A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

MICHELLE SANTOS JEFFMAN

 

 

 

Subvida urbana
 
Da esquina observo com olhar de lassidão essa vida urbana cotidiana mecânica.
Pior é que faço parte desse universo caótico.
Os prédios estão tapando o sol e as árvores, tão artificiais em meio ao asfalto.
Enquanto isso, o homem passa no tempo. Quanto mais apressado, menos sabe de si, e o tempo passa despercebido, traiçoeiro.
Mar, campo verde, horizonte infinito... mas os dias se arrastam com a rotina.
Flutuo não por leveza de espírito e sim porque me faltam as bases: de que adianta um trabalho sem um registro? um teto sem lar? um amor sem utopia?
Vontade de viver no andar da carruagem, sem agenda cheia, unhas por fazer, cabelo quebradiço de pontas duplas entrevendo-se raízes sem tintura, pura manifestação do tempo.
Olhando do alto do arranha-céu, formiguinhas transitam atrapalhadas.
Não se preveniram para o inverno e caminham, em passinho desordenado, atrás de alimento de uma porta aberta, um sorriso um abraço. Estão pregando a mais um fiel a importância de...
O vazio das ruas não permite a passagem, há uma confusão de subempregos, subumanos no submundo em que vivemos.
Os vira-latas. O lixo dos canteiros jogado de lá pra cá, a cada passo, cada tropeço numa pedra num mendigo manquejante, num índio descaracterizado, numa criança perdida suja e faminta...
O sentido de humanidade não está na superfície de passarelas de concreto asfaltamento, pisoteadas de urbanidade, nem nos loucos que usam relógio. Compromissos frieza pressa reunião.
 

Michelle Santos Jeffman

Publicação: www.paralerepensar.com.brr 05/06/2006