A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

MICHELLE SANTOS JEFFMAN

 

 

 

Minha casa interior
 
Houve época em que minha casa coube dentro de uma mala. Nos dias de chuva, o teto era a sombrinha e o chão, a sola dos meus sapatos encharcados. Isso não durou muito tempo e as portas, que haviam sido fechadas, timidamente se abriram para que eu pudesse retomar o meu espaço.
        Carrego-a também aqui dentro. Limpo todas as noites para não entrarem maus insetos pensamentos. Ela ainda tem segredos que não consegui desvendar. Às vezes batem à porta umas vizinhas tentações, digo que voltem para suas casas, não posso atendê-las no momento. Outras vezes, não querendo ser mal educada, permito que entrem, depois sinto-me culpada, pois acumulo coisas que não são minhas. As janelas se fecham, as portas enguiçam e fica faltando espaço pra mim mesma.
Então dou uma folga, saio de casa. Mas ela está em todos os lugares, em forma de estilo clássico capricorniano, com acabamentos perfeitos, pedindo que eu volte; instigando-me a dar um perfume de humor, antes que os odores negativos tomem conta, pois o sol já não tem entrado e a floreira está morrendo.
        Pouco a pouco fazemos as pazes, fico mais sorridente, começo a tirar coisas que estavam sobrando, sinto-me aliviada e até mais magra. Encho-a de livros, coloco uma música, um incenso, torno a abrir as cortinas, regar as flores. Pronto! estamos realizadas.
        Vem até um cheirinho de comida da cozinha!

Michelle Santos Jeffman

Publicação: www.paralerepensar.com.brr 28/06/2006