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O plano B
Todas as estratégias bem planejadas possuem um plano
alternativo, uma opção para o caso de algo sair errado, o
chamado plano B. Assim, as grandes corporações e os seus líderes
sempre deixam uma saída de emergência, para uma possível
utilização, quando desenvolvem algum projeto caro, de longo
prazo ou muito importante. Uma espécie de último recurso.
Simulações, análises, reuniões exaustivas, fazem parte da
história de muitos empreendimentos de sucesso. É ilusão achar
que, por um toque de mágica, um simples negócio iniciado em uma
garagem virou uma megaempresa, com valor astronômico na Bolsa de
Valores. Geralmente encurta-se muito o caminho para estimular os
pretensos empreendedores.
Mas quando o grau de certeza é muito elevado costuma-se
desprezar certos cuidados. Quem diria que o Titanic fosse
naufragar? Para quê enchê-lo de botes salva-vidas? Bom... A
história teve um final diferente do previsto na sua concepção!
Talvez porque, naquele tempo, ainda não existisse a Lei de
Murphy, ou ninguém ousasse questionar a tecnologia da época.
O risco, porém, é inerente à existência. Qualquer atividade
envolve risco, até o simples ato de viver. Por isso tomamos
algumas precauções durante a vida. Com a saúde, com a segurança
patrimonial e pessoal, com as finanças, com o futuro. Mas
dificilmente alguém detalha um plano para as adversidades
pessoais. Tipo: o que fazer se isso me acontecer?
Quando admitimos que somos egoístas, que pensamos primeiramente
em nós, para depois pensar nos outros, achamos isso desumano,
irracional, pouco inteligente. Mas será que temos um plano B
para nós? Ou culpamos os outros, a sorte, o azar ou o destino
quando algo de ruim nos acontece? Visto assim, concluímos que
não pensamos tanto em nós.
As empresas visam o lucro para satisfazer os acionistas e
investir no crescimento para aumentar a competitividade. Por
isso, analisam o cenário, elaboram planos estratégicos,
implantam ações, acompanham os resultados e fazem os ajustes
necessários. Mas isso não é garantia de sucesso. Daí a
necessidade de um atenuante contra os erros e os imprevistos.
Por que não se faz isso no campo pessoal? Os acontecimentos no
futuro não nos interessam? Talvez o objetivo do ser humano seja
muito diferente das empresas. Para estas, a sobrevivência está
atrelada ao resultado financeiro. As pessoas, por sua vez,
conseguem aprender com os erros, mudar suas estratégias, manter
o foco e alcançar os seus objetivos.
Apesar de ciclos de vida semelhantes, as empresas e as pessoas
têm expectativas diferentes. Enquanto temos certeza do nosso
fim, as empresas lutam contra isso. Nenhuma ação pode mudar a
ordem natural das coisas. Então, para quê um plano alternativo?
Temos pouco tempo para acertar, por isso nosso plano B resume-se
a uma nova tentativa, uma volta por cima.
Muitas organizações importantes do passado nem são mais
lembradas, embora seus planos de contingência fossem bem
elaborados. Como deixaram de existir não servem como modelo para
outras empresas. Simplesmente encerraram um ciclo. E serão mais
esquecidas ainda com o passar do tempo. Os lucros que geraram e
distribuíram não deixaram suas marcas.
Seres humanos, ao contrário, sobrevivem por causa das
descobertas científicas, das invenções, das contribuições para a
humanidade, das realizações na arte e na cultura, mesmo sem ter
elaborado nenhum plano de emergência. Por isso, nada vai impedir
que a capacidade e o talento de alguém sejam reconhecidos,
deixem suas marcas e resistam à passagem do tempo.
Jose Roberto Takeo Ichihara - 27/05/2007
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 28/05/2007

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