Da esquina observo com olhar de lassidão essa vida urbana
cotidiana mecânica.
Pior é que faço parte desse universo caótico.
Os prédios estão tapando o sol e as árvores, tão artificiais
em meio ao asfalto.
Enquanto isso, o homem passa no tempo. Quanto mais
apressado, menos sabe de si, e o tempo passa despercebido,
traiçoeiro.
Mar, campo verde, horizonte infinito... mas os dias se
arrastam com a rotina.
Flutuo não por leveza de espírito e sim porque me faltam as
bases: de que adianta um trabalho sem um registro? um teto
sem lar? um amor sem utopia?
Vontade de viver no andar da
carruagem, sem agenda cheia, unhas por fazer, cabelo
quebradiço de pontas duplas entrevendo-se raízes sem
tintura, pura manifestação do tempo.
Olhando do alto do arranha-céu, formiguinhas transitam
atrapalhadas.
Não se preveniram para o inverno e caminham, em passinho
desordenado, atrás de alimento de uma porta aberta, um
sorriso um abraço. Estão pregando a mais um fiel a
importância de...
O vazio das ruas não permite a
passagem, há uma confusão de subempregos, subumanos no
submundo em que vivemos.
Os vira-latas. O lixo dos canteiros jogado de lá pra cá, a
cada passo, cada tropeço numa pedra num mendigo manquejante,
num índio descaracterizado, numa criança perdida suja e
faminta...
O sentido de humanidade não está na
superfície de passarelas de concreto asfaltamento,
pisoteadas de urbanidade, nem nos loucos que usam relógio.
Compromissos frieza pressa reunião.