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Em uma casa no alto de uma montanha com muita nebulosidade
morava um senhor bondoso, com cabelos grisalhos e encaracolados,
olhos verdes, pele clara, rosto com traços delicados e
expressivos. A casa era “decorada” pela generosidade dessa
doce criatura.
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Toda pintada na cor ocre, as janelas eram feitas de madeira em
formato de pequenos corações entrelaçados, as cortinas tinham
a transparência para que a luz do dia invadisse a sua alma de
amor, os quartos eram pequenos e cheios de lembranças de um
passado esplendoroso, os objetos possuíam as marcas desse
outrora, os tapetes macios faziam as pegadas das suas botas
serem suaves, sem ruídos nenhum, os únicos sons possíveis de
serem ouvidos eram os dos pássaros gorjeando nas manhãs
cobertas pela névoa, nas quais o céu aos poucos se abria
mostrando toda a sua beleza com o seu azul radiante.
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O senhor era um colhedor de trigo, o cultivo do mesmo era
intenso na região. No meio de tanto trigo, as inúmeras flores,
pelas quais a casa era cercada, os miosótis, as
flores do campo, os ipês, as dálias, todas elas com
suas cores vivas deixavam a paisagem do topo da montanha ainda
mais bela.
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toda sua vida ele havia passado a maior parte do tempo entre as
colheitas de trigo, com as flores, livros e recordações... E
também com a preocupação em
oferecer no Natal, pequenos presentes
as crianças da comunidade, mas
durante esse ano ele não tinha a quantia suficiente
para a compra dos mesmos, assim ele andava muito pensativo...
Sentado em sua cadeira de balanço com a sua manta sobre as suas
pernas, ele pensava em como poderia ofertar algo para as crianças
que tanto alegravam a sua vida, e especialmente na noite de
Natal, na qual a comunidade se agrupava, e como em um casulo
compartilhavam do calor de estarem todos juntos para celebrarem
a noite tão esperada e especial para todos.
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Os dias foram
passando, e em uma bela manhã junto ao cantar de um sabiá, ele
foi ao trigal, e recolheu todos os trigos mais verdes da safra,
ficou horas fazendo essa colheita. E assim construiu uma árvore
gigante utilizando eles, criou uma verdadeira escultura usando
dos recursos naturais para isso. Trigo, folhas, flores, uma obra-de-arte
elaborada com simplicidade e criatividade. Colocou bilhetinhos
por toda a árvore, e nesses pedacinhos de papel escreveu
mensagens para as crianças, palavras de amor, de encorajamento,
de paz, de sentimentos que só os nossos corações podem
sentir.
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Deixou a gigante árvore
guardada para a Noite de Natal. Nessa noite tão esperada,
quando ele abriu a porta do local no qual a mesma estava
escondida, ele teve a sensação de estar sonhando...
- Em
cada pedaço de sua obra-de-arte, havia, caixas de presentes com
anjos feitos de chocolate iluminados por luzes multicoloridas...
As crianças quando entraram ficaram com os sorrisos
estarrecidos pela beleza do momento, as luzes das caixinhas
brilhavam de uma maneira tão intensa que ofuscaram as luzes
artificiais. E assim todos ficaram iluminados por essa alegria
contagiante do amor ser transformado em pura realidade...
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O amor, o mais
gracioso de todos os bens... O maior presente dado aos seres
humanos, nessa Noite Mágica.
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- Débora
Villela Petrin

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