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Querida filha,
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Agradeço
a Deus todos os dias por você ter escolhido meu útero para morar
enquanto crescia e se desenvolvia. Nove meses depois, cansada de
lá, você resolveu sair e pensou: Basta! Quero conhecer a mulher
que escolhi para ser minha mãe, para cuidar de mim, para me dar
carinho, para caminhar comigo guiando meus passos para o bem.
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Nós não escolhemos os filhos que
desejamos ter. Os filhos nos escolhem. Foi uma honra e grande
alegria te ver crescer, dar o primeiro passinho, as primeiras
palavras. Se Deus deixou que você me escolhesse para cuidar de
você aqui na Terra, eu tinha de cumprir minha missão: Te amar,
ensinar e fazer crescer para a vida. Fiz o que pude pra te ver
feliz. Às vezes, querendo me realizar, joguei nas suas costas algo
que não tive oportunidade de fazer. Alguns pais fazem isso, mas
não o fiz conscientemente. Como não consegui realizar meus sonhos
acreditava que você gostaria de vivê-los. Um erro. Na época você
não gostava nem de balé nem de vôlei, mas hoje, adulta, deve
pensar: Puxa! Fui dançarina, participei de festivais. Fui jogadora
de vôlei, joguei até contra o melhor clube da capital e matei o
time fazendo nove pontos seguidos, no saque. Aquele foi um momento
de glória para mim. Na arquibancada do Minas Tênis Clube eu
aplaudia você, com os olhos marejados. Será que você gostou de ser
aplaudida pelo público, ou não?
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Hoje, pensando nos meus erros
passados, vejo que você conduz bem sua filha, não a obrigando a
fazer nada, além da natação, que ela aprecia. A única coisa que
a ouvi dizer é que gosta de tênis, e quer aprender. Quando a
pessoa gosta e pede é porque se desenvolverá bem naquilo.
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Queria muito estar aí com você no dia
do seu aniversário. Queria comemorar com uma abraço bem apertado
aquela pessoinha que entrou no meu útero para ser gerada por mim,
pois queria ser minha filha. No princípio fiquei assustada, depois
pensei: Devo ser boa mãe, já é a quarta pessoa que vem morar
dentro de mim, pois quer que eu seja sua mãe também.
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Que alegria quando você nasceu! Eu
babei quando sugou meu leite pela primeira vez, pois fazia uns
quatro anos que ele estava improdutivo. Seu pai babava, seus
irmãos babavam, tinham uma irmã. E aquela menininha cresceu e
também foi escolhida para ser mãe. A Juju escolheu você. E sei que
você retorna a ela todo o carinho que ela teve ao escolher você
como mãe dela. Não é divino saber disso? Que são os filhos que nos
escolhem para cuidarmos deles aqui na Terra? Portanto, saiba, é
uma grande mentira quando os filhos brigam com os pais e dizem:
Não pedi pra nascer! Não pediram mesmo, entraram sem pedir! Entre
milhares de espermatozóides brigando para vencer a corrida tipo
Fórmula Um, aquele filho a venceu. Como tem coragem de dizer que
não pediu pra nascer?
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E nós os aceitamos com todo amor do
coração de mãe. Muitas vezes não sabemos criá-los, ou acontece de
os criarmos bem, e vir alguém e jogar cinza nos olhos deles e os
desviar do bom caminho. Ser mãe é uma tarefa árdua para uma ou
para muitas. Tantas coisas fogem aos nosso padrão de criação!..
Mas você não fugiu. Cometeu erros como cometi. Somos humanos. Mas
a maior importância de ser humano é saber se doar, amar e se
perdoar por erros cometidos, pois se ela não consegue se perdoar,
como perdoará os outros?
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Deus lhe abençoe e dê muitos anos de
vida para ver a Juju casar e conhecer os filhos que a escolherão
para ser mãe deles.
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Beijos, beijos, beijos.
Monica de Camargo Coutinho
- Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
03/07/2009
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