A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

João Márcio F. Cruz
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Artigo
 
O Cabelo das mulheres - uma visão paleontóloga de Desmond Morris
Por: João Márcio F. Cruz

Hoje não existe praticamente nenhuma mulher que deixe os cabelos crescerem como a natureza queria. Se
alguma delas fizesse isso, acabaria com uma cabeleira na altura dos joelhos ou, se tivesse pele escura, com uma
imensa floresta cobrindo-lhe a cabeça. Como nossos ancestrais remotos lidavam com esses extravagantes
penteados antes de inventarem as facas, tesouras, pentes e outros utensílios é uma questão que nunca é discutida pelos antropólogos, talvez porque não tenham resposta para ela. Muitas vezes, quando seres pré-históricos são descritos nos livros, as ilustrações mostram, em sua imaginativa reconstrução, mulheres que parecem ter feito uma misteriosa visita ao cabeleireiro antes de posar. Seus cabelos são sempre curtos demais. A menos que o cabeleireiro, e não a prostituição, seja a profissão mais antiga do mundo, há algo de errado nisso, e o erro esconde um dos maiores mistérios da anatomia feminina: por que a fêmea humana desenvolveu essas madeixas ridiculamente longas? No antigo mundo tribal, essa exagerada cobertura capilar seria um estorvo enorme, assim como uma cauda de pavão. Qual foi a vantagem evolutiva desse desenvolvimento excessivo?
Ainda mais estranho é que, exceto pelo topo da cabeça, pelas axilas e pelos genitais, a fêmea humana quase não tem
pêlos. É verdade que, sob uma lente de aumento, é possível ver minúsculos pêlos cobrindo-lhe toda a pele, mas à
distância eles são invisíveis, e sua pele é funcionalmente nua. Isso torna seus cabelos longos ainda mais extraordinários.

Não é muito difícil traçar a origem desse padrão capilar. Quando um feto de chimpanzé tem cerca de 26 semanas de idade, exibe uma distribuição capilar muito semelhante à de um adulto humano. O fato de que nos humanos, esse padrão tenha sobrevivido na vida adulta é outro exemplo de neotenia. Ao contrário dos macacos, que desenvolvem um pelame antes de nascer, nós preservamos o padrão capilar fetal durante
toda a vida. Os homens são menos evoluídos que as mulheres nesse aspecto, pois possuem um corpo mais peludo,
além de bigode e barba, mas ambos os sexos se mantêm funcionalmente nus na maior parte da superfície corporal.
Mesmo ao mais peludo dos homens, os pêlos do peito não dariam qualquer conforto numa noite gelada nem evitariam uma insolação em dias de intenso calor.

Os defensores da teoria aquática da origem humana acreditam que perdemos nossa pelagem porque precisávamos
nos adaptar à natação, mas conservamos nossos cabelos para proteger o topo da cabeça dos raios do sol. Eles também sugerem que os longos cabelos femininos tiveram outra uti1idade: os bebês podiam agarrar-se a eles quando nadavam com as mães. Os críticos da teoria aquática a julgam infundada. Se a mãe mergulhasse em busca de comida, era pouco provável que permitisse que os filhos a acompanhassem. Além disso, se nossos ancestrais evoluíram num tórrido clima africano, é provável que não mantivessem os cabelos compridos e flutuantes, mas muito mais curtos e eretos — mais semelhantes aos penteados que vemos hoje em cabeças africanas.

Antes de analisar essas mudanças mais detalhadamente, convém dizer que existem cerca de 100 mil fios de cabelo
numa cabeça humana. As loiras têm cabelos mais finos e, como compensação, um número de fios ligeiramente superior à média — geralmente cerca de 140 mil. As morenas têm cerca de 108 mil fios, enquanto as ruivas, que possuem cabelos mais espessos, têm apenas 90 mil.

De modo geral, cada fio cresce durante cerca de seis anos. Então, passa por uma fase de repouso de três mesesantes de começar a cair. Em qualquer tempo, 90% dos fios estão crescendo, enquanto 10% estão descansando. No período de uma vida humana, cada papila capilar produz cerca de doze fios, um depois do outro. Ao contrário de muitos outros mamíferos, os humanos não têm trocas de pêlo. Nossos cabelos se mantêm no mesmo volume em todas as estações. Na média, cada fio cresce 13 cm por ano, mas, entre adultos jovens e saudáveis, pode chegar a 18 cm por ano. Então, nesses jovens, se não forem cortados, os fios podem
atingir mais de 1 metro antes de começar a cair. Nenhum outro primata apresenta tal crescimento, e essa é uma das características únicas da espécie humana.



Trecho do livro A MULHER NUA - Desmond Morris

 Comente este texto
 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: bZOK (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.