A casa dos grandes pensadores
 
 

MONICA DE CAMARGO COUTINHO

 

 

 

A Mulher Maravilha

 

  Relações entre seres humanos é a coisa mais complicada que existe. Que se dirá das relações familiares?  Para mim, relação de mãe e filha é sem dúvida a mais enrolada.

   No começo de tudo os filhos são totalmente dependentes dos pais, principalmente, da mãe. Tudo embolado. E acaba que duas pessoas viram apenas uma. A "falta de personalidade" de um bebê, coloca-o totalmente sob os poderes da mãe. Quando ele cresce um pouquinho e toma consciência de que é “gente”, essa dependência é vista e sentida em forma de veneração. O filho pequeno pensa que sua mãe é "A mulher maravilha". E sem saber que colocaram um peso em cima das mães, todas continuam se doando e fazendo de tudo para continuar sendo "A mulher maravilha". E o filho, depois que cresce, nem pode dizer que tal título é injusto, pois uma pessoa que faz pelos filhos, o que a mãe faz,  às vezes até sem poder, ela é de fato, "A Mulher Maravilha".

  Quando o filho cresce mais um pouco, já tem sua personalidade independente da dela. Quando mãe e filho já conseguem ser dois, e não uma pessoa apenas, quando o filho percebe o mundo ao redor, com seu próprio sentido, ele tem uma decepção NORMAL. Desmistifica "A Mulher Maravilha", para enxergá-la como uma mulher sem poderes e com imperfeições. Nessa hora vai-se uma heroína, e o filho ganha alguém de carne e osso, mais parecido com ele.

  Quando eu achava minha mãe "A mulher maravilha", mais me sentia o “cocô do cavalo do bandido”, porque via em mim uma impossibilidade de me tornar alguém perto do que ela era.

  Tem uma música do Renato Russo que diz:

  “Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo. São crianças como você..."

  É lindo e verdadeiro.   Mas o fato é, quando o filho cresce ele se esquece da Mulher Maravilha, até mesmo da mãe. Mas não se pode generalizar. Tudo isso são experiências de cada um. É a maturidade de cada um. E maturidade, sabemos que pode chegar cedo, tarde ou nunca chegar, pois há filhos adultos, eternamente crianças e dependentes dos pais.

Monica de Camargo Coutinho e Daniela Fiuza Adaid

Publicação: www.paralerepensar.com.br - 11/06/2008