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- O EXERCÍCIO DA LITERATURA EM
SANTANA DO IPANEMA-AL
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- Escritora e pesquisadora
Maria do Socorro Ricardo.
- Autora de “Diálogos com
Santana iconográfica: de Zabé Brincão aos nossos dias”
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- Hoje
acordei com “O Sonho de Alice”, da escritora Lúcia Nobre, de
quem já havia lido “Cotidiano: entre palmas e arvoredos”.
Então acompanhei, passo a passo, esta personagem, desde o
Batatal, aquela terra vermelha no interior do município
alagoano de Santana do Ipanema. Visitei a casa de Alice e vi
Dona Júlia costurar roupas em sua máquina manual. Descobri
Alice lavadeira e me surpreendi com o peso das roupas que
Alice lavava e, após o jantar de Alice, o ferro de passar
sendo alimentado por brasas vivas transferidas do fogão à
lenha. Escutei a história de trancoso ao reunir-se à noite a
família sertaneja, e depois me diverti com os divertimentos de
Alice. Esta saga de Alice escrita por Lúcia Nobre é de fato
uma canção. Lúcia Nobre é uma escritora experiente e com
publicações que vão de “Sebastião e Helena: crônica e
pensamentos”, seguida por “Do Índio a Collor: principais
acontecimentos políticos, econômicos e sociais do Brasil”, e
também “Centelhas de amor: pensamentos”, aí, em 1998, veio o
romance “O sonho de Alice”, além de outros títulos.
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- No livro
“À sombra do juazeiro: casos e loas”, do Portal
Maltanet, Lúcia Nobre é uma das autoras desta antologia de
escritores santanenses que assinam o “Mural de Recados” neste
provedor cuja edição do trabalho deve ir às escolas e
bibliotecas. Em “Cotidiano: entre palmas e arvoredos”, Lúcia
Nobre nesta antologia (para citar esta palavra certamente
usada por Meléagro, aquele poeta da antiga Grécia, no sentido
de usar em um mesmo livro várias peças literárias) que assina
só; cito um texto “Convivendo com fantasmas”, que está na p81,
da edição de 2008, enquanto a protagonista preparava o almoço
em seu apartamento na praia de Pajuçara, em Maceió, dividia a
solidão com um fantasma. Esta peça está pronta para ser levada
aos palcos ou algum trabalho audiovisual.
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- Está
esclarecido no patrimônio histórico de Santana do Ipanema-AL,
patrimônio histórico em minha memória de escritora e
pesquisadora santanense, que os meios de comunicações
sertanejos contribuíram para o surgimento dos talentos
literários. Há uma criatividade latente no cotidiano e na
cultura urbana de vários municípios alagoanos. Santana do
Ipanema pode-se sentir feliz por ter sido o berço do autor de
“João Urso e outros contos”, pode-se sentir feliz por ter sido
um dos maiores escritores da língua portuguesa, Graciliano
Ramos (e, aqui, parênteses: a esposa de GR, Dona Lola, tendo
se encontrado com Marcello Ricardo Almeida, durante um
festival de teatro em Arapiraca, aprovou a sua criação do
método Teatro-Feijão-Com-Arroz) quem construiu a estrada de
Palmeira-Santana que antes era um caminho do empreendedor
Delmiro Gouveia, Graciliano Ramos cita em seu romance
“Angústia” o rio e a cidade Santana do Ipanema, pode se sentir
feliz por ter sido palco de muitos e importantes escritores,
tendo sido um deles José Lins do Rego Cavalcanti, autor que
era amigo de Santana do Ipanema, autor prestigiadíssimo de
obras como “Menino de Engenho”, 1932, “Riacho Doce”, 1939, e
Agnaldo Silva, em 1990, a minissérie Riacho Doce para a TV
Globo, da obra de José Lins.
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- Não vou
culpar a facilidade midiática, Era do Blog, onde a
democratização da escrita oferece, sob todos os aspectos
imaginados e inimagináveis, aquele que se alfabetiza em optar
se escreve suas impressões “literárias” em um diário, agenda,
caderno, pedaço de papel ou cria seu próprio blog e
possibilita ao mundo, em tempo real, conhecer as imagens e/ou
os textos do aspirante a escritor ou escritor ou ainda do
escritor profissional. Estas três categorias aos que se
dedicam ao ato de escrever, desde que seja escrever de maneira
artística. Não é porque alguém recebeu a sua CNH que será
transformado em um piloto de Fórmula Um; quem se alfabetiza
não será, por isto, transformado em escritor, pois escritor
não é jornalista ou qualquer outro que lida com a palavra
escrita, mas quem escreve como quem reinventa outra maneira de
se expressar.
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- Continuo
afirmando que Santana do Ipanema é Terra de Escritores.
Esta placa deve ostentar as entradas da cidade: “Bem-vindo a
Santana do Ipanema: Terra de Escritores” como expressão
verdadeira e de autoestima aos amigos de Santana do Ipanema –
com a palavra o poder público e os clubes de serviço, o
comércio e a indústria. Não apenas de escritores dos tempos de
Oscar Silva, Tadeu Rocha, Marcello Ricardo Almeida, Brenno
Accioly, Agnaldo Nepomuceno Marques, José Marques de Melo,
Fernando Nepomuceno Filho, Clerisvaldo B. Chagas, Morche
Ricardo Almeida, Djalma de Melo Carvalho, Lúcia Nobre, José
Pereira Monteiro, José Peixoto Noya, José Geraldo Nepomuceno
Marques, os irmãos Sérgio, Fábio, Fernando Soares Campos, João
Neto Félix Mendes, Cláudio Campos, José Albérico Alécio,
Manoel Constantino Filho, Remi Bastos, Maria do Socorro
Ricardo, José Antonio Soares Campos, João Francisco das Chagas
Neto, Luiz Antonio de Farias, Roberval Noia, José Avelar
Alécio, Antonio Alves Sobrinho, Maria Goretti Brandão, José de
Melo Carvalho, Valter Alves de Oliveira Filho, Mozart Brandão
Barros, José Cândido, Sebastião Florestino Malta, José Malta
Fontes Neto, Mário Pacífico, Francisco Roberval Ribeiro, Lúcia
Azevedo, Pedro Pacífico Filho, Plácido Nunes, José Ormindo,
Maria Aparecida Silva dos Santos, Ellen Karla, Robério
Magalhães, Pe. José Neto de França, Jorge Vieira, José de
França Filho, Maria Cilene, Maria de Lourdes Nascimento,
Manuel Augusto, Sibele Arroxellas, Rogivaldo Chagas, Luciene
Amaral da Silva, Carlindo de Lira, Eduardo Bonfin, Roberto
Gonçalves, Fernando Valões, Suzy Maurício, Luis Vilar. Esta
lista é ainda maior, pois se avoluma a cada ano. “Santana do
Ipanema-AL: Sertão de Escritores” assinalei em minha obra
“Diálogos com Santana iconográfica: de Zabé Brincão aos nossos
dias”, 2009, Florianópolis, Literatura em SC. “Santana do
Ipanema: Terra de Escritores” não é um fenômeno deste
princípio de século XXI, porque tínhamos no início do século
XX – portanto, há um século antes deste momento – o Pe.
Francisco Correia e outras celebridades santanenses
escritores. Acuso a liberdade de pensamento sertaneja e a
livre expressão dos poetas populares de minha terra maternal,
estes passaram todo o século XX compondo os seus poemas de
cordéis dos mais variados estilos. Nas quartas-feiras e
sábados, os poetas santanenses estendiam os seus poemas sob
toldas, cantava-os ao som de viola, esta poesia popular de
origem oral e antiga, anterior aos folhetos rústicos impressos
em gráficas de fundo de quintal, com ilustrações de belíssimas
xilogravuras. Esta arte poética no Brasil do século XVIII, de
origem trovadoresca portuguesa.
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- O Portal
Maltanet oportuniza o surgimento de novos talentos literários.
Alguns (e só o tempo dirá) se firmarão nesta maneira artística
de se expressão, outros serão nuvens passageiras (ao que
desejo que sejam poucos os que irão desistir em continuar
neste exercício artístico de escrever). Quando li o livro “À
Sombra do Juazeiro”, 2008, SP, e antes “À Sombra do
Umbuzeiro”, 2006, edições do Portal Maltanet e conheci as
“histórias engraçadas”, as “marcas do passado”, os “contos”,
as “crônicas” e os “poemas”, então disse a mim mesma: estou
convencida de que alguns destes autores sexagenários
anteriormente citados aos poucos apresentam as suas qualidades
literárias provando a minha tese de que Santana do Ipanema é
verdadeiramente Terra de Escritores. Este é o exercício da
literatura em Santana do Ipanema.
Maria do Socorro Ricardo –
www.historiografiaafricanas.blogspot.com
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 04/09/2009
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