Brancos, nulos e indecisos
Foram horas de explicações sobre os programas de governo,
soluções, denúncias e promessas, muitas delas, impossíveis de
cumprir. Chegamos ao final de mais uma campanha eleitoral.
Visitas que cobriram todos os bairros das cidades, debates,
acusações, jogo-sujo, enfim, tudo o que já estamos acostumados
a ver nessa disputa. Prometeram até o paraíso aqui na Terra!
Pesquisas, confiáveis ou sem credibilidade, não param de ser
divulgadas. Índices de aprovação e rejeição, tendências, o
sobe-e-desce de cada candidato. É tanta informação que o
eleitor, cansando, não vê a hora de decidir logo quem ele quer
no comando. Muitos acreditam que tudo pode melhorar se
votarmos certo. Afinal, 80% da população do país vivem na área
urbana.
Mas os especialistas, que analisam detalhes e minúcias, chamam
a atenção para um nicho a ser explorado. Quase 5% dos
eleitores ainda estão indecisos. Outros 5% dizem que votarão
em branco ou nulo. Mais uma parcela do total ainda não sabe ou
não respondeu. O que ainda falta mostrar? Novas promessas?
Mais descasos? Outros escândalos? Locais carentes esquecidos?
O fato é que essa minoria pode ser decisiva no resultado
final. Indeciso ser fundamental para decidir? É, como
costumamos ouvir, em política tudo é possível. Nunca os nulos
e indecisos foram tão importantes. Como dizem os experts do
marketing: as crises e dificuldades geram oportunidades. Todos
agora olham para essa fatia do eleitorado. Um nicho muito
interessante.
Por ser obrigatório o voto é polêmico. Mas é a única decisão
que está livre de desigualdades. As vontades, os pesos e a
importância têm o mesmo valor para ricos ou pobres, doutores
ou ignorantes, honestos ou corruptos, famosos ou
desconhecidos, influentes ou marginalizados. Todos são
exatamente iguais. Já os benefícios... Isso, porém, é outra
história.
Daí a importância do poder de convencimento do candidato.
Ali, frente às câmeras, em cadeia para o povo assistir, quem
soube mostrar as suas qualidades e anular os concorrentes
ganhou alguns votos dos indecisos ou nulos. Aquele que apontou
um rumo que o eleitor acredita ser o melhor vai estar mais
perto da vitória - a aplicação dos recursos disponíveis
corretamente.
Quem acompanhou a campanha pela TV observou que por trás das
propostas, dos números que não sabemos se estão corretos, das
possíveis fórmulas mágicas, das previsões mais otimistas, está
o marqueteiro responsável pela venda de imagem. Talvez, por
isso, os brancos, nulos e indecisos, se tornem os únicos
conscientes no momento. Sua maior dúvida: como realizar o
sonho?
À parte as desconfianças, uma decisão tem de ser tomada por
todos. Não adianta ficar em cima do muro para depois dizer que
não tem nada com isso tudo que está aí. Se a decisão foi boa
ou ruim é outra questão, mas agora temos de decidir. Ficamos
assim ou exercemos o direito que estão nos dando para mudar e
correr o risco de melhorar? Mas não é só isso: temos o direito
de cobrar!
Acontece, porém, que os problemas não desaparecerão somente
porque o candidato bem-intencionado e cheio de propostas será
eleito. Engana-se, redondamente, quem achar que tudo será
resolvido como num passe de mágica. Os desafios são
gigantescos, vai exigir muito de todos, não apenas do eleito -
e só podem ser vencidos com muita obstinação, seriedade e
participação.
Omissão já resolveu? Agora... mudança de atitude e de
comportamento...quem sabe? Analise cada candidato e suas
propostas, dê o devido desconto por causa da euforia de
campanha, olhe o passado de cada um, corrija os exageros e
vote. Mas escolha uma pessoa porque branco ou nulo não governa
nem se responsabiliza por nada. Materialize em alguém as suas
esperanças de mudanças e realizações. Não precisa acreditar
que alguns terrenos no céu estão à venda... mas participe!!!