.
RECUSA
Meu sonho perdido
Nunca mais encontrado.
Meu medo sofrendo de coragem.
A vida comum, essa viagem
Que aumenta o desejo
De ser tudo, ser nada.
Uma sede insaciada e sepulta
Em meu peito doente e vazio
Navega inerte ou solene
Nas águas, essas mágoas, esse rio.
Um reflexo corrige na mente
Uma "verdade" que mente, só mente.
Não beberei dessa água chorada
Não comerei desse pão sofrido.
Pois as mortes que custaram isso
Arrebanham cúmplices
Para dividir o castigo.
Recuso a imposição do compromisso
Minha mente está fora
Dia-a-dia, passo-a-passo.
Da matéria, da miséria
Do tempo e do espaço.
AOS MESTRES
Uma parte minha, tão profunda e verdadeira que supera mais do que muito, o meu "eu" falso do dia-a-dia, ajoelha-se e reconhece o heroísmo dos mestres, das escolas e da vida.
A quem, ensinar é um ato de amor, e cujos prêmios perdem-se no tempo e, quase sempre, permanecem perdidos.
Aos mestres das escolas, agradeço a dedicação, a paciência e o interesse que empregam, e cujos salários apenas insultam, jamais pagam.
Aos mestres da vida, que na silenciosa "filosofia da demonstração", ensinam como aprendermos, com total desprendimento das misérias do egoísmo.
A todos que ensinam, de umam forma ou de outra, como se constrói o homem e a humanidade, com a mínima margem de erros, peço que seja concedida a graça da multiplicação da sabedoria. Tal como um "rei Midas", a cada toque seu, a ignorância se transforme e inteligência pura.
PESCARIA
Uma isca no anzol
O anzol numa linha
A linha num caniço
E o caniço na mão.
Um peixe surpreso
Preso à traição
Seguro com orgulho
Na palma da mão.
Sentado à beira do rio
Pescadores como eu esperam
E munidos de paciência, pescam.
Uma alegria animal impera
Quando depois da espera
O ardil funciona.
Quase sempre, enquanto espero
Penso e me pergunto...
Será que não existe
Em algum lugar do Universo,
Um misterioso ser que também pesca?
Será, que não segura um invisível caniço
Com linha anzol e isca?
E esperando um momento
Na nossa ignorância
Quando abocanharemos o anzol
E sairemos da vida surpresos e fisgados
Como os peixes do rio??????
O homem não é um predador por instinto, é um predador "racional".
[ [ [ [
O sorriso pode ser uma maneira apresentável de chorar.
[ [ [ [
A ignorância também usa gravata.
[ [ [ [
As palavras, nadando no líquido encefálico, até formarem frases.
[ [ [ [
...era um corpo sem boca, tentando dizer algo, a um corpo sem ouvidos.
UM MOMENTO!
Vejo seus olhos
Manchados de sangue,
Não se zangue
A dor do presente
É o prazer do futuro.
Existe um momento
No qual, todos os momentos
Irão se encontrar,
E por mais que se possa chorar
Não será o pranto
Que mostrará o canto
Onde esse momento está.
Existem "coisas"
Que não podem se explicadas
Com outras "coisas"
Pois por si só se explicam.
Desdobram-se em respostas
Justa e postas
Na ordem de nossas perguntas.
E quando a consciência
Tomar posse "desse momento"
A eternidade ficará aberta
Sem os segredos,
Que foram sempre
Apenas os seus medos...
RENASCIMENTO
No cativeiro dessa saudade
Caminhei pela cidade
Sentindo mais do que nunca
A falta a infância.
Ah! Doce ignorância
Que fazia saber de tudo...
Hoje, cabisbaixo e mudo
Ando pelo mundo
Com a tristeza andando em mim.
Mas, foi preciso pagar o preço.
Descobrir que mereço
Tudo que me pode acontecer.
Ah! E pensar que pensei
Que era inteligente.
Mas, a consciência
Vestindo a toga da justiça
Arrancou-me da preguiça
E me fez ver com os olhos abertos.
Fez-me ficar desperto
Bem próximo do próximo
Que sofria mais que eu.
Precisei sentir a dor
Reconhecer o desamor
E calçar os sapatos da realidade.
Caminhar machucando os pés
Esquecer de chorar e não apenas acreditar,
Mas ter realmente Fé.
UNIFICAÇÃO EXEMPLIFICADA
Estou varrendo um quintal.
Na paz e no silêncio desse momento, meus pensamentos dilatam-se, embalados pela simplicidade dos gestos.
Quem sou? O que sou?
Sou o que varre o quintal? Sou a vassoura usada para varrer esse quintal? Sou o lixo varrido? Ou sou o quintal?
Mentalmente é possível estar em qualquer das situações, como se conscientemente eu pudesse ser, eu mesmo, a vassoura, o lixo, ou o quintal.
Se sou quem varre, sei que o faço por ser preciso fazer. Se sou a vassoura, estou em paz, pois estou fazendo aquilo que "nasci" para fazer. Se sou o lixo, conformo-me, pois sei que não posso colocar em risco vidas alheias com o meu apodrecimento e chances de contágios de doenças várias. Se for o quintal, sinto-me feliz por estar sendo limpo, por saber que tenho atenção, que sou cuidado.
Nesse ato total de varrer o quintal, não violentações, tudo está unido, apesar de ilusoriamente separado.
Na união total das coisas não existem choques, porque cada um sabe realmente o que é e o que lhe cabe fazer ou deixar de fazer. Infelizmente no mundo real não acontece assim.
O lixo quer ser o que varre.
O quintal pensa que é a vassoura.
O que devia varrer, pensa que é o quintal e fica parado, estático, sem fazer absolutamente nada. E a vassoura se deixa varrer, pensando que é o lixo.
Enfim, um dos grandes males do mundo continua sendo a ignorância e a cegueira dos "inteligentes".
Silêncio, estranho som que incomoda, apenas porque liberta a verdade.
[ [ [ [
Não insultem o animal...
Não chamem um homem de BURRO!
[ [ [ [
Quem disse que a prisão não é voluntária?
E o relógio? Essa "algema" sofisticada presa ao pulso...
Q U E
Que o sorriso feliz
De cada criança do mundo
Seja sentido e vivido por você.
Que cada dia acontecido
Seja vivido intensamente
No que de melhor houver, de "contente",
Na paz que ainda existe.
Que seus sonhos
Sejam realidade,
Que sejam verdade,
Como só a verdade é.
Que cada desejo seu
Seja concretizado
Antes mesmo da manifestação.
E que, cada emoção
Seja consciente
Da sua própria transcendência,
Para que no começo real
Possamos nos encontrar
Longe de todo o mal.
Onde tudo é o que é.
Onde a paz,
Nasceu para ser infinita.
A minha gravata borboleta voou...
[ [ [ [
Quando encontramos um ser humano sorrindo de estômago vazio, sentimos vergonha de havermos chorado logo após o jantar.
[ [ [ [
As noite são calmas e silenciosas, mas existe sempre uma tempestade dentro de mim.
[ [ [ [
Quando: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". A única solução, é ser mais rápido que o "bicho" e destruí-lo antes.
[ [ [ [
A vida, é o tribunal que julga e executa as sentenças, pelos crimes cometidos contra a natureza.
O LIXO
Venho do futuro, juro.
Caí por um buraco no tempo,
Que alguém esqueceu de tapar.
Não sei se foi por acaso,
Não sei se foi por capricho,
Só sei que nasci lixo.
Nasci quando o sol
Já não mais sorria...
Nasci quando vocês
Pararam de fazer poesia.
No dia que preferiram aderir,
Ao que diziam
Ser difícil combater.
Foi aí, que comecei a crescer,
Exatamente quando vocês
Começaram a morrer...
O tempo foi dando voltas
Nessa "sábia ignorância"
E eu sai da infância,
Quando vocês saíam da vida...
Hoje, lá no meu tempo,
Sou a realidade, o momento.
O produto e a verdade
Da mente de cada um.
Sou a vingança da natureza,
Sou a tristeza
Que vocês construíram.
Sou o desmanzelo
Ocupando o lugar do zelo.
Sou todos os absurdos
Transformados em um.
Sou o filho da poluição
E herdeiro da Terra.
Sou um grande
Ponto de interrogação.
Sou o resto da guerra.
Sou o sim,
Que morreu pelo não.
[ [ [ [
A sua "fantasia", não precisa de máscara.
[ [ [ [
A grande resposta não será dita.
Não poderá ser ouvida.
Só poderá ser sentida.
Ela nos será entregue através da nossa sensibilidade.
MAU JEITO
Pago imposto
Trago um sorriso no rosto
E a mente descondicionada.
Apenas percebi,
Que nessa vida do "vale-tudo"
O que mais vale
É o que não vale nada.
Meu desgosto morreu calado
Num gesto sem tradução
e da alegria fiz a vida
da vida esta canção.
Meu medo morreu cedo
Sem mentiras, sem propaganda
E nessa doce ciranda
As pedras que recebi
Usei para o alicerce
E construí dentro de mim
Até me entender assim.
As frases são soltas e desconexas
Sem regras ou preconceitos.
Pode ser um mau jeito
De sobreviver, de permanecer,
Fingindo de vivo, num mundo morto.
Mas, meu ponto não é final.
É uma maravilhosa reticência
Que mistura passado,
Presente e futuro
Num só e único tempo...
O VELHO SÁBIO
Sentado à porta do tempo, o velho sábio estava. Seus olhos negros fitavam alguma coisa invisível pra mim. Seus gestos lentos deixavam-me pensativo. As mechas de cabelos longos e grisalhos misturavam-se com a barba também grisalha. Sua idade era imprevisível, aparentava umas oito décadas de existência, porém, alguma coisa nele denunciava uma existência muito acima da média normal de vida de um ser humano.
Não era nem um pouco encurvado como a maioria dos anciãos que conheci, a impressão era que se tratava de um antigo e formidável atleta e que ainda trazia no corpo traços físicos desse tempo da sua vida. Suas mãos eram firmes, não tremiam, como julguei, antes de reparar melhor. Seus pés pisavam firmes quando andava, parecia que o destino, o lugar da chegada, dava-lhe forças para que fosse assim.
Pensei que não tivesse percebido minha chegada, mas depois de algum tempo, desviou o olhar daquilo que via e eu não, e fixou em mim aqueles dois olhos negros e profundos como o mar.
Senti-me como que violado nos meus mais profundos segredos. Adicionou-se em meu cérebro mais uma compreensão, o que na verdade última significava a palavra força.
Uma força silenciosa, sem violências. Uma paz tão nova e estranha para mim, que tudo o mais deixou de existir, como se o tempo tivesse parado. Não existia mais nada a não ser aquele estranho ancião e eu, embalados pelo silêncio de tudo.
Então ouvi sua voz. Pensei que fosse me perguntar quem era, ou, o que estava fazendo ali, de onde vinha, mas não. Suas palavras foram tão inesperadas como calma e pacífica era sua voz.
Quando falou, movia a boca lentamente, como se estivesse saboreando cada sílaba de cada palavra que dizia. Não havia pressa em nada. E sem pressa falou e disse:
" – Não é difícil encontrar o que procura, se na procura levar muito amor, vontade e resignação. O coração é o instrumento que indica a rota e o cérebro é o que tira do caminho os obstáculos. Quem procura com o coração encontra o amor. Quem encontra o amor, dá ao cérebro a explicação e as respostas de tudo. E Tudo, é uma resposta só".
Falou tantas coisas que pensei estivesse delirando. Mas, delirando devia estar eu. Pois me demorava no entendimento. Só quando consegui compreender a extensão do que me explicava, ele continuou:
" – Uma coisa é importante. Quem procura saber, desta forma, sabe. Mas não deve jamais esquecer a humildade necessária para conseguir o que conseguiu. Saber não é difícil. Difícil é esconder que sabe.
Difícil, é ouvir verdadeiros insultos à Verdade e ter de ficar calado, ter que aceitar a confusão das pessoas até que elas entendam, cada uma por si, o que é a Verdade. Difícil, não é saber o segredo da vida, mais do que difícil, até quase impossível, é colocar dentro de cada um essa visão do TUDO, porque cada um terá que descobrir por si. Cada um terá de procurar, até merecer encontrar. Nunca se esqueça que o segredo é um segredo, não porque é proibido, mas apenas porque o ser humano, talvez sem o querer, faz com que seja assim".
Sua paz me inundava de compreensão. Sentia-me como se fosse algo assim como uma pluma, leve, sem peso físico ou psicológico. Não sentia meu corpo, eu não tinha corpo. Sentia-me como uma pequena "bola de luz" que flutuava.
Suas lições mataram meus medos sem dilatar excessivamente a coragem. Mediu meus sentimentos e equilibrou meus atos e pensamentos. Mostrou-me que ser justo, era uma questão de vital importância e jamais deveria ser influenciado exteriormente, pois dentro de cada um existe as medidas exatas que coordenam os atos que o tempo se encarrega de endossar.
"
– Olhe para o mundo, mas não julgue o mundo, pois dentro de você existe outro igualzinho ao que está fora.Se o primeiro parecer errado, conserte o segundo e verá que modificou também o outro. Agora, quando houver erro no exterior, proclame o acerto, lute e morra por ele".
Apesar das profundas analogias, minha mente captava com perfeito entendimento de significados.
" – Olhar dentro das pessoas através dos olhos não é um crime, pois só consegue isso quem estiver puro de sentimentos, como uma criança normal. Se sua mão estiver sempre "limpa", você poderá sempre tocar o coração do seu próximo. Siga seu caminho no tempo, sem medo de olhar em qualquer direção. Estaremos sempre juntos, embora fisicamente separados. Seremos UM só, como um só seremos todos um dia".
Suas palavras andavam pelos meus pensamentos, trazidas pelos meus ouvidos, pelos meus olhos, pelo meu tato, olfato, enfim por tudo em mim que pudesse estar alerta para viver aquele momento.
O eco de suas palavras ainda visita meus ouvidos, mesmo depois de ter acordado, levantado e retornado às atribulações do cotidiano.
Vi uma lagoa calma, à sombra de grandes árvores.
Havia sapos que pulavam com suas fêmeas. Coaxavam livres na sombra, na água.
Senti então, crescer a vontade de ser feliz.
Uma vontade de ser naquele momento, um simples sapo.
MUDANÇAS
Foi descrevendo sonhos
Que sai da realidade
E a imaginação cresceu solta
Dentro do prisioneiro.
Foi aprendendo
A aceitar as imposições
Que descobri a liberdade
De ser, sem me preocupar
A quem iria agradar.
E a vida foi ensinando
Escrevendo com cicatrizes
Na carne que forma este corpo.
As lágrimas sempre regaram
Os cortes das feridas
Ardia, mas não curava
Apenas mudava, mudava...
A dor se transformou
Num estranho "calmante" masoquista
Pois só sofrendo, se é feliz.
O medo desertou no meio do caminho
E no seu antigo cantinho
Ficou um vazio de saudade
Uma engraçada vontade
De voltar a sentir calafrios.
As bofetadas que recebi
Foram os aplausos que não pedi.
Enfim, por fim,
É preferível ser invencível
Do que apenas vitorioso.
VOA IMAGINAÇÃO, VOA. . .
Voa imaginação, voa...
Vá buscar a lembrança
Do sorriso de Deus
Que o homem esqueceu.
Voa, além do alcance
Do ignorante, do ateu.
Vá recuperar na memória
O momento da história
De sua criação.
Voa imaginação, voa...
Navegue nos sorrisos das crianças
Recupera a esperança
Tão abalada nesse tempo.
Ultrapassa a velocidade da luz,
Conduze-me
Para o azul espaço do céu.
Retira o véu
Conhece o infinito
Sufoca esse meu grito
Na nascente do desespero.
Voa imaginação, voa...
Como Pégaso
O branco cavalo mágico
Que vence barreiras
Livre das besteiras
De uma falsa "civilização".
Voa imaginação, voa...
Vá buscar as respostas
Justas e postas
Na ordem do meu entendimento.
Recupere a magia da vida
Que perdi com a infância.
Voa imaginação, voa...
Não há outro jeito.
Percorre a extensão da liberdade
Até que a verdade
Pare de sangrar em meu peito.
[ [ [ [
O homem é um animal que QUASE tem inteligência, quem sabe um dia...
[ [ [ [
O mundo é algo que não sabe como começou, mas julga-se com direitos de se destruir.
MUNDO E EXPECTATIVA
Ouvidos que "ouvem"
Bocas que "falam"
Mistura de silêncio e ruídos
Que preenche o espaço.
Tempo que obedece ao relógio
Fabricado por gente
Que obedece ao tempo.
Disparates com lógica
Confusão ordenada
Medo certo
E vontade do errado.
Força das coisas
Fenômeno da mutação
Ser e não ser
Sem nenhuma questão.
Sol que brilha grátis
Luz artificial paga
Abóbora de fino gosto
Caviar de horrível paladar.
Lágrimas de adultos chorando
Vontade de correr livre
E "necessidade"
De andar mancando.
Imaginação atrofiada
Animalização liberada
E o amor de coleira
Puxado pela mão da conveniência.
Mundo.
Ah! Grande espera
Do milagre final.
Olhares opacos
A vida sozinha
Empurrada pelo tempo.
Ausência de iniciativas
Falsas mentes criativas
E o medo de smoking
No baile de gala
Promovido pelo caos.
Se o passado e o presente
São uma amostra do futuro
Juro, não é de frio
Esse arrepio
Que cobre meu corpo
Como uma Segunda epiderme.
Quero deixar de ser verme
Quero viver
Vendo os outros viverem.
[ [ [ [
Meios, previamente justificados pelos fins, são saques antecipados no "banco" da vida.
PARANOILÓGICA
Tirei o corpo
E deitei a roupa.
Acordei um sonho
E adormeci a realidade.
Uma lucidez louca
Um sorriso da verdade.
A bofetada aqueceu-me a face
Então virei-me para o outro lado,
Aconchegando-me nas dúvidas
Com os seus
Pontos de interrogações
Intermináveis.
Tentei decifrar
Um a um os enigmas
Molhando-os com as lágrimas
De uma duvidosa aceitação.
Ouvi uma canção antiga
Depois vi essa canção amiga
Escrita no ar
Com grossas letras
Moldadas em chocolate.
Minha parte humana sorria.
Minha parte canina latia.
Então comecei lentamente,
A comer as letras
Que formavam a canção.
Alimento de uma indefinível emoção
Um estranho sabor de passado.
Mas, os ponteiros do relógio
Como uma tesoura mágica, sádica
Cortava as fitas que ligavam
Um minuto ao outro, ao outro...
Nesse momento
Faço-me inimigo
Do tempo e do espaço
Então acordo e passo...
Passo tranqüilo pela vida
Fingindo que não sei aquilo
Que tantos queriam saber.
Levanto a roupa
E visto o corpo.
Adormeço o sonho
E acordo a realidade.
É hora de viver, de conviver.
Sorrir a mentira e chorar a verdade.
Fingir que conheço
A inexistência do preço
E a existência da felicidade.
[ [ [ [
A arte de viver, é sofrer a tal extremo, que a dor se torne um motivo de alegria.
[ [ [ [
A diferença do cérebro e da fruta, é a de que o cérebro quando maduro, não apodrece.
[ [ [ [
Para que está errado, tudo é errado.
[ [ [ [
Jamais poderei culpar o mundo, por erros que só eu cometi, uma culpa não justifica outra.
[ [ [ [
Saber morrer por um momento, é conhecer a eternidade.
[ [ [ [
A ignorância ingênua é sabedoria, o ignorância arrogante é burrice.
Aos condicionados pela propaganda:
OTORRINOLARINGOLOGISTA
Tratamentos para:
Desatrofiar os ouvidos do Espírito.
Libertar a voz da alma.
Abrir a visão para a beleza.
Preparar as narinas, para que sintam o aroma da essência da felicidade.
Endereço: Todas as Igrejas de todas as religiões.
Resultados garantidos:
Visão para o amor.
Sensibilidade para o entendimento.
Voz, para o interior.
Sons, para a compreensão.
Olfato, para a inteligência.
ENDEREÇO:
Todas as Igrejas, de todas as religiões.
VAMOS?
Levante a vida
Ao nível da cabeça
Que pensa.
Levante esse sonho caído.
No irracionalismo.
Acorde a liberdade
A transcendente semente
Que você sempre carregou.
Abra a visão da verdade
E descubra a ferida
Que curada dá a vida
A mortos vivos
De uma realidade fictícia.
Derrote o fantasma da ilusão
E conheça o amor vivo
Pulsando na essência de tudo.
Levante-se dos escombros
Da estupidez do materialismo
E oriente-se
Pela bússola da esperança.
Ainda há tempo, porque o tempo
Será sempre criança.
A eternidade é um minuto
P r o l o n g a d o
Que pode ser maravilhoso,
E só depende da gente.
Quem tira sua força do fraco, abastece-se de fraquezas.
[ [ [ [
Quem precisa gritar para ser respeitado, nunca respeitou.
[ [ [ [
o tempo, modifica-nos tanto, até que consigamos achar graça de algo pelo qual já choramos muito.
[ [ [ [
A inteligência e a ignorância, são os mais importantes componentes do intelecto.
[ [ [ [
Quem pensa que ama sente medo, quem ama nada teme.
S U B M I S S Ã O
Sonhei um mundo
Mundo realmente.
Mas, infelizmente
O sonho só ficou em sonho.
A bofetada que me acordou
Fez voar o pássaro da ilusão.
A realidade gritou altiva
Que a vida precisa ser viva.
Via, mesmo caótica,
Neurótica.
Viva, mesmo ferina, triste
E cúmplice do embuste.
Chorei, choramos.
Mesmo sem saber por quê
O desejo, não passa do ensejo
De uma realização.
E no "jogo da vida"
Continuamos a nos roubar
Na liberdade
Na verdade, embotada e triste
Escondida em um fundo falso
No subconsciente.
Seguimos calados e submissos
Cumprindo os compromissos
Herdados e fabricados
Pela "vivacidade" da vida.
Não nos importamos,
Deixamos
Que a mentira se divirta
E inverta
Os reais valores
Amarelados pelo tempo.
Deixamos essa mentalidade obtusa
Acreditar na sua
Suposta imortalidade
Até ser destruída
Pela verdadeira verdade.
[ [ [ [
E o poder?
Infelizmente (ou felizmente), todos que até hoje na história do mundo, detiveram ou detêm o poder, apenas pensam que são inteligentes.
Pois se fossem realmente inteligentes, manteriam, ou ao menos tentariam manter, o contentamento geral, pois só esse fator efetivaria suas detenções do poder.
RE-LEMBRANÇAS
Calado está o momento.
Essa mão na minha,
Era tudo o que eu tinha.
Mas, passou o tempo
E tudo desfilou
Pela passarela da vida.
A paz, o amor, a saudade.
Só este gosto de realidade
Ficou para machucar mais
Do que o passado machucou.
O sorriso entristecido
É apenas um prêmio adormecido
Sem vontade de acordar.
Um quase sentimento
Que não sobreviveu.
Agora, a alegria chora
E a tristeza sorri.
É preciso ser assim na vida
Para que a morte tenha sentido
Pois a felicidade
É um sonho esquecido
Escondido
Atrás da ferida.
As lágrimas que molham meu rosto
Evaporaram como o desgosto
E meu hoje, está recuperado.
O ontem ficou preso
Na "gaiola do tempo"
E cada pensamento da lembrança
É apenas um pesadelo criança
Que não tem forças para permanecer.
A vida continua... É preciso viver.
O homem nasce da a dor e do prazer, para conviver com ambos até...O começo da vida.
[ [ [ [
E seu HERÓI, como vai?
Continua lhe causando decepções?
Cá entre nós: não está na hora de começar a acreditar um pouco mais em você mesmo?
[ [ [ [
Lei máxima (dissimulada), d sociedade atual:
VIVA, MAS NÃO DEIXE VIVER.
ARTE DA IMAGINAÇÃO
No cérebro
Um cavalete, uma tela
O retrato.
A pintura é aquela
Que a imaginação pintou.
Que a retina guardou.
Você, sorrindo séria
Talvez da minha material miséria
Mas, misteriosa
Quanto a arte criteriosa
Dos pensamentos que a pintaram.
Uma "Mona Lisa"
Quase minha, quase minha...
Agora, os olhos da alma choram
A imortalidade da obra.
Nada sobra,
Senão o cavalete e a tela,
O retrato.
Fim de apenas mais um ato
E eu quieto
Escondido dentro de mim,
A te olhar, a te amar
Sem saber qual chorar mais
Se o começo, ou o fim.
HORA "H" DE UM DIA "D"
Espaço calado
O corpo é calmo.
O silêncio ocupa cada palmo
Da dimensão física total.
Gestos mudos "falam" de tudo,
Movimentos que decifram
A mística linguagem deste silêncio.
Uma paz,
Que as palavras se sentem
Incapazes de traduzir.
Um pensamento pode ser "visível"
O impossível
Agoniza na sua própria inexistência.
As possibilidades da Verdade
São todas.
A mentira inexiste
Um espírito "nu de corpo"
Sem ter mais, onde se esconder.
O "frente-a-frente"
Com a responsabilidade
De cada sim e não pronunciados.
O encontro, bem no ponto
Onde a Justiça começa.
Não é mais
A encenação de uma peça.
É a realidade Primeira
Que se mostra viva, quente, pulsando
Como o "coração" da Eternidade.
S E M I C A O S
O gemido da verdade
Por trás da mordaça.
As gotas de chuva
Escorrendo na vidraça.
A tristeza
Estampada no rosto.
O desgosto
Dormindo no peito.
A penumbra
No interior do apartamento.
O sofrimento,
Uma "penumbra" na mente.
O passado de repente
Desfilando contente
Pelos canais da memória.
O salário baixo
A despesa alta.
Sempre a mesma história
Que a vida conta
Que a vida faz.
Coisas vivas, coisas mortas
No "cemitério" do corpo.
Ilusões na lenta metamorfose
Da desilusões.
Na televisão, novos inventos
Programas sem sentimentos
Com um mínimo "tolerável",
De coisas boas, coisas puras.
Crianças,
Incertezas na esperança
Do depois de amanhã.
O presente se arrastando
Apenas empurrado pelo passado
Que não é certo, que passou.
Materialistas,
Egoístas,
Gente dividida
Dividindo ainda mais.
E só se ouve
O gemido da verdade
Por trás da mordaça
E uma mentira sem graça
De gravata e terno
Senta-se ao trono do inferno
Roubando a paz
Dos que podem menos ... E choram mais.
[ [ [ [
Não há EXPRESSÃO na força, mas, há muita FORÇA na expresssão.
[ [ [ [
DECIDA-SE! É preciso fazer alguma coisa e deixar de ser um reles cúmplice.
E = mc2
Vez ou outra, quando discutia alguma problema, para "dar força" à sua teoria, Einstein dizia: "Deus não joga dados".
É certo que tinha razão. Mas, ele esqueceu apenas um detalhe: o homem joga.
E bastaram duas "pequenas jogadas", para desaparecerem duas cidades japonesas, que praticamente transformaram-se em sepulturas para seus habitantes.
Até hoje existem conseqüências dessa "jogada" e não cabe culpa a um ser bem intencionado.
A energia atômica tem duas aplicações distintas, como tudo na vida: maléfica ou benéfica.
Talvez por ingenuidade, ou puramente por gosto pelo progresso, alguém possa dar a um macaco, uma banana de dinamite com o estopim aceso. Mas, muito escassa é a chance dele colocá-la apenas numa pedreira.
Einstein estudou violino, amava a música. Um cientista em toda a extensão da palavra. Um ser humano claramente incompreendido. O final de sua vida terrena demonstrou isso, uma simplicidade extrema. Esse procedimento final, deixou uma pergunta no ar.
Foi por mágoa, ou medo de revelar um outro segredo?
Revelar o segredo máximo, capaz de dar ao homem a destruição total e mais rápida, que tanto sonha e procura???
Só uma coisa é certa, o próximo que descobrir esse segredo, não terá tempo para se arrepender...
O galho serviu de cabo ao machado que derrubou a árvore.
[ [ [ [
A verdade é sufocada no mau ato, mas sempre explode na conseqüência.
[ [ [ [
Nosso cérebro é um místico "útero", onde as idéias estão em gestação.
MÃOS DO MUNDO
Mãos que se tocam
Mãos que acariciam
Na muda linguagem do amor.
Mão nas mãos
Mãos de irmãos
Justas e postas
Numa oração.
Mão que carregam as respostas
Das interrogações estáticas
Que nossos gestos trazem.
Mãos amigas
Que registram nossas vidas
E acenando-nos confirmam,
Realmente, existimos.
E as mãos inúteis?
Mãos de infiéis
Mão vazias, mãos que ferem
Mãos que matam.
Mãos que terão de suportar
O peso de cada erro cometido.
Mãos esqueléticas e tristes
Que arrastam mãos outras
Para a escuridão
Da ignorância.
Mãos estéreis da vingança.
São tantas as mãos do mundo
Mãos do sim e mãos do não.
Mas por certo
Uma coisa é certa.
Por mais que pareça anormal,
Existem mais mãos para o bem,
Do que mãos para o mal.
Quando o miserável tenta ferir a sensibilidade alheia, é impulsionado apenas por um sentimento: a inveja.
[ [ [ [
Encontro consigo mesmo, choque a que poucos conseguiram resistir.
[ [ [ [
O prazer, na dor do "parto" de uma solução.
O DIA QUE CHOVEU DINHEIRO
Até agora, ninguém sabe como aconteceu, mas aconteceu...
Era um dia como qualquer outro, até que começou a chuva. Não uma chuva comum, mas, uma chuva de dinheiro.
Cédulas legítimas, de diversos valores caíam lentamente, aos milhares. Não foi visto nenhum avião, que pudesse ter provocado tal acontecimento, esse derramamento de dinheiro.
Todo mundo apanhava dinheiro, nas ruas, nos quintais, em todos os lugares enfim. Todo mundo então pôde realizar um velho sonho, ter muito dinheiro.
Só que...
De nada mais valia ter dinheiro.
O médico (aquele, que pergunta primeiro pelo saldo bancário e depois pelos sintomas do cliente), não mais trabalhava, já tinha dinheiro, muito dinheiro. E os médicos de verdade, não venciam o aumento de doentes...
O padeiro não fez mais pão.
O lixeiro não coletou mais o lixo.
O dono do supermercado, não abriu mais as portas de seu estabelecimento.
Enfim, todos deixaram suas atividades (exceto é claro, aqueles que faziam o que faziam, por gostar de fazê-lo), mas, eram tão poucos, que não podiam mais suprir as necessidades da multidão de milionários.
De repente, essa multidão estupefata, mais estupefata ficou, ao descobrir que de nada adiantava Ter tanto dinheiro. Descobriu que, só tinham agora valor, todas aquelas coisas que podíamos imaginar, mas que não fosse dinheiro.
Foi uma grande lição. Aqueles que tinham alguma coisa útil trocavam um pouco, por aquilo de que precisavam. Um pão valia mais que uma nota de cem cruzeiros.
Um ato de simpatia, de cordialidade, de amizade, passara a valer mil vezes mais, do que a importância, pela qual eram anteriormente "comprados".
Segundo parece, parou por aqui, este sonho de um louco, pois ele descobriu, que de nada adiantaria continuar sonhando...
COISAS EM COMUM
A liberdade de pensamento
Não indica liberdade de expressão.
Mas, teus olhos profundos
Contam-me os segredos
De tua coragem, de teus medos.
Teu gesto vazio
Traz invisível, um significado
E esse olhas parado
Vê algo além da imaginação.
Talvez seja fome
Talvez tenha outro nome
Esse teu modo triste
De passar pela vida
E deixar a vida passar.
Não é saúde abalada
O que mais te apavora
Mas sim, o receio
De que não chegue a hora
Da explosão da verdade
Da tão sonhada melhora
No orçamento, nos sofrimentos.
Esse arrepio
Sei que não é de frio.
É a angústia concreta
Andando quieta
Pelo espaço do teu corpo.
Sei que não tens estudo
Mas também sei
Que sabes de quase tudo
E esse teu silêncio
É a tua colaboração para a paz.
Sei que tu sabes. Sei que sabemos...
C O N S O L O
...E o rato morreu feliz, antegozando o tedioso sofrimento do gato, que não terá mais a quem perseguir e humilhar.
M A R C A S
O tempo
Bordou em minha alma
E em meu corpo
Cicatrizes, que só eu
Sei os significados.
A vida foi a escola e as dores, o corpo docente.
E as coisas
Que me magoaram tanto
Hoje me fazem contente.
A paz e a felicidade
São remédios estranhos
Com amaros sabores
E a soma dos dissabores
Transforma-se no ingrediente
Que forma a alegria.
Os opostos são paralelos
E um não sobrevive
Sem o outro.
É sempre aos poucos,
Que se entende o tudo.
É ficando mudo
Que se aprende a ouvir
A voz do interior.
É abraçando as oposições
Que se encontra o amor
É lendo devagar
Que se entende as entrelinhas.
É no sono calmo
Que o sonho é lindo.
E só quem souber chorar
Saberá viver sorrindo...
O óbvio, muitas vezes brinca de verdade.
[ [ [ [
o seu corpo foi o "acidente geográfico", que alterou o mapa da minha vida.
[ [ [ [
...E pensam que os dedos existem apenas para usarem anéis e apontarem erros.
AO ENCONTRO DA BELEZA
A solidão
De um momento calmo.
A consciência
Palmo a palmo
Tomando conhecimento de si mesma.
A lentidão dos pensamentos.
Um vai e vem
De perguntas e respostas
E a Verdade
Com "todas as cartas"
Ganhando o "jogo".
A transcendência de um fogo
Que arde sem queimar.
Tudo aberto, tudo exposto
Por prazer e por desgosto
Por alegria e por tristeza.
Assim é a certeza
Conciliadora dos opostos
E formada por eles.
Um choque lento
Que abre o pensamento
Para o encontro com a beleza...
PORQUE ADMIRO ALGUMAS PESSOAS
Algumas pessoas que conheci, têm de mim, admiração e respeito...
Porque me esbofetearam, até que eu acordasse da inércia e saísse do caminho de um estúpido e lento suicídio.
Porque não me bajularam, apoiando os pensamentos incoerentes que me habitavam. Porque preferiram ser rigorosos, mas sinceros.
São pessoas simples, comuns, mas sabem muito mais do que aparentam saber. Ignoraram as máscaras que o egoísmo lhes oferecia. Pessoas que não temem ser odiadas, pois sabem que estão ajudando e jamais destruindo.
São gente e sabem que é preciso acordar, concordar e discordar, quando o momento exige.
Preferem um inimigo consciente, do que dez amigos inconscientes, por conveniência.
[ [ [ [
Ser verdadeiro, é uma questão de ser, simplesmente.
CAMINHANDO
Estou caminhando em círculos
Dentro de mim.
Do princípio ao quase fim.
Tudo igual
Tudo falsamente natural.
Dúvidas abraçadas
Certezas isoladas
Vontades contidas
Idéias em gestação.
Estou caminhando em círculos
Dentro de mim.
Sempre tive
Um sádico prazer
De caminhar assim.
Ver frente a frente
Meus erros e defeitos
O quase nada de perfeito
Que restou da infância.
Estou caminhando em círculos
Dentro de mim.
Mesmo sabendo que esse "passeio"
Não tem ponto final
Ou, ao menos, de descanso.
De qualquer forma penso
Que para saber da vida,
É preciso andar assim
Tropeçando comigo mesmo
Bem, bem dentro de mim.
Meus pensamentos transpiram
E cambaleiam,
Mas, continuam sempre
Insistindo na caminhada
Que transforma em quase nada
Os sonhos sobreviventes,
De conhecer a paz de perto,
De falar com o sorriso aberto
E conhecer a liberdade.
Mas, é impossível
Sair da tempestade
Quando não existe calmaria.
Então permaneço no dia-a-dia
Caminhando em círculos
Dentro de mim...
[ [ [ [
O amor é o embrião da paz.
PONTO DE PARTIDA
PONTO DE CHEGADA
Paz,
Universo calado,
Verso declamado,
Em gestos conjuntos,
Silêncio profundo,
Descanso unido.
Amor,
Sentimento forte,
A vida e a morte,
Sorrindo juntas,
Sem posição,
Sem imposição.
Segredo...Nenhum!
Sem medo algum,
A meta final,
O bem e o mal
No começo do fim,
Ou no fim do começo.
Ausência de preço
A vida apenas
Vivendo por si mesma...
Tempo,
Cada instante
Como se fosse
O mesmo momento.
A eternidade
Sem mentiras...A Verdade
Sem desgostos
Sem opostos.
Saber, é ser
Sem mistério algum.
A fé.
Ponto de chegada
De onde (se) partiu...
[ [ [ [
Pobre diabo, que está levando a culpa dos crimes dos homens.
[ [ [ [
O "saber muito", é uma irônica analogia do "não saber nada".
Par o ser humano, realmente humano, a dor de ver o sofrimento alheio, é pior do que sofrer.
[ [ [ [
A mente aberta, não terá porta que a feche.
[ [ [ [
A tristeza é a valorização da alegria.
[ [ [ [
Mãe! Pai!
Devo tanto a vocês, que tenho até vergonha de tocar no assunto.
TENTATIVA DE ASSASSINATO
Uma tentativa de assassinato "aconteceu".
Essa tentativa, "está" acontecendo.
E pelo que tudo indica, continuará acontecendo. Um fato natural entre os homens.
Usando a poluição como "arma", tentamos, nós todos, exterminar a natureza. Afinal, para que existir a vida? Por quê esticar o presente num futuro longo e natural? Por quê preparar para as crianças de hoje, um mundo limpo e saudável? Por quê abrir mão do nosso idolatrado egoísmo e pensar em coisas como: bem estar alheio?
Infelizmente, só podemos conceber este de "raciocínio" no ser humano atual. Essa conclusão é apenas o produto de uma superficial análise de comportamentos.
Nossos filhos herdarão um mundo envenenado.
Nós somos os culpados. Cada um de nós.
E num imensurável tempo na eternidade, dedos trêmulos nos apontarão e bocas contorcidas pela intoxicação, gritarão:
ASSASSINAOS! ASSASSINOS! ..... SUICIDAS!!!!
E a eternidade será ainda mais penosa...
LI...LI...LIVRE !
Nasci livre,
Vivo livre,
Morrerei livre.
Livre,
Porque a liberdade
Chama-se individualidade.
Livre,
Porque só eu sei,
Com exceção da Criação,
Quais os pensamentos
Que me habitam.
Sou livre
Porque a liberdade
Pode ser uma prisão.
Temporário não,
Que a vida nos diz.
Livre,
Porque reconheço a mordomia
E não me escravizo
À miséria da matéria.
Sou livre,
Porque TODOS são livres.
Embora, infelizmente
Poucos saibam disso.
A ÁRVORE
A árvore cortada
Chora resina.
Mas se resigna
Diante da fúria homicida
De incoerentes suicidas.
A árvore cortada
Chora resina
E se persigna
Se dobra
Perante a obra
De visível destruição.
A árvore cortada
Tinha emoções, sentimentos.
Respirava, se dava
Sem ser preciso pedir.
A árvore cortada
Deu além dos frutos, da sombra
E do milagre d fotossíntese,
A sua própria vida,
Para saciar a fome da estupidez.
A árvore cortada
Estava no caminho do caos.
Agora, é carvão em algum fogão,
Depois será cinzas, em algum lugar.
Cinzas, como serão
Os corpos e as mãos
Dos semeadores do fim.
PEQUENO GRANDE MOMENTO
Na minha sórdida pequenez materialista, num momento algo doloroso, minha língua moveu-se, dando vida sonora ao pensamento, à blasfêmia:
Deus, será que Você me abandonou?
Uma resposta sem palavras correu pelos meus nervos, um estremecimento e senti a silenciosa e calma frase adicionar-se aos meus pensamentos:
"- MEU PEQUENO IMBECIL, SE EU O DEIXASSE UM SEGUNDO APENAS, VOCÊ JÁ NÃO MAIS EXISTIRIA".
E eu que me via como uma nulidade, descobri num relâmpago, que sou filho da Verdade, embora ferido pela mentira.
Descobri que as lágrimas regam os sentimentos, tornando-os imortais. Que apesar da matéria se modificar, a essência fica, fixa, ao Verbo que criou o mundo já infinito.
Descobri que, os passos não levam, nem trazem, apenas percorrem o círculo perfeito do mistério do Universo. Enfim, descobri que tudo que procurava no meu campo visual físico estava já em mim e só poderia ver, se olhasse com os "olhos" da sensibilidade.
SÓ DEPOIS
Só depois de aprender
A ler o que não está escrito.
Ouvir o que não é dito.
Só depois de percorrer
Os caminhos e descaminhos do amor,
Provar suas delícias
E chorar suas amarguras.
Só depois de descobrir
O que é aquilo,
Que faz uma criança feliz.
Só depois de entender
Porque se luta a luta da vida.
Só depois,
De implodir-se e explodir
Separar-se e juntar
Pedaço por pedaço, o bagaço
De seu "adorado" ego.
Só depois de sentir
Um a um, os pregos
Que um dia Ele sentiu.
Só depois de tudo isso
Você poderá discutir,
Perguntar, inquirir
Sobre o Segredo Maior.
Mas então,
Você já não mais
Quererá fazê-lo.
Pois passou a entendê-Lo.
Já estará fazendo parte DELE.
Pergunte a você mesmo qual é a verdade, somente se tiver coragem para "ouvir" a resposta.
[ [ [ [
Talvez algum dia, teremos algum mérito, que justifique tudo que temos sem ainda merecer.
[ [ [ [
A natureza dá...O homem vende.
Até o próprio dinheiro humano, é feito com produtos da natureza. Mas, quem "é cego" não vê mesmo.
DILATAÇÃO DA CONSCIÊNCIA
A luz do sol vazando pelos buracos das nuvens, eu vazando pelos meus poros, para o infinito.
O mar rosnando, como que chamando a atenção total para a sua beleza. Em silêncio, ouço e vejo, já sem saber o que é ver e o que é ouvir.
Integro-me em tudo, fazendo parte do mundo, do modo que sempre sonhei. Vejo-me gaivota, decolando para o espaço. Ouço-me som, no rugir das ondas e sinto-me sem corpo, mas como areia, água, nuvem, pássaro, raios de sol, espaço azul, nada.
Um "nada" completo, a essência do TUDO.
Sinto-me vento, a forma do pensamento e com forças para atos de grandes conseqüências.
Com uma profunda e firme consciência.
Tudo, como se fosse uma tentativa de descrever o amor. Um comportamento paralelo a uma "metempsicose total".
ESTRANHA NOITE
Talvez um dia
Ao meio-dia
O sol se esconda.
Esconda-se no nada.
Tornando-se uma luz "apagada"
Interrompendo essa ronda
Iniciada há milênios.
Talvez no escuro
Dessa "noite improvisada"
Um olhar me procure
E encontrando-me, torture.
Talvez uma "voz muda"
Fale-me sem dizer,
Que deixei a vida passar
Sem querer viver.
Acusações que provoquei.
Angústias que fabriquei.
Erros que só eu cometi.
Talvez doa mais do que agora
A solidão que não foi embora
Que ficou, tentando,
Preencher o vazio
Que minha vida se fez.
Talvez até a minha débil paz
Mude-se para outro lugar,
E tudo que não chorei
Consiga então chorar.
Talvez a minha direita mão
Fechada como meu coração,
Abra-se num gesto final
E receba o castigo.
Eu, apenas eu
Fui meu próprio inimigo.
Se alguém enquanto falar, fugir "com os olhos" do seu olhar, então...FUJA!
[ [ [ [
Existe uma coisa sempre nova: P E N S A R.
[ [ [ [
Existe outra coisa, também nova: A D I V I N H E !
Um Recado:
Não pretendi, nem por um momento, mudar alguma coisa no mundo. Mas se "por acaso" isso aconteceu, acredito que foi para melhor, para pior impossível.
A quem não me entendeu, peço desculpas.
A quem me entendeu, peço...PERDÃO!
O
SER
HUMANO
É
UM
ANIMAL
RACIONAL
PARA
ACHAR
UMA
DESCULPA
E
IRRACIONAL
PARA
COMPREENDER
A
PRÓPRIA
CULPA.
ANOTAÇÃO (DES)NECESSÁRIA
Dentro dos ciclos, das aventuras do tempo, há sempre algo que entendemos como misterioso. Mas não é.
Entendemo-nos como vítimas em certos momentos, como se outros pudessem ter poder sobre nós. Assim, não é incomum ouvirmos alguém dizer: "ele(a) me causou todo este sofrimento!"
A vida me ensinou algumas coisas. Não são muitas, mas mesmo assim, um dia, predispus-me a compartilhar com os outros o que aprendi.
Entre algumas das lições, uma se destaca: a única pessoa com poderes para me atingir – seja de que forma for – sou eu mesmo. A ilusão de que outros podem isso, tem sua raiz no fato de que sempre tenderei a fugir de minha responsabilidade. Mas, fui eu que dei o poder de ação a outro, logo o outro, embora cometa um erro, não é dono da culpa. Se alguma culpa existe, ela será sempre, exclusivamente, minha.
Desta forma, se fui vítima de alguém, em última análise, fui vítima de mim mesmo. Daí a inutilidade do sentimento de vítima. Pois algoz e vítima são sempre a mesma pessoa.
Admitir os próprios erros, não é algo que os exemplos da vida nos ensinam, é algo que temos que aprender sozinhos, se nosso objetivo é crescer como pessoa diante da imensidão da vida.
Descobrir isso dá, queiramos ou não, um grande poder. O que fazer com este poder é um assunto que cada um deve resolver dentro de si. Porém, sempre é bom lembrar que qualquer deslize custa caro.
Não há para onde fugir!
Aliás, a fuga tem sido um hábito humano de grandes e negativas conseqüências para o próprio autor. Pois fugir é impossível. As ilusões dizem que não, mas os fatos comprovam o contrário. Melhor escolher os fatos!
Quando escrevi este livro (1970-1976), vivia um ciclo ruim de minha vida. Isso fica evidente no negativismo que salta das palavras amargas impressas. Foi um tempo de perdas imensas. Mas de lições preciosas.
E sobrevivi.
Muito mais ganhei e perdi depois. Mas já não me importava mais com isso, pois dentro de mim algo ficou patente: nada tenho, nada posso ter. A única coisa que posso, realmente, se for atuante, diligente, é SER. A lição do desapego não é fácil, mas é possível.
Hoje, quando vejo alguém sofrendo pelas mesmas razões que sofri, apenas fico em silêncio e ofereço minha presença incondicional. Nada há que possa dizer para amenizar a dor alheia. Pois cada um só poderá descobrir por si mesmo a estrutura do mal que o assola. Isso é doloroso, mas a vida é assim. Essa é a verdadeira solidão.
Por outro lado, solidariedade é um bom comportamento. Uma presença. Um olhar. Uma transferência silenciosa de sentimento para o outro. Mesmo podendo ser, em alguns momentos, uma ajuda material, na maioria das vezes é apenas uma presença. Como quem diz com seu respeitoso silêncio: "você é importante!"
Talvez o amor seja mais uma ação que um sentimento. Um deixar-se ficar, do lado, estar junto com sinceridade. Com um olhar franco, sempre verdadeiro. Independentemente do momento, disso dependerá tudo o mais que virá.
A vida é uma unidade "dividida". Ou seja, todos fazem parte uns dos outros, porém, poucos percebem isso. Então a unidade se perde na ilusão da separação.
Um dia, quem sabe, a humanidade consiga perceber sua unidade. No entanto, até lá, sempre será preciso SOBREVIVER.
E fazer isso da forma mais honrada possível, é o trabalho de cada um. Portanto, cada um é – e sempre será – "produto" de seu próprio trabalho, ou de sua própria preguiça.
A boa notícia é que a escolha sempre será de cada um de nós, nunca de terceiros, por mais que se pense o contrário.
(São Carlos/SP - 1992)
" C O N T R A – C A P A "
O Autor:

Livros publicados e outras atividades :