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No limite da tolerância
O freqüente desequilíbrio mostrado nas várias partes do planeta,
talvez seja mais um alerta de que a Natureza já não suporta mais
tanta agressão. Vimos inundações na Europa e seca na Amazônia. A
humanidade está reduzindo, de cada palmo de chão, a mínima
condição de sobrevivência dos seres vivos. Resta saber onde
estão pensando viver.
Como tudo neste planeta é interligado, a reação da Mãe Natureza
atinge a todos indiscriminadamente. Mas os avisos sobre o mau
comportamento não se dá de forma abrupta. Há tempos os fenômenos
naturais estão sinalizando que algo não está certo. Furacões
ocorridos no litoral sul mostraram que o nosso país não é mais
invulnerável contra essas ameaças.
Mas continuamos, desenvolvidos e subdesenvolvidos, a agredir
quem nos proporciona a sobrevivência. A maior potência
econômica e militar do planeta, que queima muito combustível
fóssil, não concordou em assinar o Protocolo de Kyoto para
reduzir a emissão de poluentes. O presidente Bush foi enfático
ao afirmar que não faria isso em detrimento da economia.
A catástrofe em Nova Orleans, porém, mostrou que o poder
econômico e o arsenal nuclear dos Estados Unidos são inúteis
contra a força da Natureza. Pela primeira vez, nas últimas
décadas, viu-se que os ricos e poderosos também dependem da
ajuda de todos. Quem sabe agora a arrogância e a teimosia do
presidente se curvem perante alguém mais forte.
Sabe-se que o agronegócio é o responsável pelo bom resultado da
nossa balança comercial. Somos o grande fornecedor de alimentos
e de commodities. Mas algumas ONG's e muitos especialistas são
contra esse avanço. Por isso, precisamos desvincular a verdade
das falsas profecias, que podem estar defendendo interesses de
poderosos grupos multinacionais.
Todas as nossas metrópoles cresceram desordenadamente e mal
planejadas. Torná-las humanamente habitáveis ficou caro porque
já estão inchadas de pessoas e de problemas. Aí não adianta
procurar pelos culpados. Somente com uma mudança de
comportamento de todos vamos reverter esta situação. Como o lixo
entope os bueiros e inundam as ruas?!
Cientistas alertam que o grande causador do desequilíbrio
ecológico é o aquecimento global. Que isso é conseqüência do
desmatamento, do avanço do progresso sobre áreas de preservação,
do excesso de poluentes nos oceanos. Assim, nosso grande desafio
é melhorar toda a infra-estrutura, sem destruir o que ainda
temos de melhor, para poder desenvolver o país.
Hoje o marketing e a mídia exercem forte influência sobre a
sociedade. Muitos hábitos adquiridos por esses apelos são
prejudiciais às pessoas e ao meio ambiente. Ganham os que
oferecem produtos sem se importar com as conseqüências, assim
como ganham os que dizem cuidar da saúde de ambos, após o
consumo deles. Precisamos pôr um freio ético nisso!
Mas o ser humano não conhece limites. Bilhões de dólares são
gastos em programas espaciais. Prevendo que a Terra será
inviável daqui a alguns anos, já estamos pensando em explorar
outros lugares. E quem são os futuros desbravadores? Eles
mesmos, os predadores norte-americanos! O pior é que ainda usam
esses feitos como avanços científicos.
Persistimos dizendo que a educação é a mola propulsora do
desenvolvimento. Mas enquanto estamos preocupados com a alta
tecnologia, com o lado cientifico, esquecemos dos ensinamentos
básicos. O descaso com o meio ambiente é um exemplo de que a
educação deve ser repensada. Qual a qualidade de vida que nossos
filhos e netos receberão como herança?
Nós, que sempre nos consideramos uns felizardos, o país isento
de catástrofes provocadas por fenômenos naturais, temos de rever
a nossa situação privilegiada. Secas, inundações, frio e calor
fora de época, além dos furacões, são os sinais de que a
Natureza já está no limite da tolerância e começou a reagir.
Seria muito prudente esquecer que somos a terra abençoada e
assumir a nossa responsabilidade diante dos fatos e da
realidade.
Jose Roberto Takeo Ichihara
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 07/11/2006
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