A casa dos grandes pensadores
 
 
 

NITA FERREIRA

 

 

 

Mulher (I)
 
É de todos os seres o mais perfeito
Capaz de uma imensa dor suportar
Rasgado o ventre,afoga a dor no peito
O mesmo que dá para amamentar
 
A sua alma é forte como o aço
É também delicada como a flor
Acolhe e ama a vida no regaço
Seu nome escreve-se pelo amor
 
E Deus quando pensou escolher
Alguém na terra para amor ser
Não podia escolher um ser qualquer
 
Só quem é fosse força da natureza
Fosse mar, luz,  aroma e pureza
E Deus então chamou-lhe de Mulher!

 

Nita Ferreira

 


Ser Mulher
 
Ser mulher
E ter a luz no olhar
Saber sorrir ao chorar
Saber ganhar no perder
Ser mulher
É enfrentar peito aberto
O mais inóspito deserto
Para a vida florescer
Ser mulher
É ter em si o condão
De albergar um coração
Imenso e tão perfeito
Ser mulher
É ser mais forte que a dor
Ser a mais frágil flor
O mais aconchegante leito
Ser mulher
É amamentar a vida
Que de seu ventre nascida
Desponta para o amanhã
Ser mulher
É ser responsabilidade
Ser amor e ser bondade
É nunca ser esperança vã
Ser mulher
É gerar todo um futuro
É ser o ar mais puro
No mais belo amanhecer
Ser mulher
É ser forte e ser beleza
Ser a própria natureza
Ser mulher
É ser, o mais belo ser
e eu me orgulho
de…ser mulher!
 
Nita Ferreira

Mulher (II)

Mulher
Quão bela criatura
Alma plena de doçura
És da vida precursora
Da dor geras um amor
Capaz de o mundo transpor
Elevas das dores ternura

Mulher
Tu és corola de flor
Com o néctar do amor
E a candura de se dar
Tens a força da montanha
E a vontade tamanha
Mais imensa que o mar

Nita Ferreira


Não sei o que sou

Não sei o que sou!
Sou mulher apenas
Que em amor me dou
E dentro de mim
Mora o tudo e o nada
Fada e feiticeira
Demônio e anjo
Têm em mim morada
E de folhas vestida
Irrompo pela vida
Sou mulher menina
Mãe amante amada
Em espera e partida
Em angústia e chegada

E o vento que sopra
A minh´alma rasgada
Não me leva a esperança
Nem a força imensa
Que o amor alcança
Sou ilha encantada
E transporto um sonho
Na palma da mão
De plantar sorrisos
Nas pedras cinzentas
E abrir paraísos
Em estéreis desertos
Que rios só fluem
E saciam sedes
Em peitos abertos

Sou tudo e sou nada
Lágrima convertida
Peito feito à espada
Sorriso imortal
Vida que dá vida
Sou vida afinal
Mas não sei o que sou...

Nita Ferreira

Publicação: www.paralerepensar.com.br  06/03/2007