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Por que comemorar o Natal?
O mundo que a classe média conhece é o
mostrado pela mídia. Onde a cultura do ter já baniu, para muito
longe, a valorização do ser. Tornamo-nos uma sociedade
manipulada pelas regras de comportamento impostas por grupos
interessados em incentivar o consumo e aumentar seus lucros.
Muitos seguem fielmente essa filosofia de vida. Compra-se até o
que não é preciso.
Valores morais e espirituais, como honestidade e fraternidade,
foram facilmente substituídos por bens tangíveis. O famoso
"mundo dos espertos" tão relevante na civilização ocidental.
Competimos, muitas vezes sem tréguas, com nossos irmãos para
atender interesses daqueles que, realmente, ficam com os louros
da vitória. Fazem-nos acreditar cegamente no slogan: "ao
vencedor, tudo".
Sacrificar pessoas inocentes, como adolescentes iludidas com o
glamour das passarelas, para vender cada vez mais, impondo uma
"ditadura" da beleza no mundo da moda, faz parte de um negócio
altamente lucrativo. Não importa a saúde, a jornada estafante, o
equilíbrio psicológico e emocional, a morte - apenas o
atendimento às exigências. Como proibir esse tipo de exploração
infantil?
Mas por que a extrema necessidade de bens materiais para muitas
pessoas? Talvez porque muitas não valem pelo que são, mas por
aquilo que podem comprar! Ou porque uma embalagem cara, bonita e
de bom gosto, pode elevar a cotação de um produto
insignificante, agregando algum valor. Vivemos o mundo das
imagens, dos efeitos especiais, dos valores percebidos, dos maus
exemplos.
As catástrofes, porém, provocadas pelos fenômenos naturais, que
escapam do domínio da sabedoria humana, mostram quão
descartáveis são os bens materiais. Nessas horas, os valores
intangíveis como fé, solidariedade e fraternidade, são muito
mais importantes e, quem sabe, as únicas tábuas de salvação -
aquilo que realmente vale. Aí, os materialistas lembram de
invocar Deus.
Seres humanos, entretanto, têm memória curta e uma enorme
capacidade para desvalorizar o que é importante e cultuar o
supérfluo. Logo após as tragédias, quando as coisas voltam à
normalidade, redobramos os esforços para a aquisição de bens
materiais, elegendo novos objetos como sonho de consumo. Nossas
necessidades básicas nunca são atendidas.
Assim, de adversidade em adversidade, entremeadas de momentos de
reflexão sobre o verdadeiro valor do ser humano, vamos
construindo uma sociedade onde impera o individualismo, a
futilidade, o consumismo, a insensibilidade, o artificialismo,
incentivados pelos meios de comunicação que fazem o marketing,
com muita eficiência, para esse mundo de fantasias.
O enorme esforço que os honestos e bem-intencionados fazem para
sobreviver nesta verdadeira aldeia global é de desestimular
qualquer um. Vias de regra são chamados de idiotas,
deslocados... tudo o que caracteriza aqueles que não sabem
aproveitar as oportunidades que surgem - uma pessoa fora de
época. Às vezes não servem de exemplo nem para os familiares.
A ciência, cada vez mais evoluída, ainda não conseguiu mudar as
regras de comportamento nas pessoas. No limite da ética, os
laboratórios realizam experiências manipulando a genética do ser
humano. Queremos criar um ser superior? Alguém isento de cobiça,
inveja, sede de poder e riqueza? O verdadeiro exemplo de
Justiça? Um revolucionário? Aquele que promoverá a paz? Um
salvador?
Essa criatura já esteve aqui há mais de dois mil anos! Nasceu
pobre, o pai não era importante, não estudou em universidade,
mas mudou a história da humanidade, pregando a verdade e o amor.
Também foi considerado um fora de época. Até hoje, quando
queremos resgatar nossos votos de fé, esperança e caridade,
relembramos Jesus Cristo comemorando o dia do seu nascimento.
Jose Roberto Takeo Ichihara
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 19/12/2006

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