A casa dos grandes pensadores
 
 
 
     
 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

 

 

 

A máquina perfeita

O sonho do ser humano sempre foi construir uma máquina perfeita. Aquela que, além daquilo que foi programado, avaliasse situações, tomasse decisões, pudesse agir independente da vontade do software responsável pelo seu funcionamento. Uma combinação da capacidade de raciocínio do ser humano com a precisão de um equipamento de última geração.
Essa obsessão já consumiu muito neurônio de cientistas, recursos materiais e financeiros de empresas, mas não foi capaz de impor limites a esse sonho. Alguns até sonham com as maravilhas que isso poderia significar. A criatividade do ser humano, sem as suas imperfeições, somada à incansável capacidade de trabalho dessa invenção - o ápice.
Suprimir recursos gastos com saúde e educação na etapa pré-produção. Garantir, em poucos minutos, a confiabilidade com um simples ajuste ou troca de componente.  Banir a desgastante fase da adolescência, que marca a passagem de criança para adulto, nos imperfeitos humanos. Tudo isso seria factível, pois essa criatura já nasceria apta para produzir.
Além do mais, uma fabricação em série proporcionaria a chance de gerar máquinas cada vez melhores, aumentando a versatilidade e baixando os custos de produção. Não seria viver o melhor dos mundos? Dispor de utilidades para executar as tarefas insignificantes, que não agregam nenhum valor à existência humana, liberando tempo para causas mais nobres.
Imagine alguém capaz de executar qualquer tarefa, da mais simples a mais complexa, rapidamente, sem erro, reclamação ou insatisfação. Nossa única preocupação seria com a atualização do software com novos conhecimentos e habilidades. Nenhuma necessidade de gerenciamento sobre ergonomia, absenteísmo, desídia, greves e acidentes. Quer mais?  
Gerações após gerações, sem problemas de saúde, delinqüência, repetência escolar, acidentes de trânsito, marginalidade e criminalidade. Quanta economia seria feita sem essas despesas!  Máquinas preparadas para o esporte, ciência, cultura, lazer ou entretenimento. Tudo funcionando perfeitamente, sem imprevistos ou aborrecimentos. Seria o verdadeiro Paraíso!!!
Mas quem atualizaria o conhecimento dessas maravilhas? Quem cuidaria desses "seres" especiais? Como saber do que seriam capazes com todo esse potencial? Talvez houvesse a necessidade de identificá-las com nomes, números, cores ou qualquer outra forma, para diferenciá-las. Quem sabe dar-lhes características físicas como as das pessoas.
Como seria esse mundo em que todos sonham viver um dia? Não ficaria muito monótono e previsível?  Sobreviveria a emoção, a expectativa, o amor... o sentimento? Quem decidiria qual máquina poderia ser a mais capacitada? Haveria leis para controlar algum comportamento? A criatura obedeceria fielmente ao criador? O ser humano deixaria de existir?
Se a perfeição e a imperfeição sempre ocupam seus espaços em tudo que existe, então podemos concluir que tudo aquilo que queremos só depende da compreensão do ser humano. Não precisamos inventar nada ultra-superior, mas apenas entender a obra do Criador, que foi feita à Sua imagem e semelhança.  O caminho da perfeição passa pela mudança de comportamento das pessoas.

Jose Roberto Takeo Ichihara
                   
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 21/05/2007