A casa dos grandes pensadores
 
 
 
     
 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

 

 

 

O plano B

Todas as estratégias bem planejadas possuem um plano alternativo, uma opção para o caso de algo sair errado, o chamado plano B. Assim, as grandes corporações e os seus líderes sempre deixam uma saída de emergência, para uma possível utilização, quando desenvolvem algum projeto caro, de longo prazo ou muito importante. Uma espécie de último recurso.
Simulações, análises, reuniões exaustivas, fazem parte da história de muitos empreendimentos de sucesso. É ilusão achar que, por um toque de mágica, um simples negócio iniciado em uma garagem virou uma megaempresa, com valor astronômico na Bolsa de Valores. Geralmente encurta-se muito o caminho para estimular os pretensos empreendedores.
Mas quando o grau de certeza é muito elevado costuma-se desprezar certos cuidados. Quem diria que o Titanic fosse naufragar? Para quê enchê-lo de botes salva-vidas? Bom... A história teve um final diferente do previsto na sua concepção! Talvez porque, naquele tempo, ainda não existisse a Lei de Murphy, ou ninguém ousasse questionar a tecnologia da época.
O risco, porém, é inerente à existência. Qualquer atividade envolve risco, até o simples ato de viver. Por isso tomamos algumas precauções durante a vida. Com a saúde, com a segurança patrimonial e pessoal, com as finanças, com o futuro. Mas dificilmente alguém detalha um plano para as adversidades pessoais. Tipo: o que fazer se isso me acontecer?
Quando admitimos que somos egoístas, que pensamos primeiramente em nós, para depois pensar nos outros, achamos isso desumano, irracional, pouco inteligente. Mas será que temos um plano B para nós? Ou culpamos os outros, a sorte, o azar ou o destino quando algo de ruim nos acontece? Visto assim, concluímos que não pensamos tanto em nós.
As empresas visam o lucro para satisfazer os acionistas e investir no crescimento para aumentar a competitividade. Por isso, analisam o cenário, elaboram planos estratégicos, implantam ações, acompanham os resultados e fazem os ajustes necessários. Mas isso não é garantia de sucesso. Daí a necessidade de um atenuante contra os erros e os imprevistos.
Por que não se faz isso no campo pessoal? Os acontecimentos no futuro não nos interessam? Talvez o objetivo do ser humano seja muito diferente das empresas. Para estas, a sobrevivência está atrelada ao resultado financeiro. As pessoas, por sua vez, conseguem aprender com os erros, mudar suas estratégias, manter o foco e alcançar os seus objetivos.
Apesar de ciclos de vida semelhantes, as empresas e as pessoas têm expectativas diferentes. Enquanto temos certeza do nosso fim, as empresas lutam contra isso. Nenhuma ação pode mudar a ordem natural das coisas. Então, para quê um plano alternativo?  Temos pouco tempo para acertar, por isso nosso plano B resume-se a uma nova tentativa, uma volta por cima.
Muitas organizações importantes do passado nem são mais lembradas, embora seus planos de contingência fossem bem elaborados. Como deixaram de existir não servem como modelo para outras empresas. Simplesmente encerraram um ciclo. E serão mais esquecidas ainda com o passar do tempo. Os lucros que geraram e distribuíram não deixaram suas marcas.
Seres humanos, ao contrário, sobrevivem por causa das descobertas científicas, das invenções, das contribuições para a humanidade, das realizações na arte e na cultura, mesmo sem ter elaborado nenhum plano de emergência. Por isso, nada vai impedir que a capacidade e o talento de alguém sejam reconhecidos, deixem suas marcas e resistam à passagem do tempo.

Jose Roberto Takeo Ichihara - 27/05/2007
                   
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 28/05/2007