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Artigo
 
Evolução do Pensamento Religioso
Por: Valdir Pedrosa

EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO RELIGIOSO

“As concepções religiosas se elevam com a mente da criatura. Muitas Igrejas não compreendem, por enquanto, que não devemos espalhar a crença nos tormentos eternos para os desventurados, e sim a certeza de que há homens infernais criando infernos para si mesmos.” [1]

Durante muitos séculos o homem concebeu a imagem de Deus como um ser colérico, vingativo, parcial, violento, punitivo, senhor dos exércitos e cruel. Basta lançar um rápido olhar sobre o Antigo Testamento para comprovar. Com o advento do Evangelho, Jesus ensinou que Deus é Pai[2] de todos nós e o apóstolo João afirmou que Deus é Amor[3]. Pergunta-se: Deus mudou? Não, Ele não mudou, pois é imutável. O que mudou foi a ideia que os homens faziam Dele. A mente humana evoluiu e, com ela, o conceito da Divindade.

Na Idade Média os teólogos ressuscitaram os conceitos de Deus que vigoraram antes do Cristo. Assim como ocorreu outrora, atribuíram ao Pai todas as imperfeições de seus filhos. Invigilantes, se esqueceram que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus[4] e não o contrário. Foi preciso que a falange do Espírito da Verdade e Allan Kardec relembrassem aos homens que “Deus é inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e bom, além de possuir todas as perfeições em grau infinito[5].

Nos meados do século XIX Kardec dizia que já não era mais tempo da fé cega, mas sim da fé raciocinada, aquela capaz de encarar a razão face a face em qualquer época da humanidade. Porém, mesmo com tantas evidências para compreender que Deus é Pai amoroso e justo, sempre atento às necessidades de seus filhos, ainda persistem certas ideias medievais, como a crença no inferno eterno, conceito este totalmente contrário à mensagem da Boa Nova. Não existe um lugar destinado a receber almas infelizes, onde ficarão eternamente em função dos pecados que cometeram, independente da gravidade da falta. As parábolas da ovelha perdida e do filho pródigo[6] são um brado do Mestre contra este dogma abominável, totalmente contrário à bondade e à justiça do Criador.

Já não estamos mais no tempo em que se pretendia dominar os homens através do temor. Hoje em dia, muitas destas estórias que nos causavam tanto medo, já não surtem o mesmo efeito nem mesmo em nossas crianças. Ao invés de espalhar o medo é preciso conscientizar a humanidade acerca das leis divinas. Esta é a proposta do Espiritismo, consoante ao ensinamento do Cristo: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”[7]. No livro Loucura e Obsessão, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, assegura que “a caridade maior é iluminar as consciências humanas, a fim de não mais se comprometerem com o mal”. De fato, uma consciência iluminada pelo conhecimento da verdade e pela vivência do bem dificilmente se comprometerá com o mal. Ao contrário, trabalhará ativamente como ponto de apoio da espiritualidade superior em favor de seus irmãos menos felizes.

As chamas do inferno mitológico já não assustam mais ninguém, pois os tempos são outros e exigem abordagem diferente, focada na razão e no bom senso. Atualmente muitos sacerdotes não admitem mais esta ideia. Coerente com os princípios espíritas e com os ensinos de Jesus, compreende-se que tanto o céu quanto o inferno são, na verdade, estados íntimos que se manifestam onde quer que a criatura esteja, tanto no plano físico quanto no espiritual. Aqueles que se ajustam às leis divinas vivem num céu consciencial, mesmo diante das vicissitudes da vida. Entretanto, os rebeldes, caminhando à margem das leis e não assumindo a responsabilidade por seus atos, cultivam em sua intimidade um verdadeiro inferno que parece sem fim. Não obstante, cada um receberá de acordo com suas obras[8]...

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 5 (Ouvindo instruções).
[2] Evangelho Segundo Mateus – 6:9.
[3] I Epístola de João – 4:8.
[4] Gênesis – 1:27.
[5] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – questões nº 1 e 13.
[6] Evangelho Segundo Lucas – 15:1-32.
[7] Evangelho Segundo João – 8:32.
[8] Evangelho Segundo Mateus – 16:27.

Valdir Pedrosa – Outubro/2011

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