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O PARTO DE MARIA

Por Naeno Rocha

 

 

O PARTO DE MARIA

Pelas contas de Maria fazia, estava próximo o nascimento de seu filho. Há quatro noites não dormia pensando como todas, nos detalhes de como seria o seu parto. Ainda estava insegura com relação à chegada de Jesus. Temia ainda a Bem aventurada sobre como se apresentaria aquele Menino, prenunciado, o primeiro caso no mundo, o mais importante, tinha convicção, a Rainha mais simples do mundo. Simples da materialidade, simples de sobrenome, simples pelo jeito de ser, simples no vestir, no comer, como morava, como se dirigia às pessoas. Sabia a Consoladora dos aflitos de que todos eram crias do Altíssimo, feitos da mesma essência, molhados do mesmo nada, e o tudo que representavam para Deus.
Maria preocupara-se: pensava em sua humilde casa; Seria digna de receber o Filho de Deus? Pensava especificamente no quarto tão pequenino, de paredes carecendo de reparo; Olhavam nos panos que preparara com muito esmero, dobrados dentro de uma mala ao pé da parede, juntos com outros tantos que recebera de presente de amigas, todos simples humildes, dignos de qualquer menino de família humilde. Preocupara-se a Mãe do Salvador, como seria Aquele Menino, que só ela sabia, era diferente, e como Ele se alimentaria dos seus seios: Será que Ele ao vê-los abocanharia faminto e sugaria o seu leite saciando-se, depois virando o rostinho querendo dormir?
Ou daria trabalho em pegar suas tetas, porque não necessitaria do alimento daqui. Isso era uma das coisas que mais a preocupava. Pensava ela: O prazer de uma mãe é alimentar e trazer ao colo o seu filho. Caso o meu, O DE DEUS, que me honrou em me utilizar integralmente, pois desde o início de minha gravidez não fiz outra coisa senão, com a maior alegria de que um ser humano é capaz, me entregar a cuidar do meu ventre, que em momentos tomava todo o meu corpo: meu coração, minha cabeça, até a absorver também a minha vida. Seria a maior decepção meu Menino rejeitar meu peito, não se confortar no bercinho que mandei fazer para Ele. Maria, no entanto, ao ter esses pensamentos, não conseguia completá-los, pois logo em seguida, da mesma forma que recebera a notícia de que estava prenhe do Filho de DEUS, só que forma silenciosa recebia a confirmação mais ou menos assim: O FILHO é de DEUS, mas a mãe és TU e ELE tem outro pai, José, que embora não tenha participado de sua concepção, da mesma forma como o DEUS que tudo pode, de Ti Santíssima, tenha escolhido o teu corpo, pela tua alma, tua santidade, deu ao MENINO os dotes físicos de vocês dois. Nestas condições de humano. ELE permanecerá. Alimentar-se-á como todos os recém-nascidos; crescerá fazendo o que todo menino de sua idade fará. Será Distinguido em sua Santidade, em seu procedimento social. Será implacável por justiça, não falará banalidades como os rapazes do seu tempo, estará ligado às coisas do Céu, por que com céu tem intimidade. Falará como DEUS, posto que seja o próprio DEUS quem falará NELE. No resto, Maria MÃE DE TODO MUNDO, o Teu filho não te dará trabalhos. Constrangerá-te, quando for o tempo de entregar-se definitivamente, às coisas dos céus; Mas esse tempo caberá a Ele determinar.
Como isso a Mãe de Fátima se acalentava e dormia, esperando calmamente chutes do ventre, que eram muitos, o que refletia tratar-se de um menino pleno em saúde e vigor.
José o marido fiel, não só com relação à esposa dileta, mas também aos desígnios do Pai, fazia o seu papel de modo dedicado e, como a Mãe, apresentava as mesmas ansiedades e preocupação. José passara por uma situação muito difícil no princípio. Como um homem dos nossos dias reagiria ao fato de ser convencido de que sua noiva estava, já esperando um filho, justificando-lhe de sua fidelidade, de que o menino que concebera acontecera por obra e graça de Deus, através do Espírito Santo, tendo sido anunciado por um anjo que conversara com Ela.
Acontece que não foi à toa que JOSÉ entrara na vida de Maria, tornando-se, como Ela pedra do mesmo quilate. Porque hoje ainda, quando nos referimos a José não o damos o grau de santidade e importância como procedemos com Maria. É um erro. Como tantos que cometemos, é um erro; E bom seria corrigirmos a tempo. José, na criação de JESUS, depois de passar por todas as dificuldades que Maria, que o Menino Deus, protegendo seu Filho perseguido, protegendo Maria, protegendo o Projeto de Deus. Quem terá pedido hospedagem naquela cidade lotada, aonde acontecia um censo, feito já na intenção de encontrarem a DEUES, um rei por vir, que certamente os incomodaria muito. Foi José, digo por que esse papel geralmente cabe ao homem. Claro que José não nada do que fez sem ter sido pela inspiração do Espírito Santo, mas aí se justifica mais ainda suas glórias merecidas; Ele tinha também um pacto e uma importância muito grande para com o Altíssimo. José ensinou a Jesus uma profissão, fez Dele um carpinteiro igualmente como era. Cobrou dele dedicação, garanto, abençoava o seu filhinho, comprava suas roupas, seus sapatos, se divertiam juntos. Maria a mãe precupava-se com o que era divino, com os prenúncios que ouvira da boca do Anjo. Chorava calada por saber da sorte que aguardava seu querido Filho, chorava por ela, pela humanidade inteira, chorava ao pegar as mãos lisas e coradas do seu menininho, chorava olhando a sua fronte, os seus pés de criança. Santa Maria, mãe de Deus sejais conosco, olhai nossas mãos, nossas frontes nossos pés. Hoje SANTÍSSIMA, sofremos do mesmo modo que sofriam os justos da vossa época. [Carecemos de uma mãe zelosa; M] Na maioria das vezes vivemos a dúvida de nossa fé, dos nossos merecimentos. O que vos peço, a Vós e a São José é que em prece, roguem a DEUS pelos perdidos pelos que não sabem a que vieram ao mundo, os que não sabem crer, coisa que Vocês dois tão bem fizeram e ainda fazem. Pelo papel de VOCÊS, santos prediletos por DEUS, daí a nós a gloria de uma vida plena, uma vida sintonizada com Deus, de uma vida sem deslizes, de alegria, paz, tranqüilidade, fé, obediência extrema ao Altíssimo. Peçam, MARIA E JOSÉ, peçam ao vosso Filho: FILHO, não precisas mais sofrer as atrocidades físicas, nem encarnar-se de humanos, a terra está cheia de falsos profetas. Daqui mesmo manda o Teu Espírito Santo, faz o que os meus filhos pedem.

amém
 

Publicação: www.paralerepensar.com.br  20/12/2005