A casa dos grandes pensadores
 
 
 
  MARLENE PASSOS

 

 

 

O mistério das águas turvas
 
Um grupo de pesquisadores resolvem partir em busca de  mais elementos para pesquisa na grande floresta amazônica.
Chegam à Manaus , descansam e depois vão conhecer o INPA _ Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
Ficam deslumbrados com a área de 400.000 m quadrados que abriga a três campos de pesquisas.
Já cansados pelo dia vão ao hotel  pois o principal objetivo era colher novas amostras da floresta.
Tainá conversa com o guia que iria acompanhá-los:
_ Olá, você que irá nos acompanhar?
_ Sim, serei o guia da expedição. Meu nome é Augusto.
_ Muito prazer, o meu é Tainá.
Somos  em 6, eu, Andressa, Taimara, Rodrigo, Renan e Otavio
_ Ah sim, estou a par de tudo, mas não se esqueçam, precisamos ficar unidos, jamais andar só a noite pois os animais vorazes tem hábitos noturnos.
As cobras sem veneno  tem hábitos diurnos, porém existem exceções...
_ Não se preocupe, estamos cientes dos perigos.
_ Agora é melhor descansar, sairemos antes do sol nascer.
Se despedem.
A madrugada desperta os ansiosos pesquisadores e assim vão todos para o barco com o guia.
O sol começa alaranjar o horizonte deixando visível a paisagem fantástica da fauna e da flora. Pássaros colore o espaço e galhos com vôos e cantos...
Tainá filma e diz:
_ Nossa!!!!!!!!!!!!1 que lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Que vontade mergulhar.
Augusto diz:
_ Se mergulhar sem conhecer o histórico do rio corre o risco de não voltar, quem sabe até tornar-se uma lenda indígena, como a lenda da vitória Régia...
_ Sei que é perigoso, só estava brincando.
_ Nessas águas turvas se escondem os monstros fluviais.
Depois de um tempo Rodrigo  grita:
_Olhe pessoal, estamos chegando a margem do rio, parece um paraíso de beleza!
... Árvores gigantescas mostram-se apresentando flores, folhagens, dando a impressão até de uma outra dimensão.
Desembarcam e é montado acampamento.
O guia dá as ordens:
_ Não se esqueçam , unidos sempre. Aqui perto há uma cachoeira de águas cristalinas, lá não há perigo.
Enquanto os amigos pesquisam as plantas, Tainá, a mais moleque da turma segue outro caminho, Augusto vai atrás.
_ Tainá, eu disse para ficarmos unidos.
_ Eu sei, não vou me afastar, é que adoro macacos e vou procurá-los.
Um lindo macaquinho pula nos ombros da jovem, ela fica encantada e depois ele sai pulando de árvore em árvore e ela corre atrás.
Sem perceber o perigo corre beirando o barranco, escorrega e cai no rio e se enrosca em galhos, Augusto sem pensar pula para salva-la.
Sente perfurações mas mesmo assim continua  tentando tira-la daqueles galhos, surge um índio e os ajuda a sair da água.
Augusto começa a sentir-se mal, o índio diz logo:
_Só pode ser o terror das águas turvas.
Tainá pergunta
_ Como assim?
_ Só pode ser o peixe candiru, um pequenino bagre    que se alimenta de sangue, ele entra por qualquer orifício e alimenta do sangue da vítima até que a hemorragia o mate.
_ Meu Deus e agora? Diz Tainá.
O índio faz com que Augusto se deite perto de uma grande árvore e sai correndo em busca de ervas.
Sem demora o índio chega com uma bebida fazendo augusto beber.
_ O que é isso?  Pergunta Tainá.
_ É suco da fruta verde de genipa, é a única esperança para expulsão do peixe. Vamos ter fé, pois não deve ser nada bom ser devorado vivo por pequenos peixes, isso aconteceu com meu pai...
É preciso beber várias vezes até que o peixe saia.
Tainá chora de arrependimento:
_ Foi minha culpa...você tentou me salvar e agora está assim...
_ Não se preocupe... já fui picado por cobra, já enfrentei vários animais, sobrevivi a todas as experiências, vou sair dessa também.
Com sorte Augusto consegue expulsar os peixes de seu organismo.
Voltam os três ao acampamento e então o índio se despede.
_ Aqui me despeço e tenham, mais cuidado.
_  Qual seu nome? Nem agradecemos ainda!
_ Sou o guardião da floresta e das pessoas iluminadas.
_ Então você é um anjo?
_ Não... sou apenas um índio que ama sua terra e seus ancestrais.
Se despedem e Augusto descansa enquanto Tainá conta aos outros o acontecido.
Ao despertar Augusto se surpreende  com um beijo de Tainá.
_Por que ?
_ Você quase morreu para salvar minha vida...
_ Faria tudo de novo...
Os dois se olham e se beijam apaixonadamente...
Depois de registrarem tanto perigo e beleza voltam  ao barco para partida, Tainá e Augusto abraçados olham pra mata e enxergam o índio acenando pra eles.
_Que maravilha, esse índio parece a alma da floresta.
_ Vivemos outra vida nesse lugar.
_ E estamos partindo para outra. E você partirá com seus amigos?
_  Antes da ciência vem o amor... vou ficar com você, farei minhas pesquisas nesta região mesmo.
Augusto a olha sentindo uma emoção única, completando sua alma em um beijo...
 
Marlene Passos
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 13/11/2007