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PAULO ROBERTO MARTINS SILLES
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A REALIDADE RURAL
Por: PAULO ROBERTO MARTINS SILLES

O avanço do capitalismo gera a mecanização do campo, o que acarreta desemprego para os trabalhadores em "excesso" (pois as máquinas fazem o trabalho de vários homens) e leva o agricultor ao empobrecimento em função da expansão das grandes propriedades rurais em prejuízo das pequenas, que não podem dispor de tratores, colhedeiras, empréstimos bancários com boas condições, etc. Tudo isso leva as famílias do campo a sairem em busca de empregos e moradias nas cidades.
Com a diminuição relativa da população rural frente à urbana, o campo vai sendo comandado pela cidade. As áreas rurais deixam de vender apenas o seu excedente de produção às áreas urbanas, como ocorria no passado, e passam a ter quase que toda a sua produção orientada pelos interesses industriais. Os cultivos passam a depender exclusivamente de firmas industriais (como por exemplo, a laranja, da indústria de suco; o fumo, da indústria de cigarros; a uva, da indústria vinícola; a cana-de-açúcar, da indústria açucareira ou automobilística; etc.).
A modernização do país multiplicou os violentos contrastes que já caracterizavam a sociedade brasileira. As mansões e edifícios luxuosos das grandes cidades convivem lado a lado com favelas ou cortiços. A opulência de alguns - o automóvel do último tipo, às vezes com motorista particular, as roupas caras e da moda, o consumo com diversões, restaurantes dispendiosos, etc. - contrapõe-se à pobreza das multidões de subempregados, de mendigos, de menores abandonados, de trabalhadores que ganham no máximo três salários mínimos.
A modernização do meio rural também agravou os contrastes sociais. A instalação de máquinas em algumas áreas, substituindo ou suprindo parte do trabalho humano, resultou em desemprego para grandes quantidades de trabalhadores.
Com a mecanização e a expansão das grandes propriedades, o pequeno agricultor perde espaço no campo e sai em busca de oportunidades de trabalho na cidade.
A ilusão de uma vida melhor ou mais "moderna" na grande cidade, divulgada especialmente pela televisão, pode motivar a saída do homem do campo.
Os migrantes recém-chegados do campo, por exemplo, amontoam-se nas grandes cidades e têm de buscar suas próprias soluções, já que o Estado ou os chamados poderes públicos não os apóiam, uma vez que a ação estatal volta-se mais para atender aos interesses das grandes empresas. Em função disso surgem as invasões de terrenos ociosos, que são uma das únicas saídas encontradas por esses migrantes para construir suas moradias. As favelas e as casinhas pobres da periferia se multiplicam.
No capitalismo, uma característica básica é a existência constante de um "exército de reserva" de trabalhadores.
Trata-se de uma massa de desempregados ou subempregados que podem ser contratados nos períodos de crescimento econômico do país (e demitidos nas épocas de crise). A sua existência acaba pressionando a manutenção de baixos níveis salariais (através da competição entre os empregados), pois o excesso de trabalhadores permite ao empregador pagar menos.
Fazendo uma comparação com alguns países desenvolvidos como Inglaterra, França, Estados Unidos, etc, lá, o número de trabalhadores que compõem o "exército de reserva" não é excessivo. Nesses países, as lutas e movimentos populares, especialmente operários, conseguiram a união dos trabalhadores em torno de seus direitos básicos e, assim exerceram um efeito oposto à desunião imposta pelo "exército de reserva". Inúmeras conquistas foram alcançadas nesses países: os salários são razoáveis, suficientes para uma boa alimentação, moradia decente, transportes, educação para os filhos, etc, e os desempregados possuem certos direitos como a assistência médica gratuita, seguro-desemprego, etc.
Seria bom notar, que o assunto tratado permite a todos nós não só uma compreensão do processo de industrialização e urbanização do Brasil, como também estimula uma reflexão mais ampla a respeito da crise política, econômica e social pela qual nosso país passa atualmente.

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