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Obedecer ou transgredir?
As pessoas de bem sempre foram orientadas, desde a mais tenra
idade, a respeitar as regras da boa convivência. No lar, na
escola, no trabalho, no dia-a-dia em geral. Isso é o principio
básico da cidadania. Obedecer às leis escritas, morais, éticas e
culturais. Baseados nisso acreditamos que, somente assim,
construiremos uma sociedade mais justa e equilibrada. Em
contrapartida, esperamos que o mundo, tão cruel e perigoso, se
torne mais seguro. Por isso fazemos a nossa parte.
Rotulamos como uma pessoa ou família de bem aquela que exige
seus direitos, mas cumpre com todos os deveres estabelecidos
pela sociedade. Apostamos que isso nos leva à tão sonhada paz,
harmonia e esperança de dias melhores. Temos a convicção de que
é uma corrente muito forte, inquebrável, super-resistente às
ameaças externas. O caminho para o sonho. A certeza da
construção de uma obra grandiosa para ser desfrutada e admirada
por todos. Uma luta que vale a pena.
Mas o mal, sempre ele, nos mostra que apenas o respeito e a
obediência são insuficientes para combatê-lo. Ele está sempre a
anos-luz do bem. Inova e surpreende a cada minuto. É um
adversário implacável, combativo, tenaz... incansável. Nunca
mostra inteiramente a sua face e as suas intenções - é
imprevisível! Merece ser muito bem avaliado, jamais desprezado,
ignorado ou esquecido. Devemos estar sempre preparados, pois
ele não nos dá trégua - além de ser covarde e traiçoeiro.
De uma forma ou de outra, somos penalizados por infringir leis,
regras de comportamento ou política de boa vizinhança. Apesar de
nem sempre envolver valores materiais, o custo disso pode ser
muito caro para nós. Peso na consciência? Sentimento de culpa?
Irresponsabilidade? Prejuízo a terceiros? É sempre uma
preocupação, pelo menos para aqueles que são conscientes. Isso
tudo é o que regula o freio ou o acelerador da nossa vida.
Funcionam como os limitadores dos nossos impulsos.
Sabemos que a concentração exagerada da população dificulta a
convivência entre as pessoas. Se para uns significa
oportunidades, um mercado maior a ser explorado; para outros é
um alerta sobre problemas sem soluções. Em ambos os casos,
geralmente, as dificuldades são maiores. Explosão demográfica é
sinônimo de multiplicação: da desigualdade, da insegurança... da
violência. E nesse caldeirão de incertezas, o bom comportamento
pode se tornar inviável, impraticável, ineficaz.
Qual é a visão do mundo para uma pessoa de 20 anos? Milhões de
oportunidades? Realizações sem limites? Mostrar que tudo pode
ser diferente? Provar que a vida vale a pena? Deixar de reclamar
e simplesmente empreender, realizar, fazer acontecer? Quem já
passou por isso sabe qual é o significado! Constatar que o medo
pode ser vencido, derrotado, banido de uma vez por todas.
Aposentar velhos conceitos e preconceitos. Quem duvida disso?
Jovens são invencíveis - sempre!
O passar do tempo, segundo os especialistas, não aumenta a
inteligência. Apenas valoriza a sabedoria, uma outra forma de
sobrevivência. Onde a cautela substitui a ousadia; a indagação
vem antes da afirmação; o "se" sobrepõe o "por que não"; o "pode
ser" assume o lugar do "com certeza". Essas divergências são
normais, salutares e necessárias. Compõem, confrontam e resumem
o que é a vida. Delineiam uma existência. Se não mostram o rumo
certo, pelo menos balizam um caminho.
Por que não ensinamos aos filhos, entes queridos e pessoas de
nosso círculo de amizade que o mal existe? Que a vida é mais
valiosa que as regras medíocres impostas pela legislação
defasada da realidade? Incutimos medos com base nos parâmetros
utópicos de quem não pode garantir nada! Quando a tragédia
acontece todos lamentam, mas ninguém explica ou se
responsabiliza. Assim é fácil e cômodo ser um gestor da lei:
impor muitas obrigações sem oferecer o mínimo de segurança.
Como se sentiu o pai da jovem estupidamente assassinada, num
semáforo de São Paulo, há poucos dias? O que ela fez de errado?
Usava o cinto de segurança e parou no sinal fechado, como manda
a regra do trânsito. Morreu por causa disso, à toa. Por que,
neste país, quem tenta fazer o certo, cumprir a lei e seguir as
normas, sempre se dá mal? Valeu a pena evitar a multa e os
pontos na carteira? Esses jovens... Por que nunca sabem quando
devem desobedecer os conselhos dos pais?
Jose Roberto Takeo Ichihara
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 20/08/2007

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