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Crônica
 
VISITAS
Por: ISABEL C. S. VARGAS



Quem mora em uma zona como esta – Praia do Laranjal-, abençoada por Deus e bonita por natureza como cantam alguns, embora um tanto esquecida por vezes, mas muito lembrada em épocas específicas, tem o privilégio de encontrar ao amanhecer, na hora do café, do lanche, da sesta,visitantes interessantes e interessados em aprender ou subverter a rotina dos moradores, tudo com a benevolência do firmamento -basta ver o sorriso prateado e cúmplice da lua que mostra seu brilho inconteste para aqueles que não a perdem de vista.
Em uma casa com 04 adultos, uma criança-pré-adolescente, melhor dizendo para não arrumar confusão- um poodle que se imagina um pitbull, 1 boxer e 06 labradores, não haveria necessidade de mais visitas ou moradores desta natureza,pois por vezes, conversamos nós ou imperam eles.(Imperam mesmo)
Só quem vive aqui sabe que as coisas não ficam só nisso. Podemos ter quantos animais desejarmos ou que possamos manter, dentro do domicílio o que não impede que se agreguem na frente das portas ,ou dos muros, uma outra “troupe” que faz malabarismos para sobreviver ao abandono e ao trânsito bastante crescente.
Em local de praia tudo parece “festa”, a responsabilidade fica meio relegada, em segundo plano até, e cada vez mais cresce o número de cães abandonados.
Ao amanhecer temos 04 visitas habituais que vem buscar a ração diária. Ao fim do dia retornam. Já tem até nome.São agregados. A Brasina (nome horrível dado por meu marido, resquício do tempo que viveu no campo) a Luvinha, delicada, elegante, jeitosa, bem adaptada, uma lady, de fácil sociabilidade.Não abandona o pedaço de cobertor que lhe ofertamos. Tem ainda o Coleira um Collie lindo mas muito maltratado, com um defeito na mandíbula e uma réplica da Luvinha , só que macho e bem maior. Seu pai, ou irmão mais velho, talvez.
Há ,ainda, gatos que aparecem nos pátios, cavalos que andam soltos à noite com o perigo de causarem graves acidentes e pastam nos terrenos abertos , cardeais, azulões, pombas, bentevis, carochinhas, que são fregueses diários para comer a ração dos cães, assim como o garibaldi, sabiá, tico-tico, pardal e os minúsculos beija-flores –alguns se aventuram até o lustre da cozinha- das borboletas, cigarras que andam alegremente pelo jardim.
Nesta época, Laranjal é sinônimo de local colorido. quente, acolhedor, cheiro de verão, jeito de alegria, risadas de felicidade, doce descanso, momentos que propiciam energia positiva ( doces recordações e muitas lágrimas de saudade também) que atraem seres que se sentem bem vindos e aparecem sem alarde, como se de casa fossem.
Hoje, apareceu um visitante, muito tranquilo, embora um tanto perdido, ou não, pois sabia o que buscava e, sem dúvida, outro tanto indefeso. Apareceu faminto mas sem receio. O encontramos no lado de fora do muro dentro da bacia de ração, comendo tranquilamente, sem se aperceber do risco que corria , e sem se importar com as pessoas que o rodearam : um pequenino filhote de gambá.( sorro, gato do mato, não sei como defini-lo corretamente). Enquanto comia nem se importou se a bacia foi carregada, se entrou dentro de casa, se voltou para a rua , alheio a qualquer sinal de curiosidade apresentado por todos. Deixou-se tocar sem problemas. Uma figurinha de revista infantil ou desenho animado.Um focinho extremamente fino, orelhas grandes, cola fininha e comprida, olhinho esperto, pelo de cor cinza bem clarinha e riscos pretos ,do focinho ao alto da cabeça o que lhe conferia um ar meio selvagem.
Comeu tudo que achava que necessitava. Empanturrou-se. Depois, desceu tranquilamente do recipiente e foi para o mato. No alto, a lua meio tímida, em sua fase recatada a tudo observava quietinha, acompanhada de uma linda estrela brilhante .(parece-me que já me disseram que não é estrela, mas não importa).É a minha estrela, muito brilhante que está sempre lá, como a me dizer: - Estarei sempre aqui, noutro espaço, mas junto. Podes me ver e eu também posso. Estamos juntos. Nossa ligação é atemporal.
Hoje minha estrela está lá. Um dia eu a visitarei e lá no meio de tantas outras nós estaremos juntas e de lá de cima olharemos aos que amamos e livres acompanharemos todos os visitantes que aparecerem, ouviremos os risos de criança, os latidos dos cães e quando olharem para cima as pessoas pensarão que estarão vendo estrelas cadentes, mas serão apenas nossos acenos de saudade.

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