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ANDRE LUIZ RAMOS MARUM
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Crônica
 
ROBERTO E SEU TAKEO, UM REECONTRO QUE DUROU 30 ANOS.
Por: ANDRE LUIZ RAMOS MARUM

Roberto e Seu Takeo, um reencontro que durou 30 anos.

Por Andre Luiz Ramos Marum

Vou contar aqui uma historia que colocou frente a frente duas pessoas que há trinta anos não se viam, ou nem ao menos tinham notícias um do outro. Coincidência ou destino? Não sei, confesso que desde o início fiquei extremamente intrigado pela forma como tudo aconteceu,. Se foi obra do acaso, ou não, não importa, mas ser o intermediador de tal encontro foi uma experiência única.

Tudo começou por conta do stress. Isso mesmo, por incrível que pareça. Por indicação do Marcelo, um amigo, procurei *Seu Takeo, mestre de karate e de outras artes marciais, além de grande conhecedor de filosofias orientais. Aos 67 anos, com aparência de bem menos, ele pasou a fazer shiatsu em mim, e, mesmo sem saber, me ajudou muito a buscar o tão sonhado equilíbrio entre corpo e mente, uma hora semanal de paz interior e, principalmente, de muito alivio físico.

Em um de nossos encontros conversávamos á toa, coisa difícil de acontecer nas primeiras seções. Ao ver o nome Roberto Montoro Filho no expediente de um exemplar da revista Crônica que entreguei a ele, desconfiou de que se tratava de um ex aluno que há 30 anos frequentou sua academia no bairro do Moema em São Paulo. Seu Takeo contou que o seu aluno Roberto era muito rápido e que na época não havia entregue o diploma de passagem de faixa.

A princípio, fiquei um pouco desconfiado da história, pois apenas alguns fatos ligavam os dois, mas nada tão concreto. O nome e o sobrenome batiam, mas isso não levava a nada, porque a família Montoro é muito grande em São Paulo. Foi aí que meu espírito curioso fez com que eu fosse um pouco mais longe nessa história toda.

Seu Takeo me pediu que organizasse um encontro com Roberto para entrega do diploma. Sabia que seria uma tarefa bem difícil, já que antes de qualquer coisa, precisava descobrir se era ele mesmo o seu ex aluno. Além disso, eu só sabia se Roberto estava em Araraquara quando via seu carro estacionado na garagem da Rádio Cultura, mas uma hora o encontraria, o que aconteceu em uma sexta feira, precisamente no dia 21 de novembro de 2008.

Fui logo falando que tinha uma surpresa para ele. “Não posso dizer nada, apenas que vou levá-lo a um encontro”, disse. Depois de certa insistência dei uma pista: “É uma pessoa que você não vê ha 30 anos”. Estava tudo caminhando conforme imaginei. Peguei meu celular e liguei para Seu Takeo. Avisei que Roberto estava na cidade e que eu o levaria em sua casa.

Foi quando me deu um estalo, uma aflição enorme. Será que o Roberto foi mesmo o aluno do seu Takeo? Não podia correr o risco de fazer o presidente do grupo onde trabalho passar por uma situação constrangedora.
Resolvi então ligar para Maria Amália, irmã de Roberto. Ela literalmente jogou um balde de água fria na minha cabeça. Robertinho não lutou katate, mas outra luta e depois de um pequeno incidente, foi proibido de voltar a lutar. Meu desânimo foi total. Logo depois do telefonema, encontrei Maria Agnes, outra irmã de Roberto, uma enorme e feliz coincidência. Contei tudo a ela. Aí, sim, tive a plena certeza de que não era Roberto o ex aluno do seu Takeo. Ele fez Taekondo e existem outros Montoros em São Paulo, inclusive um homônimo dele.

Senti uma sensação estranha naquele momento, a história não podia terminar daquela forma e não desisti tão fácil. Chamei o Roberto na sala e contei o que estava acontecendo. Ele me olhou e disse: “Eu lutei karatê em São Paulo há 30 anos no bairro do Moema.”

Pronto, era tudo que eu queria escutar.Em alguns minutos estávamos na minha sala conversando sobre o passado. Roberto perguntou até à sua mãe, que confirmou a história. Ele levantou da cadeira e me disse: Vamos lá.No caminho para a casa do Seu Takeo, não falamos nada sobre o assunto, Roberto e Valdir Massucato conversavam outras coisas, e eu no banco de trás do carro viaja em meus pensamentos de como iria terminar tudo. Fomos recebidos por Naiara, mulher do Seu Takeo. Senti uma certa alegria em Roberto e o brilho nos olhos de seu Takeo já me dizia que ali estava entrando, sim, seu ex aluno.

Fomos recebidos com alegria pelo seu Takeo e também por um delicioso café. Naiara entrou na sala com um retrato dos tempos antigos da escola em São Paulo. Pronto, foi o golpe final, o nipon do karatê. Em segundos, a tal foto colocou mestre e aluno frente a frente, após 30 anos. Fiz uma foto para registrar tudo, pois a entrega do diploma aconteceu ali, na minha frente. Por sinal, dois lindos diplomas, um em português e outro, igual, em japonês.

Confesso que todos ali na sala ficaram emocionados. Eu um pouco mais. Afinal tive a felicidade de conseguir realizar um reencontro histórico. Saí dali com a plena certeza de que todos os dias a vida nos reserva surpresas muito agradáveis.

* Seu Takeo: Imigrante japonês que há 60 anos vive no Brasil e há oito mora em Araraquara. Por obra do destino, casou-se com a araraquarense Naiara e acabou se mudando para a cidade. Ele é mestre em filosofias orientais como karatê (sétimo Dan), shiatu, reflexologia dos pés e bonzai.

* Roberto Montoro Filho, presidente do grupo Roberto Montoro de Comunicação.

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