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Josete Marinho de Lucena
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Crônica
 
85 anos de História
Por: Josete Marinho de Lucena

85 anos de História


Aos 14 de abril de 1927, uma quinta–feira santa, nasce no Engenho Manga do Frade, pelas mãos de uma parteira da região, o terceiro filho do casal Severina Marinho de Lucena (Mana) e Francisco Marinho de Sousa (Chico Bernardo). Uma linda menina, morena clara, de cabelos escuros escorridos a quem deram o nome de HELENA. A alegria pelo seu nascimento foi enorme!!!

O pai a mimou muito e lhe fazia praticamente todos os gostos. Desde muito pequena já demonstrava seu grau de peraltice e carisma para resolver todas as causas. Tinha um jeito especial para cuidar de doente e de velho.
Quando aparecia alguém com feridas feias logo se recorria a ela, mas seu jeito impossível de ser fez muitas artes. Certo dia, ao brincar com a amiga Eugênia, foi-lhe solicitado que cortasse o cabelo da amiga, assim o fez, mas a deixou careca.

Em outra ocasião a pedido do pai Chico Bernardo depenou os galos de campina de sua mãe.
Sempre em parceria com o pai pregava muitas peças em D. Mana. Certa vez, D. Mana muito vaidosa, arrumou-se, colocou seus sapatos de pelica ‘’especiá’’, como ela mesma chamava, estava toda bonita para visitar uma comadre em Riacho de Faca. Helena encontrava-se no delicioso banho de rio com Maria Macaxeira e Sr Chico no eito assistindo de longe a cena. Ao ver d. Mana chagar à beira do rio, Helena solícita ofereceu-se para passá-la e não necessitar que a bela dama tirasse seus sapatos. Então fez a cadeirinha com Maria macaxeira e D. Mana sentou toda confiante. Bem no meio do rio, Helena, muito sapeca, sentou-se dentro d´água, molhando d. Mana toda. Isso serviu de boas gargalhadas para o pai que assistia ao espetáculo de longe e já cuidava para limpar a barra da menina. Peraltices como essa eram muito comuns na vida dela.
Ainda muito jovem, lá pelos 12 -13 anos, sua tia Chiquinha morreu de parto do pequeno De Assis (Didi). Os irmãos queriam matá-lo, por acharem que era o culpado pela morte da mãe. Helena consternada pela situação, pediu a Paulo Dutra, pai de Didi, para ficar com o menino. Chegou em casa com esse menino e D. Mana não aceitou inicialmente porque já tinha muitos filhos e responsabilidades para dar conta. Helena se comprometeu a criá-lo e, sobretudo, os primeiros meses foram de total responsabilidade sua. Como era um menino faminto, Helena passava a noite toda alimentando-o com a ajuda de uma das criadas da casa e dando banho para acalmá-lo.

Mas Helena se preocupava com os outros irmãos que estavam crescendo naqueles confins, sem estudo algum. Foi então que o casal D. Carmerinda e Sr Tomás, italiano fixado em Areia, muito amigo e compadre de Chico e Mana, fizeram o convite para que Helena viesse estudar na cidade. Chico logo atendeu ao pedido dos compadres.
Helena morou um ano na casa do casal e estudou no Colégio Santa Rita, onde aprendeu muitas coisas para se fazer uma dama, capaz de tomar conta de sua vida e de uma família. Na época o colégio era dirigido por freiras alemães que vinham fugida da guerra. As madres Trautilinae Violata mantinham uma ordem sem igual. Estudava-se tudo inclusive a música, o tricô artístico, costura, arte culinária, bordado, além das disciplinas comuns à escola. A menina tinha uma certa fascinação pela História do Brasil. Helena estava feliz naquele espaço, porém sentia que não podia deixar os irmãos no Engenho.

No ano seguinte, convenceu Sr. Chico a trazer os outros filhos para estudar em Areia. Helena contava apenas com 15 anos, quando assumiu uma casa na rua da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Parou logo de estudar para poder dar conta da responsabilidade de ensinar os deveres de casa dos irmãos, lavar, passar, cozinhar, costurar, economizar o dinheiro que o pai dava para se sustentarem e, ainda por cima, tinha de botar ordem em tudo. E era assim com os irmão ela dava as ordens todos obedeciam como um verdadeiro quartel. Certa vez fez Luís, seu afilhado ir de sapato apertado até o Mufumbo.
Apesar das dificuldades, Helena estava muito feliz a jovem ao lado de seus irmãos: Heron, Evanísia, Maria Elith, José, Luís, Hilda e Severina. Antônio, Célia e Didi ficaram ainda um bom tempo na companhia dos pais no Engenho. A beleza da menina era tanta que fãs não lhe faltavam Carlos Barreto era um deles. O velho sr. Onorato era seu fã, mas ela o empurrava para Odília, uma moça velha que vivia suspirando por um casamento.
Os anos se passavam e Sr Chico começou negociando muito pros lados de Guarabira. Não demorou muito a se convencer de que seus filhos precisavam morar numa cidade mais desenvolvida. Foi quando decidiu vir com toda a família para Guarabira, estabelecendo-se na Antiga Rua da Barra, em frente à Matriz de Nossa Senhora da Luz.
Chegando a Guarabira, o comentário eram as filhas do senhor de engenho, Helena e Evanísia eram as mais velhas e logo pretendentes se apresentaram. Antônio Paulino Filho se apresenta se agrada da loirinha dos olhos verdes e Júlio, um comerciário muito bossal, filho de Solânea, que morava na pensão de Zé Lucas, vizinha a casa dos marinhos, começa um flerte com a moreninha dos cabelos lisos. Porém a moral de Helena era muito rígida, apesar do coração já ter disparado por aquele belo jovem de cabelos na brilhantina, montado numa bicicleta.

Celina Cavalcante era amiga e vizinha de Helena e conversava com Júlio frequentemente. Sabendo da paixão que o rapaz nutria pela filha mais velha de sr. Chico cuidou para que o encontro deles fosse promissor. Então, sentava-se na calçada de Sr Chico e Júlio começou a trazer confeitos para Helena e ela, mesmo se fazendo de muito difícil, deixou-se enamorar pelas belezas do jovem rapaz, assim começaram a namorar e em 12 de janeiro de 1950, casaram-se às seis horas da manhã, no altar de Nossa Senhora da Luz, tendo como celebrante Mons. Emiliano de Cristo e como padrinho Severino Rezende e esposa.
A família da noiva não fazia muito gosto no casamento por ser Júlio uma pessoa do gênio muito forte, mas mesmo assim deram-lhe para morar uma casa no Mofo, propriedade de Sr. Chico, pois Júlio era recenseador na região de Pilões na época. Logo depois mudaram-se para Guarabira e em 20 de abri de 1951, nasce a primogênita, para quem todos os familiares dispensava toda a atenção. E Helena cuidava de ser uma mãe, uma esposa e uma dona de casa exemplar, nasceram logo depois Graça, Jonildo, Jaldir, Mônica Cristina, Raimundo, Josane, Josete e Josely.
Helena praticamente educou os filhos sozinha, pois Júlio era caminhoneiro e passava a maior parte do tempo viajando. Ela tentava sempre fazer alguma coisa extra para completar a renda da família.
Muito devota de Nossa senhora do Perpétuo Socorro, pedia em prece a santa para ajudá-la a encontrar uma casa, onde pudesse ter um comércio e criar seus filhos. Nossa Senhora atendeu e mostrou-lhe uma casa na Pedro II, antiga rua da Lagoa, avenida principal da cidade de Guarabira. Nessa casa, inicialmente comercializou mercadorias que Júlio trazia de Salvador, era uma espécie de mercearia. Logo depois, com o incentivo dos irmãos José e Antônio, que já viviam do comércio de tecido, iniciou a Casa dos Retalhos, a qual serviu de sustento para a família por mais de 40 anos.
Educou todos os seus filhos e conseguia sempre participar da vida dos tios: Antônio, Manuel, Cuca, Naninha, Bi. As vistas de Zaca, Zé Coró, Celestina, Manuel Carreiro eram constantes principalmente nas quartas-feiras e sábados. Quando aparecia alguém na praça em frente de casa com ar meio desconfiado ela já dizia ‘’será que ele tá com fome?’’ e procurava logo resolver aquela situação. Por isso, vez por outra Júlio dizia que ela devia ter casado com Antônio Paulino.
Mas Helena, hoje é uma jovem de 85 anos, com 9 filhos, 26 netos e 15 ou 16 bisnetos. Feliz, que coloca linha na agulha sem óculos e borda o tempo todo as bainhas ou fuxicos. Adora ficar na porta da casa, de onde não pensa em sair. Adora ser mimada pelos filhos, netos e bisnetos e ser acordada com a música “mulher preguiçosa não cose, nem fia, só dorme de noite e acorda a meio dia, mas se não fossem os filhos a mulher não vivia. ‘’
Ama imensamente sua família e amigos. Agradece imensamente por este tão gostoso encontro e pela presença fraterna e amiga de todos.

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