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Minha
casa interior
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Houve
época em que minha casa coube dentro de uma mala. Nos dias de
chuva, o teto era a sombrinha e o chão, a sola dos meus
sapatos encharcados. Isso não durou muito tempo e as portas,
que haviam sido fechadas, timidamente se abriram para que eu
pudesse retomar o meu espaço.
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Carrego-a também
aqui dentro. Limpo todas as noites para não entrarem maus
insetos pensamentos. Ela ainda tem segredos que não consegui
desvendar. Às vezes batem à porta umas vizinhas tentações,
digo que voltem para suas casas, não posso atendê-las no
momento. Outras vezes, não querendo ser mal educada, permito
que entrem, depois sinto-me culpada, pois acumulo coisas que
não são minhas. As janelas se fecham, as portas enguiçam e
fica faltando espaço pra mim mesma.
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Então
dou uma folga, saio de casa. Mas ela está em todos os lugares,
em forma de estilo clássico capricorniano, com acabamentos
perfeitos, pedindo que eu volte; instigando-me a dar um
perfume de humor, antes que os odores negativos tomem conta,
pois o sol já não tem entrado e a floreira está morrendo.
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Pouco a pouco
fazemos as pazes, fico mais sorridente, começo a tirar coisas
que estavam sobrando, sinto-me aliviada e até mais magra.
Encho-a de livros, coloco uma música, um incenso, torno a
abrir as cortinas, regar as flores. Pronto! estamos
realizadas.
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Vem até um cheirinho
de comida da cozinha!
Michelle Santos Jeffman
Publicação:
www.paralerepensar.com.brr
28/06/2006

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