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Artigo
 
UMA TEMPESTADE ...UM NINHO... UMA SAUDADE
Por: ANTONIO CARNIATO FILHO

UMA TEMPESTADE...UM NINHO... UMA SAUDADE !

A noite havia se adiantado. Grossas e pesadas nuvens cobriam o sol, proibindo-o de filtrar o dourado risonho de seus raios por entre as ramagens do arvoredo. A ventania aumentava e sadicamente, despenteava a bem arranjada cabeleira das árvores .O súbito silêncio das aves, o fechar cuidadoso das janelas vizinhas, o ribombar dos trovões, tudo enfim, prenunciava uma tempestade.

E, eu que trabalhava na cidade de Barra Mansa RJ, havia saido do escritório e percorrera todo o caminho da volta para minha casa, mergulhado em pensamentos sobre preços de custos, fechamentos, balanços e de toda rotina que preenchera o meu dia de trabalho.Assim, só ao abrir a porta de casa dei-me conta de que estava sozinho.Minha esposa e meus barulhentos filhos estavam gozando merecidas férias na minha cidade natal, Santa Rita do Passa Quatro- SP. Voltei-me, abri novamente a porta e sai para a varanda.

Sim, eu estava sozinho com uma tempestade!

Vocês, leitores amigos, já notaram como a dor de uma solidão ou o amargo de uma saudade se fazem sentir com muito mais intensidade quando a chuva desaba sobre a terra ? Eu de minha parte, acho belo e grandioso o espetáculo de uma tormenta, porém, não posso deixar de liga-lo sempre, a acontecimentos trágicos e tristonhos.

Bem, mas o fato é que estava eu, sentindo-me terrivelmente só, enquanto o aguaceiro que já começara a cair, ameaçava até invadir a minha casa solitária. A frente, uma frondosa mangueira amiga balaçava prá lá e prá cá, acompanhando a sinfonia ritmada do vento.O céu abria-se de quando em quando, deixando um raio passar furiosamente. Os relâmpagos clareavam a escuridão com breve luz de gingantescos pirilampos.Aos poucos, a chuva começou a diminuir, porém, vento raios e trovões ainda brincavam de guerra no céu.

Repentinamente, surgido de dentro do negrume de uma nuvem, um raio rasgou rangendo ruidosamente o espaço e atingiu com seu brilho de fogo, um dos galhos da velha mangueira. O ruido foi tão intenso que nesse momento, preceu-me ter sido eu o atingido.Ainda pálido de susto, levantei os olhos para a árvore e ela ainda estava lá, incólume, olhando-me de cima vitoriosa. Porém um de seus galhos havia sido arrancado violentamente e jazia inerte à entrada de minha bela varanda. E, para meu espanto e surpresa, alguma coisa estava ligada ao velho galho morto.Era um ninho!
UM SIMPLES NINHO VAZIO ! Ao lado,, porém três filhotes de pardal piavam agoniados.Mamãe Pardoca esvoaçava ao redor desesperada soltando lamentos aflitivos. Não vacilei. Tomando carinhosamente, um por um dos filhotes, recoloquei-os no ninho e tratei de leva-los até um canto seco e seguro. Dona Pardoca, feliz, eufórica mesmo,enviava-me de longe, trinados de gratidão. Olhei mais uma vez para ninho.De novo ele estava ocupado pelos seus donos.De novo a alegria há via penetrado no pipilar daqueles bichinhos feiosos...

Entrei em casa. Dentro, esperava-me salas vazias, quartos vazios, tudo...tudo completamente vazio.

Rápido, apanhei um impresso de telegrama, sentei-me à mesa e escrevi: ”Querida,não choveu ai, não é ? Volte com nossos quatro filhos.”
Lá fora, entretanto, a tempestade passara. Um raiozinho trêmulo do sol atravessara as nuvens e iluminara a minha casa, colorindo-a de novo, COM OS MATIZES DA VIDA.

Levantei-me, olhei demoradamente para o telegrama que havia escrito, sorri... RASGUEI-O.
Minha querida esposa, meus filhos adorados mereciam as férias, mereciam a vida com suas tempestades e com suas bonanças.

Eu... bem, eu ficaria com a saudade.

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