A casa dos grandes pensadores
 
 
 
     
 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

 

 

 

No limite da tolerância

O freqüente desequilíbrio mostrado nas várias partes do planeta, talvez seja mais um alerta de que a Natureza já não suporta mais tanta agressão. Vimos inundações na Europa e seca na Amazônia. A humanidade está reduzindo, de cada palmo de chão, a mínima condição de sobrevivência dos seres vivos. Resta saber onde estão pensando viver.
Como tudo neste planeta é interligado, a reação da Mãe Natureza atinge a todos indiscriminadamente. Mas os avisos sobre o mau comportamento não se dá de forma abrupta. Há tempos os fenômenos naturais estão sinalizando que algo não está certo. Furacões ocorridos no litoral sul mostraram que o nosso país não é mais invulnerável contra essas ameaças. 
Mas continuamos, desenvolvidos e subdesenvolvidos, a agredir quem nos proporciona a sobrevivência.  A maior potência econômica e militar do planeta, que queima muito combustível fóssil, não concordou em assinar o Protocolo de Kyoto para reduzir a emissão de poluentes.  O presidente Bush foi enfático ao afirmar que não faria isso em detrimento da economia.
A catástrofe em Nova Orleans, porém, mostrou que o poder econômico e o arsenal nuclear dos Estados Unidos são inúteis contra a força da Natureza. Pela primeira vez, nas últimas décadas, viu-se que os ricos e poderosos também dependem da ajuda de todos. Quem sabe agora a arrogância e a teimosia do presidente se curvem perante alguém mais forte.
Sabe-se que o agronegócio é o responsável pelo bom resultado da nossa balança comercial. Somos o grande fornecedor de alimentos e de commodities. Mas algumas ONG's e muitos especialistas são contra esse avanço. Por isso, precisamos desvincular a verdade das falsas profecias, que podem estar defendendo interesses de poderosos grupos multinacionais.
  Todas as nossas metrópoles cresceram desordenadamente e mal planejadas. Torná-las humanamente habitáveis ficou caro porque já estão inchadas de pessoas e de problemas. Aí não adianta procurar pelos culpados. Somente com uma mudança de comportamento de todos vamos reverter esta situação. Como o lixo entope os bueiros e inundam as ruas?! 
Cientistas alertam que o grande causador do desequilíbrio ecológico é o aquecimento global. Que isso é conseqüência do desmatamento, do avanço do progresso sobre áreas de preservação, do excesso de poluentes nos oceanos. Assim, nosso grande desafio é melhorar toda a infra-estrutura, sem destruir o que ainda temos de melhor, para poder desenvolver o país.
Hoje o marketing e a mídia exercem forte influência sobre a sociedade. Muitos hábitos adquiridos por esses apelos são prejudiciais às pessoas e ao meio ambiente. Ganham os que oferecem produtos sem se importar com as conseqüências, assim como ganham os que dizem cuidar da saúde de ambos, após o consumo deles. Precisamos pôr um freio ético nisso!
Mas o ser humano não conhece limites. Bilhões de dólares são gastos em programas espaciais. Prevendo que a Terra será inviável daqui a alguns anos, já estamos pensando em explorar outros lugares. E quem são os futuros desbravadores? Eles mesmos, os predadores norte-americanos! O pior é que ainda usam esses feitos como avanços científicos.
Persistimos dizendo que a educação é a mola propulsora do desenvolvimento. Mas enquanto estamos preocupados com a alta tecnologia, com o lado cientifico, esquecemos dos ensinamentos básicos. O descaso com o meio ambiente é um exemplo de que a educação deve ser repensada. Qual a qualidade de vida que nossos filhos e netos receberão como herança?
Nós, que sempre nos consideramos uns felizardos, o país isento de catástrofes provocadas por fenômenos naturais, temos de rever a nossa situação privilegiada. Secas, inundações, frio e calor fora de época, além dos furacões, são os sinais de que a Natureza já está no limite da tolerância e começou a reagir. Seria muito prudente esquecer que somos a terra abençoada e assumir a nossa responsabilidade diante dos fatos e da realidade.

Jose Roberto Takeo Ichihara
                   
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 07/11/2006