MÍSTICA SEDUÇÃO
AUTORA: Marlene Passos
Um homem
enfurecido por ver sua mulher com outro, sai de casa. Para
camuflar sua humilhação aceita o convite de uns amigos para
assistir um espetáculo cigano.
Chegam
ao local, muita música e alegria dá um toque especial.
Ernesto
afasta-se dos amigos e de passos lentos vai caminhando,
admirando o cenário de brilho e cores.
Numa tenda enxerga uma linda morena dançando ao
ritmo cigano. A dança invade o pensamento de Ernesto, ele se
deixa olhar pelos olhares da jovem com movimentos sensuais que
faz brotar uma sensação fascinante.
Em cada
nota musical expressava uma história, delícias inesperadas,
contidas em desejos constantes.
Os
movimentos eram compostos por sensações indescritíveis,
inesquecíveis, e na retrospectiva da emoção brota uma eterna
sedução.
A morena
pára de dançar e aproxima-se de Ernesto, ele sem hesitar a
olha e cumprimenta.
Ela o
fita sensualmente e se distancia.
Ele sem
entender a magia daquele olhar, pergunta o nome da mulher
encantadora, alguém diz:
_ Ela se
chama Carmencíta.
Ernesto
maravilhado segue com os olhos a bela morena.
No meio
da noite ele a procura e não a encontra, fica indignado
pensando que ela havia saído com outro.
Passando
por trás de uma tenda, sem esperar é puxado pelo braço e sente
num pulsar sem hesitar um beijo eletrizante.. Sem entender
aquela docilidade misturada com um incomensurável desejo, se
deixa levar e assim entrega-se as loucuras da paixão.
Depois
do amor ela se despede e ele pergunta:
_ Quando
posso vê-la novamente?
_ Os
ciganos nunca prometem nada, não temos parada...
_ E
agora? O que posso fazer com meu destino?
_ Deixe
que o tempo mostrará as cenas seguintes... agora vá, preciso
seguir o que está escrito.
_ O que
está escrito?
_ Amanhã
será meu casamento.
_ Como?
Casamento?
_ Sim,
preciso cumprir um acordo , me casarei com Igor, um cigano de
outro acampamento.
_ Você o
ama?
_ Não,
mas assim que tem que ser.
Carmencíta deixa Ernest pensativo e se afasta.
Ele
volta para casa e não consegue esquecer a bela morena beijando
seus lábios.
Passa a
noite e chega a hora do casamento, ela mostra-se bela como
rainha.
Ernesto
entra na tenda de Carmencíta sem que ninguém percebesse a
fazendo cheirar uma substância que ao desmaiar, a seqüestra.
Consegue
sair por trás das tendas com facilidade.
Quando a
morena lindamente abre os olhos fica furiosa ao entender o
acontecido.
_ Os
ciganos virão atrás de você!!!
_ Entrei
disfarçado de cigano e ao sair, todos estavam tão preocupados
com a festa que não notaram minha saída.
_ Por
que fez isso?
_ Porque
sei que nascemos um para o outro.
Ela o
fita nos olhos e diz:
_ Me
rendo a seus desejos mais calientes, seus gestos mais
sedutores, seu olhar mais tentador...
Toma-me
em seus braços e com lábios loucos de tanto querer-me,
descubra meus caminhos e desfrute de momentos só nossos.
Faça de
meu corpo o seu refúgio, arrepia-me a pele ao senti-lo
pousando em meus sentidos sem pudor, beijando meus lábios
desnudos por querer-te tanto.
Já que
me queres tanto, venha embriagar-se nesse sabor ardente que
incorpora nas células a sensação mística e encantada de
entregar-me a ti.
Vem
possuir essa alma sedenta que faz parte do seu querer mais
profundo.
Ernesto
sem pensar a toma nos braços e a beija como se fosse uma força
profana, misteriosa.
_ A amo,
minha sacerdotisa suprema, me domina e deixa louco de paixão.
Os dois
se amam como se toda a força da natureza possuísse aqueles
corpos e sem escrúpulos mostravam-se encharcados de amor.
Depois
de tudo, cansados e desnudos se abraçam, endeusando carinhos
sedutores.
_ Ah
amor, eu sabia que meu destino estava marcado por uma
avalanche de paixão.
O
problema é que meu noivo é vingativo, mas o que sinto por você
é forte demais, não dá para fugir, confunde meus sentidos...
Te quero
e fugirei com você.
Meu
amor, como uma deusa egípcia , lançou a chama do olhar,
laçando-me e prendendo-me a ti.
_ O
querer brota da passagem secreta de render-me a ti.
É
avassaladora essa sensação, vem como avalanche testemunhar
esse ninho de desejo.
_ Senti
sua chama lançar sobre mim o poder da eternidade.
_ Se é
um desafio querer-te tanto enfrento os obstáculos, a fúria da
alma e o delírio do mundo desconhecido.
Não tema
o perigo, estarei contigo.
A
loucura da paixão faz uma alma pura tornar-se insana e
pervertida, todo esse transe doa-se a sedução.
_
Ahhhhhhhh meu amor...
_ Amor,
mergulhe na explosão desse vulcão incandescente e juntos
vivenciarmos o ritual do amor.
Os dois
se amam novamente e rompendo regras e detalhes, as almas alçam
vôo através da imaginação fazendo juras de amor.
_ Minha
deusa cigana, um êxtase exótico faz-me pulsar a sedução,
lubrifica-me a pele por querer-te tanto.
De
repente Carmencíta fica aflita e emudece-lhe a face, Ernesto
pergunta:
_ O que
há?
_ Tive
uma premonição...
_ O quê?
_ Sempre
que tenho esses pressentimentos algo de ruim acontece.
_ Como
assim?
_ Vejo
sangue, lágrimas...
_ Isso é
bobagem!!!!!!!!!!!!!!
_ Não é!
Estou
com muito medo!!!!!
Não
quero perdê-lo!!
_ Não
irá me perder.
_ Vamos sair daqui urgente, os ciganos possuem
um sentido aguçado, sentem faro, descobrem tudo!
Ernesto
aceita fugir com Carmencíta.
Ao
entrar no carro, percebe que estão sendo seguidos, a
perseguição alonga-se km pela estrada, até que ela grita:
_ Estou
vendo a morte!
Nesse
instante Ernesto perde a direção e o carro cai num lugar de
difícil acesso, 10 mt de altura.
Ela
agonizando diz:
_ Meu
amor, fuja, eles não descansarão até pegá-lo.
Ernesto
enlouquecido grita de dor ao ver a linda amada sendo levada
pela palidez da morte.
Ele
consegue sair do carro e desorientado foge do local. Longe
dali, indo pelo mato, não agüentando mais, desmaia.
Desperta
depois de dias em uma cabana, e se vê cuidado por uma ânsia.
_ Onde
estou?
_ Calma,
você chegou aqui muito machucado, minhas ervas o salvou.
_ E...
Ernesto
cai em pranto.
_ Em
delírio, você chamava o tempo todo por Carmencíta...
_ ela
era a mulher da minha vida, a encontrei num curto espaço de
tempo, foi o amor mais louco e inesquecível que senti...
Carmencíta morreu no acidente que o próprio povo dela causou.
_ É meu
filho, a irá é o pior veneno!!!
É
preciso respeitar o coração
_ Estou
sentindo-me sem chão, sem expectativa.
Nesse
instante abre a porta e entra uma jovem com muitas flores nos
braços.
_ Vovó
olha como são lindas!
Nesse
instante Ernesto fica admirado por ver tanta pureza naquele
azul tão cristalino.
A anciã
percebe e sorri, pois ela sabia como ninguém sobre as lições
da vida.
_ Minha
filha cuide dele, vou pegar mais ervas, ele está quase bom,
mas ainda precisa de cuidados.
A jovem
senta-se ao lado de Ernesto, segura o pano encharcado pelas
ervas e passa nos ferimentos.
Ele a
fita não com a loucura pelos desejos como fitava Carmencita,
mas com a calmaria na pureza de um anjo, tão suave e terna
como se fosse um ser intocável.
Ela diz:
Meu nome
é Aninha, cultivo flores... você está quase bom.
Para seu
bem é melhor esquecer o que passou.
As
flores são belas porque não sentem tristeza.
_ Eu
entendo...
Amanhã
de manhã vou ajudá-lo caminhar pelos arredores, o cheiro da
natureza faz bem.
No outro
dia Ernesto sai apoiando-se nos ombros de Aninha, ele sente o
cheiro da relva molhada pelo orvalho, ouve os pássaros, as
flores multicores bailando com o suave vento da a sensação
que aquele lugar era o paraíso.
A doce
Aninha transparecia a presença de uma linda jovem mulher e ao
mesmo tempo um sorriso de menina encantadora.
Ele
senta-se ao lado de uma árvore enquanto observa Aninha a
brincar com as borboletas entre as flores.
A cena
torna-se tão admirável que ele se apaixona, mas em pensamento
se questionava:
_ Como
pode? Eu estava perdidamente apaixonado por Carmencita e agora
sinto-me totalmente envolvido pela pureza de um anjo!!!
Carmencita era pura sedução, armadilha escultural, tentação
avassaladora...
Aninha é
como se fosse uma estrela intocável, tão deslumbrante que seu
brilho é notado a anos-luz, meu Deus, por que os sentimentos
são tão confusos?
Aninha
possuía um encantamento tão sobrenatural que atraia borboletas
e passarinhos, todos a sua volta como se a natureza
presenciasse uma festa de carinhos.
Ernesto
sorri, esquecendo a dor que sua alma sentia.
_ Venha,
sinta o poder que a natureza exerce sobre nos.
Ele se
levanta e vai até Aninha.
Ernesto
se surpreende ao ver uma borboleta azul pousando nos cachos
dourados de Aninha realçando-lhe o azul dos olhos.
_
Realmente é uma sensação mágica. Diz Ernest.
Ele
pensava em seus neurônios:
“ Ela não possui a fúria da natureza, mas
possui o encanto da pureza”...
_ Agora
vamos entrar, vovó nos espera.
Ao
entrarem, a anciã os recebe com sorriso e um bolo cheiroso
esperando para ser saboreado.
Passam
mais uns dias e Ernesto sentindo-se melhor despede-se.
_
Agradeço pelo cuidado e por ter salvo minha vida.
_ Só
cumpri minha missão meu filho, pode ir em paz, volte sempre
que quiser.
_
Voltarei com toda certeza.
Ernesto
se vai deixando no olhar de Aninha um brilho de saudade.
Passam
dois anos e um amigo faz um convite a Ernesto.
_ Ola
Carlos, qual a novidade você nunca aparece!
_ Vim
fazer um convite, é que estou tentando comprar um ótimo
terreno onde cultivam muitas flores, a dona, uma velha senhora
morreu e a neta não quer vender o lugar.
_ E por
que você não compra outro terreno?
_ Para
meu projeto precisa ser ali.
_ E qual
é seu projeto?
_ É
construir um parque aquático no lugar, mas mesmo que a neta
não queira vender, eu vou insistir.
_ E você
quer que eu vá com você tentar convencer para a venda?
_ Sim.
_ Tudo
bem, vamos.
Quando
chegaram ao local Ernesto sentiu uma tristeza pois entendera
que a ânsia que salvara sua vida havia morrido.
_ Descem
do carro e Aninha se aproxima.
_ Olá
Ernesto, há quanto tempo?
Ele sem
palavras, disse apenas que o tempo é veloz.
O amigo
foi logo dizendo:
_ Minha
jovem é melhor você vender esse local por bem, ou não...
_ Não
vendo, e só saio daqui morta, como aconteceu com minha avó!
Você
está de acordo com ele Ernest?
Minha
avó salvou sua vida e agora você quer...
Sem que
ela termine, ele interrompe.
_ Eu
apenas vim como companhia, não sabia realmente do que se
tratava.
_ Esse
lugar deve ser preservado, é rico em minas, a terra é muito
fértil, às águas cristalinas, aqui tem pássaros de várias
espécies e harmonia entre os animais.
_ Quero
esse lugar para construir meu parque aquático e pago o preço
que pedir.
_ Não
vendo!
Aqui
reside a vida inteira de minha avó, minha infância e
adolescência...
_ É sua
última palavra?
_ Sim!
_ Você
irá se arrepender!
Ernesto
percebe o tom de ameaça e não gosta da cena.
O amigo
e ele se despedem e se vão.
No outro
dia Ernesto vai com seu carro até o bosque que fora registrado
como bosque das flores.
Aninha o
recebe.
_ Olá
Ernesto.
_ Aninha
eu precisava vir, farei tudo para impedir qualquer ameaça, eu
não sabia da arrogância e da falta de respeito com que ele
mostrou para possuir seu terreno.
_ Tudo
bem Ernesto eu entendo, vamos entrar, minha avó deixou um
presente pra você, ela sabia que um dia voltaria.
_
Presente pra mim?
_ Aninha
abre o armário e pega uma pequena escultura de um homem
segurando um coração.
_ Minha
avó esculpiu e disse que era pra você, disse também que
entenderia o significado.
_ Como
assim?
_ Esse
significado só você poderá decifrar.
_ Um
homem segurando um coração?... não entendo esse significado...
_ O
tempo mostrará.
_ Eu
agradeço e guardarei com todo carinho.
Quero
que saiba que sou muito grato a tudo que fizeram por mim e o
que precisar estarei a sua disposição.
_ Estou
bem, foi minha opção morar nesse lugar.
_ E seus
pais?
_ Sempre
vem me visitar, quando preciso pego meu carro e vou a cidade,
meus pais não deixam nada faltar.
_ Eu
pensei que só tinha sua avó!
_ Você
sumiu, não tivemos tempo para nos conhecer melhor..
__ O
tempo passa tão rápido que quando vemos... agora preciso ir,
mas voltarei!
Ernesto
beija as mãos de Aninha e se vai, ela fica sonhando com um
beijo apaixonado...
Numa
manhã de primavera, Aninha dava atenção as borboletas quando
chega dois carros, descem 5 homens, um deles fala assim:
_ Último
aviso, venda ou irá se arrepender.
Aninha
os põe pra correr dali e nem dá atenção.
Mais
tarde fecha tudo, entra em seu carro e vai para a cidade,
procura Ernesto e conta o acontecido.
_
Aninha, estou seriamente preocupado, você fica lá sozinha...
_ Eu já
disse Ernesto, não vou sair de lá!
_ Tudo
bem, mas hoje irei com você, estou preocupado mesmo.
Ambos
vão rumo ao bosque.
Chegando
lá, tal foi a surpresa que Aninha grita de desespero, estava
tudo em chamas.
Ernesto
a abraça e diz:
_ Calma
Aninha, a investigação será feita.
Naquele
dia Aninha foi para a casa de Ernesto e lá ficou em estado de
choque.
Vem a
noite e ele a ampara em seus braços.
_
Ernesto, tenho certeza que foram aqueles homens que querem
comprar o bosque.
_ Também
acho, mas precisamos de provas!
Ernesto
acaricia os cabelos de Aninha e nesse instante se perde em
pensamentos
“ ...
Carmencita era o fogo da paixão, seduzia meus desejos
tornando-os delirantes, Aninha é tão doce como anjo, duas
extremidades totalmente diferentes e que me atraem
profundamente...
_
Ernesto?
_ Sim,
Aninha
_ Isso
não pode ficar assim!
_ Calma
meu anjo, calma.
Ernesto
nem desejo impulsivo a beija, ela como um gesto de ternura o
abraça retribuindo o beijo.
De uma
maneira mais calma e doce, se amam, se entregam nas carícias
da sedução.
_
Ernesto...
_
Aninha, eu... não sei se devo pedir-lhe desculpas ou...
Aninha o
fita e diz:
_ O amo
faz tanto tempo...
_ Você é tão doce que encanta meus sentidos.
Sua
delicadeza me faz flutuar.
Passam
os dias e é solucionado o incêndio, os autores foram presos e
tudo começa voltar ao normal.
Aninha
numa manhã de muito calor toma um banho numa banheira de água
fresca, fecha os olhos e se sente dançando como se fosse uma
cigana, lindamente vestida, de repente abre os olhos e
sente-se estranha como se fosse uma cigana, sem entender sai
da banheira, coloca seu roupão de banho e deita um pouco na
cama macia.
Ernesto
entra no quarto e surpreende-se com o olhar de Aninha, tinha a
mesma sedução de Carmencita.
Ela
aproxima-se, procura uma música cigana e começa dançar. Tinha
os mesmos movimentos calientes que tanto enlouqueceu Ernesto
há tempos atrás.
Ele sem
pensar a toma nos braços e a beija sem fronteiras, naquele
instante não importava a dimensão e sim a emoção.
A
entrega é feita cheia de saudades, de loucos beijos e prazeres
inebriantes.
_ Meu
amor que bom que você voltou...
_ Voltei
porque ti amo além do tempo, além do sentido... além da
plataforma física...
Carmencita...
De
repente Aninha volta a si e diz:
_ O que
aconteceu? Eu estava na banheira, como se fosse um
encantamento, me senti uma cigana louca para dançar e
amar!!!!!!!!!!!
Ernesto
entendeu que estava diante de um mistério de grandes
proporções, não sabia definir ao certo....
Aninha?
_
Ernesto, estou me sentindo muito estranha...
Ele a
abraça com olhos perdidos e diz:
_ Calma
meu anjo, a vida mostrará uma explicação.
E assim
Aninha começou a viver em conflito pois sabia que Carmencita
precisava de seu corpo para encontrar-se com Ernesto, mas por
outro lado ela também o amava.
Numa
noite calma e clara Aninha resolve ir ao bosque na madrugada.
Chegando
fita a lua e pergunta:
_ Lua
linda, que mistério é esse que assola minha alma?
Quem sou
afinal?
De
repente uma luz bem clara ilumina a cena e no centro se
mostrava muito bela Carmencita.
Aninha
assustada fica parada sem dar uma palavra.
_ Calma
Aninha, sou apenas o reflexo de seus pensamentos, eu, você e
Ernesto somos um ser só.
_ Como
assim?
_ Eu
simbolizo o amor sedutor, você simboliza a pureza do amor e
Ernesto simboliza nosso elo. Nessa conexão nasce o sentimento
mais fecundo que a natureza já testemunhou.
_ Você é
Carmencita, eu sou Aninha, não há como juntar nossas
essências!
_ O
universo tem tantos enigmas que você nem imagina!
Vivemos
em tempos diferentes, mas eu e você somos a mesma pessoa.
_ Você
está confundindo tudo.
Ernesto
e eu, tínhamos tantas saudades de um tempo esquecido que
inconscientemente renascemos nos braços do desejo. Você
representa o tempo atual, mas em sua alma traz resíduos de sua
história, marcas de momentos vividos.
_ Estou
confusa.
_
Ernesto também está confuso porque está pensando que gosta de
nós duas, mas ele ainda não entendeu que somos uma pessoa só.
Minha
imagem é apenas reflexo do passado que se materializou com
você.
Então
quando Ernesto a conheceu... você....
_ Toda a
história é reflexo de um passado mal resolvido e tudo que não
é definido fica vagando no ar.
Minha
missão é fazer Ernesto sentir que nós três realizamos um
sincronismo perfeito.
_ Então
eu sou você?
_ E você
sou eu! Tudo em prol da união perfeita do amor.
Nossa
alma é a mesma, apenas reflexos passados dividem-se através do
tempo, porém a essência principal é imutável.
Essa
imagem de cigana irá desaparecer porque agora você é presente,
eu sou passado... só apareci para provar que o verdadeiro amor
sobrevive ao tempo.
A visão
se desfaz, Ernesto chega assustado procurando por Aninha.
_ Meu
anjo, você sumiu!
_ Vim
atrás do meu passado...
_ Como
assim?
_ Vou
explicar tudo, irá entender as razões que levaram o destino a
percorrer o tempo dos verbos.
_
Sim...
__ Somos
humanos, dotados de personagens inseridos na memória, roa nos
inspiramos em um, ora em outro...
Isso é
uma prova que mudamos constantemente para o bem do amor e de
nossa própria evolução.
Eu sendo
cigana, rainha, plebéia, sacerdotisa, deusa, musa ou em
qualquer cenário... mudarei apenas a roupagem, mas na
profundeza da alma, com pureza ou sedução, será sempre o amor
que nos levará ao prazer absoluto.
Não me
sentirei mais atormentada, estou aqui pra te amar.
_ Meu
anjo!...
Eu amo
você de qualquer jeito...
Agora
entendo a versão que a vida mostrou, nossos caminhos estão
livres para amar.
Nesse
instante os lábios se unem e sentem a mais louca viagem
através das vibrações cósmicas.
E assim
a vida provou que amor é amor sem importar-se com a roupagem
do momento.
Depois
do amor Ernesto fica pensativo...
_ O que
foi amor?
_ Aquela
escultura que sua avó me deu, um homem segurando um coração...
_ Sim,
por que lembrou nisso agora?
_ Assim
que ganhei, a guardei e não pensei mais na escultura, nesse
instante começo a entender o significado...
_ Como
assim?
_ O amor
precisa de uma estrutura sólida, dois seres em um só coração,
isso é, a sedução, a pureza e a eternidade de carinhos, o
coração é como se fosse uma caixinha de sentimentos.
Para
saciar a alma precisamos de mudanças constantes, mas sempre em
um só coração.
_ Sim,
entendo.
A magia
que compõe o querer mais profundo se refere a união de uma
composição que se manifesta na travessia dos momentos, isto é,
o amor é composto por sensações eternos.
_ Isso!
Ou seja, nós somos dois em um só coração.
_ Somos
três em um só coração.
_ Três?
_
Carmencita representa meu passado, eu sou meu presente e
você... nossa eternidade!
_ Sim
meu amor... por isso me completo tanto na pureza como na
sedução.
_ Somos
uma só alma nas paragens inebriantes da vida.
_ Só
mesmo seu olhar para mostrar o quanto nos eternizamos no amor.
E entre
olhares a união paralela se funde tornando-se uma só reta
amando e desfrutando sensações incomensuráveis.
Marlene Passos