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Paz: um objetivo
inatingível
O que mais se ouviu no romper do corrente ano foi pedido de paz.
De cada dez entrevistados, dez pediam paz. Todos pedem paz. É um
objetivo unânime no mundo todo independentemente de raça, credo
religioso, poder aquisitivo, sexo ou grau de instrução. Pode-se
até dizer que é uma obsessão universal. É a pedida do século.
Pena que não ouvimos ninguém dizer o que está fazendo para que a
paz chegue a todos.
Mas por que uma coisa que todos querem não acontece? Talvez a
tão sonhada paz esteja dentro de cada um e a soma do individual
atinja o coletivo. Assim, se alguém não está em paz consigo não
pode proporcionar paz para os outros. Haja vista que muitos
procuram a paz através da religião, da caridade, do trabalho ou
da penitência. Não existe uma forma universal padronizada.
Nada garante, porém, que o fato de alguém estar em paz consigo
impeça a violência por parte de outros. A busca cada vez maior
por bens tangíveis, às vezes supérfluos, induz as pessoas a
atitudes ou comportamento imprevisíveis. Os meios escolhidos nem
sempre são corretos. Muitos lançam mão de qualquer recurso para
atingir o tão sonhado padrão de vida para si e para seus
familiares, achando que com isso obterão paz.
Então, onde encontrar a paz? Na religião? O fundamentalismo no
Oriente Médio mostra que não. Na prosperidade econômica? Se
assim fosse nunca veríamos os casos de serial killer nos Estados
Unidos, tão comuns nos dias atuais. No elevado grau de educação?
Basta lembrar que a culta e educada Europa foi o estopim das
duas grandes Guerras Mundiais, apenas no século XX. Na fome e na
miséria? Os países pobres da África, repletos de famintos e
miseráveis, que vivem se matando, comprovam que não. Longe da
civilização? A situação dos indígenas sinaliza que não.
A busca pela paz é incessante, muito embora, às vezes, os
pacificadores lancem mão da guerra para atingi-la. O caso mais
recente foram os bombardeios no Iraque, realizados pelos Estados
Unidos e aliados, para que o povo se libertasse da tirania do
ditador Saddam Hussein. Será que o meio utilizado, que envolveu
violência contra inocentes amantes da paz, é válido? A paz
prometida foi alcançada?!!! Pelo menos, até onde se vê, não.
A paz é tão cobiçada que possui até um símbolo: uma pomba branca
numa suave posição de vôo. Será que a paz é tão sensível à
violência que ao menor gesto brusco foge voando? Ou será que o
branco é para demonstrar que a paz não pode conter o menor sinal
de impureza, que precisa se manter imaculada? Pelo que já
estamos acostumados a ver neste mundo de tantas coisas
inexplicáveis, a paz pode ser considerada como um ideal, algo
que queremos mas não existe, pelo menos enquanto vivemos. Talvez
seja algo pontual, momentâneo, passageiro... uma referência.
Um troféu tão valioso não poderia ser conquistado por qualquer
um despreparado. Por isso, o ser humano nunca terá a paz que
tanto almeja sem passar por diversos testes na vida. A paz não
chega a nós de graça. Como todo prêmio que se preza, temos de
vencer obstáculos e enfrentar adversidades, onde a regra do jogo
não permite que culpemos os outros pelo fracasso e nos
vangloriemos pelo sucesso. Só depende de cada um porque é uma
conquista individual.
Sem entender que a paz é despojada de qualquer convenção adotada
pelo ser humano, jamais conseguiremos viver acolhidos por ela.
Somos dotados de várias capacidades, mas, por um capricho da
Natureza, ou do Criador, sabe-se lá por que, fomos condenados a
não viver em paz. Quem sabe o fim da vida material seja o
encontro com a paz, tanto que é muito comum ouvirmos como
últimas palavras de recomendação àqueles que se foram: que a sua
alma descanse eternamente na paz do senhor!
Jose Roberto Takeo Ichihara
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 14/12/2006

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