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- Crianças
dependentes, adultos dependentes...
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- Quando os filhos
nascem, alguns pais ficam ansiosos para programar o
futuro deles, de querer conduzi-los para que possam
se realizar através de seus passos, pois muitos
projetam neles aquilo que não conseguiram ser.
Grande erro. Há pais que respeitam a opinião dos
filhos, sem interferência na vida particular deles.
E se não se realizam através dos filhos, pelo menos,
não se frustram quando eles não são bem sucedidos,
já que não havia nenhuma expectativa em relação aos
sonhos que não conseguiram realizar.
- Infelizmente estou na
primeira posição. Realizei-me no plano materno.
Aproveitei a infância dos meus filhos o máximo que
pude. Até mesmo com certa dose de egoísmo, embora
inconsciente. Mas não havia como ser diferente, pois
o que faz a mãe que convive com seus filhos 24 horas
por dia? Cuida deles o tempo todo, paparica-os, vive
24 horas para/por eles, na esperança de fazer deles
super-homens.Tudo que vivi com eles ou por eles foi
muito bom para mim, mas lhes tirei a oportunidade de
se virarem sozinhos, de serem independentes.
- Fui mãe coruja.
Ensinei a meus filhos coisas que ainda não tinham
condição de assimilar. Marcus, aos quatro anos de
idade, foi a um programa cultural na extinta TV Belo
Horizonte, responder sobre os brasileiros famosos,
os bandeirantes, os índios e as capitais do Brasil.
Sabia tudo, eu ficava muito orgulhosa.
- Eu pensava que seria
assim a vida toda. Mas não foi. Em determinada fase
de sua vida pareceu estar desanimado até de estudar.
Todos eles. E eu, que amarrei o cadarço de seus
tênis até os 10 anos, hoje penso como custou caro
curtir tanto a infância deles. Eu, que dava banho
neles e escolhia a roupa que vestiriam, fico triste.
Triste, porque na época em que devia formar o
espírito deles para a luta, para a vida, formei-os
para a mordomia, para a boa vida apenas. Eu não
trabalhava fora, fazer o quê? Eu era a babá de luxo
deles, e como tal, agi.
- Incrível! Como não percebi
que através daquele excesso de zelo eu os
prejudicava?
- Eu estudava com meus
filhos. Lia a lição em voz alta, fazia-os prestar
atenção e depois lhes "tomava os pontos". Meu marido
me dizia que só faltava eu fazer as provas para
eles.
- Cometi um erro muito
grande, pois eu os acostumei mal. Quando percebi que
estava errada, parei, mas já era tarde. Eles não
sabiam estudar sozinhos e tiveram até dificuldades
na escola.
- Hoje, dois destes
filhos já têm duas crianças, cada. Espero que não
cometam o mesmo erro que cometi.
- Publicado pela revista
"Cláudia" depois do lançamento do livro que continha
esse relato.
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- Monica de Camargo Coutinho
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