A Mulher
Maravilha
Relações
entre seres humanos é a coisa mais complicada que existe. Que
se dirá das relações familiares? Para mim, relação de mãe e
filha é sem dúvida a mais enrolada.
No começo de
tudo os filhos são totalmente dependentes dos pais,
principalmente, da mãe. Tudo embolado. E acaba que duas
pessoas viram apenas uma. A "falta de personalidade" de um bebê,
coloca-o totalmente sob os poderes da mãe. Quando ele cresce um
pouquinho e toma consciência de que é “gente”, essa dependência
é vista e sentida em forma de veneração. O filho pequeno pensa
que sua mãe é "A mulher maravilha". E sem saber que colocaram um
peso em cima das mães, todas continuam se doando e fazendo de
tudo para continuar sendo "A mulher maravilha". E o filho,
depois que cresce, nem pode dizer que tal título é injusto, pois
uma pessoa que faz pelos filhos, o que a mãe faz, às vezes até
sem poder, ela é de fato, "A Mulher Maravilha".
Quando o filho
cresce mais um pouco, já tem sua personalidade independente da
dela. Quando mãe e filho já conseguem ser dois, e não uma pessoa
apenas, quando o filho percebe o mundo ao redor, com seu próprio
sentido, ele tem uma decepção NORMAL. Desmistifica "A Mulher
Maravilha", para enxergá-la como uma mulher sem poderes e com
imperfeições. Nessa hora vai-se uma heroína, e o filho ganha
alguém de carne e osso, mais parecido com ele.
Quando eu
achava minha mãe "A mulher maravilha", mais me sentia o “cocô do
cavalo do bandido”, porque via em mim uma impossibilidade de me
tornar alguém perto do que ela era.
Tem uma música do
Renato Russo que diz:
“Você culpa seus
pais por tudo, isso é absurdo. São crianças como você..."
É lindo e
verdadeiro. Mas o fato é, quando o filho cresce ele se esquece
da Mulher Maravilha, até mesmo da mãe. Mas não se pode
generalizar. Tudo isso são experiências de cada um. É a
maturidade de cada um. E maturidade, sabemos que pode chegar
cedo, tarde ou nunca chegar, pois há filhos adultos, eternamente
crianças e dependentes dos pais.