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A máquina perfeita
O sonho do ser humano sempre foi construir uma máquina perfeita.
Aquela que, além daquilo que foi programado, avaliasse
situações, tomasse decisões, pudesse agir independente da
vontade do software responsável pelo seu funcionamento. Uma
combinação da capacidade de raciocínio do ser humano com a
precisão de um equipamento de última geração.
Essa obsessão já consumiu muito neurônio de cientistas, recursos
materiais e financeiros de empresas, mas não foi capaz de impor
limites a esse sonho. Alguns até sonham com as maravilhas que
isso poderia significar. A criatividade do ser humano, sem as
suas imperfeições, somada à incansável capacidade de trabalho
dessa invenção - o ápice.
Suprimir recursos gastos com saúde e educação na etapa
pré-produção. Garantir, em poucos minutos, a confiabilidade com
um simples ajuste ou troca de componente. Banir a desgastante
fase da adolescência, que marca a passagem de criança para
adulto, nos imperfeitos humanos. Tudo isso seria factível, pois
essa criatura já nasceria apta para produzir.
Além do mais, uma fabricação em série proporcionaria a chance de
gerar máquinas cada vez melhores, aumentando a versatilidade e
baixando os custos de produção. Não seria viver o melhor dos
mundos? Dispor de utilidades para executar as tarefas
insignificantes, que não agregam nenhum valor à existência
humana, liberando tempo para causas mais nobres.
Imagine alguém capaz de executar qualquer tarefa, da mais
simples a mais complexa, rapidamente, sem erro, reclamação ou
insatisfação. Nossa única preocupação seria com a atualização do
software com novos conhecimentos e habilidades. Nenhuma
necessidade de gerenciamento sobre ergonomia, absenteísmo,
desídia, greves e acidentes. Quer mais?
Gerações após gerações, sem problemas de saúde, delinqüência,
repetência escolar, acidentes de trânsito, marginalidade e
criminalidade. Quanta economia seria feita sem essas despesas!
Máquinas preparadas para o esporte, ciência, cultura, lazer ou
entretenimento. Tudo funcionando perfeitamente, sem imprevistos
ou aborrecimentos. Seria o verdadeiro Paraíso!!!
Mas quem atualizaria o conhecimento dessas maravilhas? Quem
cuidaria desses "seres" especiais? Como saber do que seriam
capazes com todo esse potencial? Talvez houvesse a necessidade
de identificá-las com nomes, números, cores ou qualquer outra
forma, para diferenciá-las. Quem sabe dar-lhes características
físicas como as das pessoas.
Como seria esse mundo em que todos sonham viver um dia? Não
ficaria muito monótono e previsível? Sobreviveria a emoção, a
expectativa, o amor... o sentimento? Quem decidiria qual máquina
poderia ser a mais capacitada? Haveria leis para controlar algum
comportamento? A criatura obedeceria fielmente ao criador? O ser
humano deixaria de existir?
Se a perfeição e a imperfeição sempre ocupam seus espaços em
tudo que existe, então podemos concluir que tudo aquilo que
queremos só depende da compreensão do ser humano. Não precisamos
inventar nada ultra-superior, mas apenas entender a obra do
Criador, que foi feita à Sua imagem e semelhança. O caminho da
perfeição passa pela mudança de comportamento das pessoas.
Jose Roberto Takeo Ichihara
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 21/05/2007

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