A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

LUCIANO PIERRE DOS SANTOS

 

 

 

Luz, câmera... Reação!

 Quem já passou pela experiência de gravar um programa de TV, um comercial, uma novela ou aparição qualquer na televisão, sabe que quando a contagem regressiva 5, 4, 3,2,1 começa e a palavra gravando sai, bate aquele frio na barriga, não é fácil ficar frente a uma câmera, os sentimentos são dos mais diversos e dentre todos creio que a vontade de ir ao banheiro prevalece!

O fato é que suamos frio, trememos, pensamos em que “cara” fazer, como sorrir, se sorri ou fica sério. A adrenalina toma conta o corpo, um misto de felicidade e medo, nervosismo e êxtase.

Tive recentemente esta experiência, gravando um programa de televisão e meu problema já começara na hora em que soube que seria bem diferente do que costumo ver na TV, pois lá as bandas muitas vezes fingem tocar e no nosso caso teríamos que tocar mesmo. Naquela hora vi como num passe de mágica, fugir de mim o bom músico e do alto dos meus recém completos dez anos de bateria eu só conseguia avistar a porta do banheiro, e lá estava eu, com aquela terrível vontade de me trancar nele!

Após o termino da gravação do primeiro bloco, quando de fato recuperei a consciência e minha barriga já me deixava um pouco mais em paz, comecei a pensar nas três palavrinhas mágicas, que todos nós, independente de já ter vivido esta experiência ou não, sabemos de cor, luz, câmera, ação.

Quando nascemos, embora o médico não as declare, começa para cada um de nós um programa, um show, um comercial, uma novela ou um filme. Alguns se vendem bastante, às vezes até sem cachê, outros fazem no palco o que não o são na verdade, uns repetem o programa, outros se disprogramam, para uns a novela é a mesma e embora se faça muitas e usem muitas “caras”, nunca vale a pena revê-la, o fim do filme para uns demora demais, para outros é sempre triste. Quando nascemos nossas mães já nos dão a luz daí para frente o que contará é como vamos agir frente às diversas câmeras da vida e câmeras do mundo. Há os que reagem de forma negativa, não são poucos que assim o fazem, fingem a todo instante ser o que não é, ou será que ninguém erra mais? Será que os lideres não têm mais defeitos, os políticos são todos honestos? Não há sujeira no futebol? Não tem mais traição entre casais? Não há gente casado por dinheiro?

Você pode dizer: “eu não, eu sou o que sou, tenho personalidade”. Mas tendo sua personalidade, sendo o que você é, você não é o que queria ser, ou pelo menos deveria ser mais do que é, sendo de fato aquele que você acha que é , mas nunca ou quase nunca alcança ser , pois tira mais que uma hora de almoço, usa o carro da empresa para fins particulares, tira xérox no trabalho, bebe demais, é grosso de mais, é calmo demais, toma atitudes precipitadas, não toma atitudes, gasta demais, desrespeita pai, mãe, amigos, filhos demais! Temos o habito de projetar algo que não somos, para de fato esconder o que só nós sabemos que somos, pois todas essas coisas são erradas, sabemos que são e ainda assim as fazemos dia após dia!

O que conta na frente das câmeras não é sua ação, pois por diversas vezes esta é deturpada pelo ambiente externo, somos muito levados a fazer o que todos fazem e com a velha desculpa do não tem nada a ver, deixando que a situação nos leve a agir. Muitos dos que se dizem valentes demais, sábios demais, “santos” demais e que adoram abrir a boca para dizer que com ele é assim mesmo: fala o que pensa, possuem problemas, arriscando-me a dizer que talvez todos possuam, ou emocionais ou de caráter e nesta situação a ação deles se situa em radicalizar por fora, para esconder o que de fato é por dentro.

Toda ação gera uma reação, não é verdade? Logo a reação frente às câmeras da vida, é o que realmente vale, pois a vida cada dia que passa está mais acionada e quanto mais ação, mais reação tem-se a tomar, sendo nesta hora a hora de decidir se fica e encara reagindo bem ou se corre para os banheiros da alma!

O fato de ficar não garante um bom roteiro, até porque a ocasiões em que a direção não está clara ou sequer está em suas mãos, você pode ficar e fazer como muitos, interpretando um mal papel, se tornando vilão a cada take, sendo o que não tem, muito menos precisa ser, dormindo com quem não tem que dormir, indo onde não tem que ir, levando o que não tem que levar, baseando no que não se deve basear, mandando para a mente o que deveria mandar para o lixo, aspirando o que deveria expirar, entornando uma água que até um pássaro consegue discernir que não se deve beber!

Você pode seguir a segunda opção e correr para o banheiro, pode ser que esteja ocupado ou com uma fila enorme, pois o grupo dos que desiste, se importando em não se importar, achando que o melhor lugar para aparecer é se escondendo, trancando-se entre quatro paredes, preferindo conviver apenas com seu próprio mau cheiro, encontrando-se com o tão falado “eu” e vivendo a experiência desagradável que se é encontra com a verdade e saber que ela não é o que se projetou.

Como será que você está reagindo? Porque agindo já existem muitos, agindo e agindo mal, por isso, novamente a pergunta: como você está reagindo? Como está reagindo ao trabalho, aos filhos, aos problemas de grana, aos problemas sociais, ao governo, aos problemas de casais, aos amigos, a vida?

Não tome nenhuma ação, pegue o que você tem e viva, você já tem a luz, as câmeras estão ligadas, só falta você de fato entrar nessa história chamada: “sua vida”, ser quem você é, sair das quatro paredes, fazer o papel que só você pode fazer, entrar em cena, pisar no palco das emoções com propriedade, guardar o melhor dos textos no coração, o texto da vida, da vida plena, a vida vivida e não deixada levar, olhe para o ponto certo, respire fundo, inicie a contagem: 5,4,3,2,1... REAJA!

Luciano Pierre dos Santos

Publicação: www.paralerepensar.com.br 13/02/2008