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Artigo
 
Sociedade dos robopatas - Osho Bagwam Ranjeesh
Por: João Márcio

Um pensador moderno, Lewis Yablonsky, cunhou a palavra certa para essa patologia - ele a chama de "robopatologia". Ao homem que sofre disso, ele chama "robopata". "Rpbô" quer dizer máquina, autômato; alguém que vive um tipo de vida mecânica, um tipo de vida repetitivo; alguém que não tem nenhuma aventura, alguém que simplesmente continua se arrastando. Ele satisfaz as exigências do dia-a-dia, mas nunca satisfaz a exigência eterna, o desafio eterno.

Ele irá ao escritório, à fábrica, ele virá para casa, cuidará dos filhos e da esposa, e fará mil e uma coisas - e as fará muito eficientemente - mas ele nunca estará vivo, você nunca encontrará vivacidade nele. Ele viverá como se já estivesse morto.

"Robopata" é uma bela palavra. Os Sufis têm sempre falado sobre essa patologia. Eles a têm chamado de diversos nomes. Por exemplo, eles dizem que o homem é máquina. Gurdjeff introduziu essa idéia Sufi na consciência ocidental. Os Sufis dizem que o homem está dormindo. Os Sufis dizem que o homem está morto. Os Sufis dizem que o homem ainda não é. Os Sufis dizem que o homem apenas acredita que é, mas essa crença é uma espécie de sonho.

Você pode lembrar-se de que, às vezes, você sonha que está acordado. Sim, isso acontece nos sonhos. Você pode sonhar que está acordado - e, quando você sonha que está acordado, você se sente como se estivesse acordado. Apenas de manhã, quando você estiver realmente acordado, você será capaz de comparar. Então você rirá do ridículo disso. O sonho o enganou.

Os Sufis dizem que as pessoas não estão acordadas, elas apenas acreditam que estão. E essa própria crença é um impedimento para o seu despertar. Se você já acredita que está acordado, então qual é a necessidade de fazer algo a respeito? É desnecessário. Se um homem sente que é saudável, então qual é a necessidade de ir a um médico? Então qual é o sentido de tomar remédios ou de fazer tratamentos? Qual é o sentido de se submeter a uma cirurgia muito dolorosa? Ele acredita que é saudável.

Os covardes acreditam que são saudáveis porque eles têm medo do remédio, do médico, da operação, da cirurgia. Eles têm medo de tudo, eles simplesmente vivem no medo, eles tremem por dentro. Eles estão apenas se protegendo. Toda sua vida é uma longa estória de proteção, de defesa. Eles não têm tempo para viver e não têm energia para crescer.

Essa robopatologia tem de ser entendida. É um dos fundamentos do sufismo.

Algumas coisas... Um robopata é uma pessoa cuja patologia implica comportamento e existência de robô. Ele é um homem apenas por causa do nome. Ele poderia ter sido um computador. Ele pode ser. Um robopata é um humano que funciona insensivelmente, mecanicamente - para resumir, de uma maneira morta. Um robopata é um autômato. Seu estado existencial não é sequer desumano. Ele não é humano, certamente, ele nem sequer é desumano - porque, para ser desumano, primeiro você tem de ser humano. Seu estado existencial só pode ser descrito como os Sufis o descrevem - eles o chamam de "anumano". Não tem nenhum valor humano, nem desse modo, nem daquele. Ele não é humano nem desumano, ele é anumano.

Estas são as características dessa doença. Pondere sobre elas - porque elas são as suas características, as de todo mundo. Até que você se torne iluminado, estas características o seguirão como uma sombra. Você pode definir iluminação como sair da robopatologia, tornar-se consciente pela primeira vez, abandonar o mecânico, não estar mais identificado com o mecânico, tornar-se uma testemunha, atento, acordado.

A primeira característica é o sono. Você encontrará o robopata sempre adormecido. Ele caminha, mas caminha dormindo. Ele conversa, mas conversa dormindo. Ele faz muitas coisas, ele se torna muito eficiente em fazer as coisas comuns da vida. Mas observe a si mesmo e observe as pessoas. Você continua fazendo as mesmas coisas repetidamente. Pouco a pouco, não há nenhuma necessidade de estar alerta sobre essas coisas, você pode simplesmente fazê-las. Você não precisa estar aí.

Quando você começa a aprender a dirigir, você tem de estar presente por alguns dias. Por isso é que é tão problemático aprender qualquer coisa - porque, para aprender qualquer coisa, você tem de sair do seu sono pelo menos um pouquinho. Caso contrário, como irá aprender?

Os robopatas nunca estão interessados em coisas novas. Uma vez que tenham aprendido algumas coisas, eles continuam a se mover naquele círculo vicioso. Toda manhã é igual, toda noite é igual. Toda vez que eles comem, conversam ou fazem amor, é a mesma coisa. Eles, de modo algum, são necessários ali. Eles não fazem nada através da consciência, eles continuam a fazer gestos vazios. Eis por que há tanto tédio na vida. Como você pode ser vibrante, repetindo o velho constantemente? Essa é a primeira característica - o sono.

A segunda característica é o sonhar - parte do sono. Um robopata sonha continuamente - não somente à noite, mas durante o dia também. Ele tem devaneios, fantasias. Mesmo quando está fazendo algo, no fundo ele está sonhando. Você pode encontrar isso a qualquer hora. Feche os olhos a qualquer momento, olhe para dentro e você encontrará um sonho se desenrolando. Ele está lá constantemente. É como as estrelas - durante o dia elas não desaparecem, elas apenas se tornam invisíveis porque a luz do sol é brilhante demais. Mas as estrelas estão lá, o céu está lá como está à noite - exatamente como à noite. Quando o sol se for, você verá aquelas estrelas aparecendo outra vez. Elas não foram a lugar algum, elas estavam lá, apenas esperando que o sol se fosse.

À noite você começa a ver os sonhos. Esses sonhos não desapareceram durante o dia. Porque você se torna ocupado com mil e uma coisas na rotina diária da vida, eles continuam a espreitar lá do fundo do inconsciente. Você pode encontrá-los a qualquer momento. Feche seus olhos, espere um único momento, e o sonho está lá. Constantemente, o sono está lá. Seus olhos estão cheios de sono e sua mente está cheia de sonhos.

E a terceira característica é o ritualismo. Um robopata permanece em rituais, ele nunca faz nada através do coração. Ele dirá "oi" porque tem de dizê-lo ou porque ele tem dito sempre. Seu "oi" não terá, em si, nenhum coração. Ele beijará e abraçará a mulher, mas será apenas a repetição de um gesto vazio. Não há nenhum beijo no seu beijo. Ele abraçará alguém, mas apenas sua pele e seus ossos tocarão - ele permanecerá distante como sempre. Ele não está lá. Você pode estar certo de uma coisa - ele não está lá.

Mas os robopatas são grandes ritualistas. Eles dependem do ritual. Eles fazem tudo como deveria ser feito.

Um ritual, pela sua própria natureza, é não-criativo. Uma pessoa ritualística nunca é espontânea, ela não tem condições de ser espontânea. Se você quiser ser espontâneo, você terá de estar alerta. A espontaneidade tem um ingrediente indispensável: a vigilância. Se você não está alerta, você não pode ser espontâneo.

E é óbvio, como você pode ser criativo? Você é repetitivo, como pode ser criativo? Mesmo os grandes criadores raramente são criativos. Mesmo os grandes pintores continuam repetindo suas próprias pinturas, e os grandes poetas continuam repetindo o mesmo poema muitas vezes.

Só muito raramente, lá uma vez ou outra, é que uma pessoa cria algo - e nesses momentos, quando a criatividade está presente, há satisfação espiritual. Eis por que a criatividade traz tanta alegria. Uma pessoa criativa é uma pessoa fliz; uma pessoa não-criativa é uma pessoa miserável.

Muitas pessoas vêm a mim e me perguntam como ser feliz, onde encontrar a felicidade. Elas não podem encontrá-la, a menos que se tornem criativas. A felicidade não pode acontecer a elas, ela acontece apenas às almas criativas. Torne-se mais espontâneo. Abandone as repetições. Deixe cada manhã ser uma nova manhã e deixe cada experiência ser uma nova experiência. Não pense que tudo é velho. Os robopatas pensam que não há nada de novo sob o sol - é sempre a mesma coisa, então por que se incomodar?

Em vez de viver a vida, um robopata cria um ritual. Por exemplo, se ele ora, ora como um ritual. Ele aprendeu determinada oração, então ela a repete. Ele vai à igreja, ele aprendeu um ritual. Pode ser que haja um templo ao lado da igreja, mas ele não irá ao templo. E o templo talvez seja mais silencioso. Ou pode haver uma mesquita e a mesquita pode ser mais silenciosa. É Domingo, todos os cristãos estão na igreja - se você realmente quer orar, a igreja é o pior lugar. Se você quer orar, você deve encontrar um templo ou uma mesquita, onde haverá silêncio e mais de Deus. Mas um cristão não pode ir lá. Ele não está interessado em oração nem em Deus, ele está interessado apenas num certo tipo de ritual. Isso o faz sentir-se cristão.

Esses ritualistas criam grandes problemas no mundo. Eles continuam a lutar, a debater sobre de quem é o melhor ritual. Todos os rituais são apenas rituais; não há nenhuma dúvida quanto a um ritual ser bom ou ruim. O ritual em si é ruim, feio. A espontaneidade é boa, o ritualismo é ruim.




Osho, extraído do livro "Sufis, o Povo do Caminho"









Bel. João Márcio F. Cruz
Autor do livro Os Quatro Pilares da Educação

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