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JOELSON LIMA

 

 

 

Ensino Religioso Obrigatório
Por Joelson Lima

Adotar o ensino religioso obrigatório nos Estados brasileiros está se tornando comum. O que se pretende com está medida?
Em um país como o Brasil cujo regime de governo pauta-se na democracia, falar em "Ensino Religioso Obrigatório" é, sem dúvida, um tanto quanto estranho! Até porque a pluralidade religiosa é um elemento consolidado na cultura brasileira. Portanto, o conhecimento básico da origem das religiões em sociedades humanas, seus preceitos, valores, deveres e obrigações já são ensinados nas disciplinas de História, filosofia e sociologia com o devido direcionamento à preparação acadêmica e formação da cidadania.
Sendo dever das instituições religiosas criar condições para admoestar e exortar seus membros de acordo com os princípios que defendem, não sendo isso de forma alguma responsabilidade da escola.
Acredito que a disciplina que nasceria com este objetivo seria denominada, "Religião". Porém, quem seria julgado apto a ensiná-la?  Padres e pastores? Provavelmente sim! Mas onde ficaria a imparcialidade? Provavelmente, na maioria das escolas não admitiriam professores ateus, umbandistas, espíritas, judeus, hinduístas, budistas ou mulçumanos. E como ficariam essas minorias?
Esse projeto é discriminatório no sentido de que não atenderia aos interesses de todos!
Afinal, seria correto tentar reconstruir uma moral social pautada numa religião específica? Tentar redirecionar as crenças e valores sociais numa tentativa de se criar um povo submisso ideologicamente a princípios religiosos que nem mesmos as cúpulas eclesiásticas seguem; muito ao contrário, os escândalos religiosos se tornam freqüentes e inibidores da esperança e da fé, que não são elementos religiosos e sim frutos de uma vida espiritual consagrada pela vida de Deus nos corações daqueles que o buscam em verdade e em espírito!
Na verdade, isto mais parece uma tentativa de se reinstituir "Tribunais de Inquisições", que iriam apregoar valores conservadores e inadequados, que transmitiriam muito mais sentimento de culpa na alma dos jovens do que a salvação.
Se a tentativa é a de frear o desregramento moral do povo, isto não se faz com ensino religioso, mas com exemplos de comportamentos que vai dos pais no lar as autoridades de forma geral, por leis severas e a aplicação da justiça, principalmente, pelo desenvolvimento do espírito crítico que dê capacidade ao jovem de pré-julgar suas atitudes e medir as conseqüências de suas ações.
É necessário entender que não se pode adequar as crianças e jovens a uma situação qualquer com ensinamentos inconsistentes e autoritários. Porque o aprendizado é individual e, é fruto da visão que eles têm do coletivo, ou seja, eles costumam se comportar por imitação! Daí, as leis devem atender aos interesses de todos e devem ser em prol do bem comum! Devem também ser aplicada a todos com a mesma flexibilidade e ou rigor!
Procurar impor uma religião específica como redentora da moral e dos bons costumes seria, de certa forma, promover sua vulgarização. Veja o que se deu com o catolicismo na Idade Média européia quando passou a regular a vida social... Degradação! O mesmo acontece com as religiões protestantes na Idade Moderna! Ambas em nome de Deus, mataram, roubaram e destruíram. Examine a historiografia européia e perceba se há exemplo a seguir nessas religiões que muito mais nutriram o sentimento de ódio, de morte e ambição econômica do que qualquer outra coisa.
Não se encontra a Deus em letra morta, ou em vãos ensinamentos, mas num coração puro que aprende a invocar Seu nome com amor e resignação!

Joelson Lima

Publicação: www.paralerepensar.com.br 13/03/2007