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O mistério de dois corações
Marlene Passos
Muitas estrelas anunciam o espetáculo, o nascimento de 1265,
início de uma época de amores fascinantes, ódios profundos,
renúncias, fé exaltada, um tempo marcado por um amor imortal.
Antônio, um jovem poeta vivia divagando suas emoções, se
inspirando em rostos bonitos, paisagens deslumbrantes, mas numa
manhã primaveril, seus olhos se encontraram com dois olhos
negros e , sem entender tal mistério, se apaixona.
Seu coração fica triste por saber que a bela musa estava casada,
um casamento arranjado, porém, precisava respeita. Passava seus
dias a pensar na amada. Desperta, em uma certa madrugada, e
escreve um poema:
"Meus olhos insistem em buscar os seus, meu coração está em
pânico, temendo um naufrágio, uma tempestade no caminho.
Pergunto a Deus o porquê da sua imagem no meu destino, o céu
fica mudo, a natureza não se manifesta.
Somos dois corações perdidos, nossos olhos se procuram e ao
mesmo tempo fogem, meu coração está em pânico!!!"
Antônio, mais tarde, casou-se também, mas seu coração continuava
a ser da encantadora Carolina. Seus poemas e pensamentos só
enxergavam uma direção, o coração da amada.
Numa noite de inverno conheceu a dor de perder seu amor, amor
sonhado, ela morrera com apenas 21 anos. Morrera Carolina.
Antônio perguntava ao vento, perto do túmulo da querida, do
único amor: _ Não há sentido em viver assim apenas por
convenções sociais, manter um casamento sem sentimento enquanto
meu coração chora por outra... por que essa dor ultrapassa até
mesmo a sensação da loucura?! Preciso fechar os olhos e
procurá-la entre as nuvens claras ou espessas, talvez me perder
em meio a um diamante ferido e atingido pelo íntimo de um negro
olhar...
Ele se sentia um náufrago sem esperança, e assim perguntava:_ O
que é o inferno? Será esse fogo que queima minha alma? Se o céu
está tão estrelado não posso estar no inferno!!! Porém, se não
estou no inferno, por que sofro tanto?
A saudade brota das profundezas, submergindo horrores. Antônio
perdera a noção do tempo, da realidade e grita, perguntando: _
Onde estão os anjos em que todos acreditam? Se um dia terei de
enfrentar a morte, o que é enfrentar a vida?... mas a morte mais
doída é a morte da mulher amada, depois de tudo... estarei mesmo
vivo? Me liberte senhor?! Nunca senti os beijos de Carolina, mas
a minha alma já tocou sua aura...De repente, um anjo segura as
mãos de Antônio e diz: _ A terra é impura para amores
purificados, por isso não puderam ser felizes.
_ Não entendo...!!!!!
_ Seu amor é incomensurável, ultrapassou todas as barreiras do
possível e se transportou, não pertences mais ao mundo
terrestre.
_ Como? Está dizendo que morri?!!!!!
_ A dor do amor foi tanta que nem sentiu a separação do corpo.
_ Minha alma procura desesperadamente por Carolina.
_ Venha.
O anjo o leva para nuvens altíssimas e abre-se uma porta.
Antônio enxerga cuidando de flores, a doce Carolina, que o fita
e sorri lhe estendendo as mãos.
_ O verdadeiro amor sobrevive ao tempo, ao espaço e à imensidão.
_ Carolina... podes entender um amor assim, que nasce pela chama
de um olhar?
_Oh, sim, doce poeta.
Cada poema que se inspirava em minha pessoa, nossas almas se
amavam em segredo.
_Você, aqui, é um anjo?
_ Aqui me chamo amor.
_ Amor?
_ Simplesmente amor, pois o amor completa e abre novos caminhos.
_ E o seu marido?
_ Nossas almas não eram semelhantes, ele irá encontrar alguém
que combine com sua personalidade.
_ Nossos corpos nunca se amaram!...
_ Não tivemos oportunidades, mas aqui a felicidade é mais
intensa e envolvolte.
Seremos pela luz do universo, duas almas em um coração, amando e
nos completando.
Pela primeira vez os lábios envolvidos em luz se beijam
docemente...
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Marlene Passos
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
11/06/2009
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