A casa dos grandes pensadores
 
 

NEUSA HERMELINDA DE MELO

 

A MORTE DO AMOR

Ouvimos, muitas vezes, que o ser humano não é uma ilha, e que  não consegue viver só. Diz-se, ainda, que não há vida, sem o amor. Alardeiam que qualquer vida saudável deve assentar-se nesse sentimento. O que acontece quando o AMOR morre? Alguém está presente para lhe apresentar os pêsames, ou sugerir algo que o substitua?

Já experimentou a dor, ao perceber que seu AMOR morreu? Não aquele amor que se foi, porque a pessoa, objeto desse amor, se apaixonou por outra pessoa. Mas aquele AMOR que arrefeceu, sem que percebêssemos, que ele já estava desfalecendo há algum tempo. Primeiro, porque não se acreditava que esse AMOR pudesse correr qualquer risco. Segundo, porque esse sintoma não se manifesta de forma agressiva, num primeiro momento. Nem se faz presente através dos acessos de ciúmes ou briga passageira. Se disso, nos apercebêssemos, com certeza faríamos de tudo para salvá-lo. É óbvio, pois quem ama, ou já amou, nunca esquece o quanto o AMOR é importante em sua vida.

Um dos primeiros sintomas que nos mostra que o AMOR está adoecendo, é a forma negativa, com que duas pessoas por ele plugadas, inadvertidamente, passam a  se  tratar Então, só notam que seus sentimentos foram feridos, sem saber o porquê. Tanto pode acontecer por parte de um homem, quanto de uma mulher, por não perceberem qual o tipo de AMOR que um ou outro necessita. Começam, assim,os primeiros conflitos e o esmaecimento afetivo.

Quando as pessoas acham que não são mais amadas tanto como antes, passam a agir de forma diferente. Como resultante desse descontentamento, pouco a pouco deixam de fazer o que faziam antes, quando do surgimento da paixão tresloucada e da sua transmutação para o AMOR.

A mente apaga, aos poucos, o passado romântico como: um olhar no olhar, os gracejos, os abraços ou os toques sutis, por exemplo, ou quaisquer outros atos, que deram origem ao AMOR. Ou ainda, a noite mágica em que sonharam acordados até o dia amanhecer, antes que a lua e a estrela brilhante, se retirassem do cenário, tornando-se o maior símbolo do sentimento que ali nascia. E a música especial, que pouco a pouco deixa de expressar o grande momento que a fizeram ser, o hino desse AMOR. E, ainda deixam de recordar cada momento especial, que viveram ao toque, da primeira estrofe.

E, quando deixam de pensar um no outro, num crescendo, a cada dia que passa? Será que também não é um sintoma de que o vínculo sentimental está merecendo uma atenção especial, antes que feneça? Há quem diga que, a paixão é resultado do sexo com amor, pois sexo sem amor é apenas amizade. E o AMOR? Não pode continuar a ser apenas AMOR, mesmo sem paixão? Será que quando acaba a paixão e ela se transmuda para AMOR, este já não caminha para o fim? O limite entre a paixão e o amor, ainda não tem definição racional e universal, embora pareça certo, que inexista alguém que nunca tenha se apaixonado e amado.

O AMOR merece ser comemorado e preservado pelos que realmente se amam.    O AMOR perde seu sistema imunológico quando param de cuidar dele, sem se aperceberem dos seus vestígios de cansaço. E passa a adoecer quando o dia do seu nascimento é relegado a um plano inferior.

Diz-se que quem ama perdoa e, quando o perdão não vem, é porque o amor deixou de ser o alimento da relação sentimental.

O AMOR adoece quando deixa de ser um elo importante entre duas pessoas que passam a cobrar um do outro, atenção, carinho, admiração, aceitação e devoção, sem perceber que ambos estão, cada vez mais distanciados. Às vezes, perto demais, mais longe muito longe de um sentimento, chamado AMOR. Quem sofre mais? É difícil saber.  Contudo, se estavam interligados pelo interligados pelo AMOR, há reciprocidade no sofrimento e desencontros.

Sentindo-se infelizes, culpam-se mutuamente, pelos seus infortúnios. Surgem as desculpas, que não curam e só comprometem a integridade do "AMOR", fazendo surgir em seu lugar, um novo sentimento o "DESAMOR". Esqueceram-se do quanto foram felizes, quando estavam envolvidos, totalmente, pelo "AMOR". Buscam a felicidade, tentando um mudar o outro, porque não se sentem mais aceitos do jeito que são, esquecendo-se que também estão agindo do mesmo modo.
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E quando o AMOR está morrendo, ele faz com que as pessoas deixem de sentir prazer e que passem apenas a sentir obrigação de manter uma relação quase fantasiosa. Sem perceber, cada um busca um motivo para ficar ausente ou distanciado. Usam-se artifícios, desculpas e qualquer outra coisa que justifique a atitude pessoal de cada um dos amantes.

Instaura-se a falência da relação afetiva, que tende a desaparecer, como se a paixão, o amor e tudo mais, que foi alimento de duas almas, que se diziam gêmeas, não tivessem existido.

Na busca por conselhos, sugestões, alternativas, que não se encontra respostas seguras e adequadas, porque o AMOR não vem acompanhado de bula, até porque ele transcende a qualquer possibilidade de definição lógica e consensual. Para o mundo, intelectualizado ou não, AMOR é AMOR e pronto.

Quem se arriscaria a explicar A MORTE DO AMOR?

Neusa Hermelinda de Melo
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 06/03/2008