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A alma de Tacutsi.
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Dois jovens guerreiros Sioux sobem a montanha para tentar caçar
pois havia escassez de alimento na aldeia.
Sem demora um urso se aproxima, olhar de fera faminta, os índios
apontam flechas e lança. O Sioux mais velho tenta distrair e ao
mesmo tempo enfrentar o urso, olhar de fera pra fera.
O urso sente a lança perto do coração mas mesmo assim reage
dando um golpe fatal em Terosic.
O índio caí e o urso foge, Karenoc grita ao ver o irmão sem
vida.
Nesse instante a lua desce e traz uma linda mulher trajando
vestes de pele de urso branco, e nos longos cabelos tranças com
penas de águia.
_ Não tema, trago a ressurreição para seu irmão.
_ Você é Tacutsi, a deusa da vida? _ pergunta Karenoc assustado.
_ Sim, vim salvar seu irmão porque a aldeia precisa de sua força
espiritual, e você por ser mais jovem tem muito a aprender.
Nesse instante Tacutsi canta uma suave canção como se a natureza
toda fizesse um coral.
Ajoelha-se perto de Terosic e massageia o coração, depois a
fonte, inspira e expira nas narinas do índio para devolver-lhe a
vida.
Numa respiração profunda ele abre os belos olhos negros e se
encanta com a deusa fazendo aquele ritual.
_ O urso... _ ele diz_
_ Não se preocupe, ele fugiu. _ Diz o irmão.
_ O urso não resistiu ao ferimento, o corpo está próximo desse
local, pode levá-lo para alimentar sua aldeia.
A força espiritual do urso elevou-se a outras esferas para
purificar-se e fortalecer os instintos.
Agora vão.
Os irmãos amarram o urso em cipós e vão puxando.
A aldeia faz um ritual de dança e canto para agradecer o
alimento.
O tempo passa e numa certa noite Terosic, que em ritual de
guerra era chamado de lobo selvagem, se afasta dos integrantes e
segue o caminho da montanha.
Chega ao local onde fora salvo.
O olhar se perde entre o claro da lua e em pensamento chama a
alma da mãe criadora que usou sua mágica para dar vida às
plantas, árvores, lagos, montanhas e a sua própria essência.
Aquele guerreiro estava sofrendo por amor.
A lua desce e surgi Tacutsi o fazendo sorrir.
_Pensei que não a veria mais!
_ Meu guerreiro, sinto o que diz seu coração, não pode alimentar
esse sentimento.
_ Por que o amor precisa ser tão cruel? Se era para sofrer por
que me salvou?
_ O amor pela aldeia precisa ser maior que o amor individual,
eles necessitam de sua energia espiritual.
_ Penso em sua luz todo instante, seu instinto é imune ao amo?
_ Não, amo profundamente tudo que toco, tudo que manifesta vida,
mas não posso amá-lo como companheira.
_ Por quê?
Devo minha vida a ti!
_ Não guerreiro, sua ressurreição foi necessária, a natureza
segue seu curso.
_ Então faça que esse amor se transforme e não me deixe sofrer
tanto.
_ Meu guerreiro, quando enfrenta-se o silêncio da própria
solidão é que se conhece verdadeiramente e sente a necessidade
do controle vital.
Não há como fugir das lições e efeitos da vida.
_ A dor do amor é única. Não sente nada por mim?
_ Devolvi sua vida por amor, mas meu corpo não pode amá-lo,
possuo outra natureza fluídica.
Meu corpo não contem a sensibilidade da entrega carnal.
Minha alma pode amá-lo, mas nunca haverá contato entre nós como
existe com os amantes.
_ Estou condenado a solidão...
Lobo selvagem abaixa-se e num gesto de carinho Tacutsi afaga
seus cabelos.
_ Não sofra guerreiro, a luz do amor sempre se renova e em breve
salvará uma bela índia das águas turvas do rio.
Esse sim será um amor de pura sedução vinculado ao amor divino.
A felicidade é uma conquista, mas também tem hora pra acontecer.
Agora volte a aldeia, estão sentindo sua falta.
Lobo selvagem retorna com a sensação que realmente tudo se
renova a cada estágio.
E assim a luz seduz lendas e crenças...
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Marlene Passos
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
19/05/2009
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