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Albertino Fernandes Neto
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Poesia
 

Por: Albertino Fernandes Neto

Tem fé irmão
E teu esforço não será em vão
Como não será em vão
O suor que agora derramas
Em teu solo querido
Este chão

Tuas faces hão de libertar-se
De tamanha ditadura
E em tuas preces
Não repetirás
Cândidas lamúrias

Estas tuas mãos que ora salpicam
Sangue-rubro-sangue
Levantarão com orgulho
Teus filhos como tu
Sertanejo exangue

Lavra a tua áspera terra
Sem nunca esquecer
Que a brutal semeadura
Fora deitada por mandarins
Em sua malfadada loucura

Em tuas mãos a calosidade
Duma desgraçada vida
De mal contida esperança
E teu coração guardado
Em couraça de peles e ossos
Pulsa muito, muito pouco
Artífice incólume
Jardineiro louco

É triste muito triste irmão
Ver o leito de rio
Por onde descia caudaloso manancial
Transformado agora
Em leito de recordações
E sombrias lembranças

Em carne viva os teus pés
Pisam mansamente este chão agreste
Pois já não tens força
Para assentar com mais vibração
Teu corpo cansado e esvaído
à míngua servidão

Albertino Fernandes (Pensa-me)

www.paralerepensar.com.br

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