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Débora C. Andrade de Araújo
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Crônica
 
Auto-compaixão
Por: Débora C. Andrade de Araújo

Não importa se dizem que tudo vai melhorar, porque isso eu já percebi. Sempre melhora, sempre piora. É tão previsível. Você apenas não sabe quando vai melhorar ou piorar, mas que isso vai acontecer, não é novidade. Eu não sei se o pior sentimento é o ódio, mas um sentimento que me amedronta é a ‘pena’. Sentir dó de si mesmo, sabe? Falo sentimento no sentido de algo que você sente, não só do tipo: amor e ódio. O sentimento de saudade, por exemplo, dói muito também, mas a auto-compaixão dilacera qualquer um. Como vem dilacerando a mim. Sentir pena de si mesmo é deplorável, e esta é a minha situação agora, simplesmente deplorável. E por mais que eu me olhe no espelho e diga: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”, agora não dá. Porque eu não suporto mais levantar e cair logo em seguida. Isso acaba me machucando mais do que se eu caísse e não me permitisse reagir. Como agora.
Diante disso tudo, penso no quanto sou covarde, e até mesmo hipócrita de vez em quando, afinal sou eu quem sempre diz que devemos prosseguir independente de qualquer coisa, que pra tudo há um propósito, que a vida continua e que devemos viver, e não apenas sobreviver. Sou eu quem prega a felicidade e a estampa como a única saída, e também sou eu quem não consegue estampá-la no próprio peito. Hipocrisia? É, pode ser. Mas, até para que eu me sinta melhor, prefiro encarar isso como uma dor forte que me torna impotente, mas que logo vai me deixar em paz, e eu poderei abraçar a tal felicidade. Sofrer não é hipocrisia, porque não é opção. A única opção nesse caso é continuar na posição de vítima ou reerguer-me. E essa é a minha covardia, fico com a primeira opção. Por enquanto.
Há uns dias estava muito mal, pensando no sofrimento alheio. No quanto as pessoas são capazes de machucar outras, por motivos banais. E me deparei com uma capacidade ilimitada de fazê-lo. E hoje, sou a prova viva do que alguém pode causar a outro alguém com suas atitudes impensadas ou premeditadas. Agora, nem importa tanto. A ferida já está aberta, e a cicatrização será demorada, porque eu me recuso a remediá-la. Porque eu não quero cair de novo. Não me dou ao luxo de sofrer mais, porque não tenho condições emocionais para tal façanha. Porque eu não tenho forças para levantar-me, não neste momento.

Débora Andrade

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