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Crônica
 
APRENDENDO O OFÍCIO
Por: Marcos Costa Filho

APRENDENDO O OFÍCIO

Hoje, no jornal da TV, vi um caso desses que fico pensando nessas mudanças estruturais do comportamento das pessoas nos tempos de agora: O pai levou o filho, de oito anos, junto consigo para um assalto. Um caso, no mínimo, para a minha compreensão, muito estranho.

Lembro, outrora, que, principalmente os mais humildes, bem cedo na vida já iam aprendendo o oficio do pai, ou outro que estivesse mais a sua feição, ou que lhe despertasse mais a atenção. Meninos eram aprendizes de padeiro, pedreiro, carpinteiro, marceneiro, pintor, sapateiro, mecânico caixeiro de armazém ou de outra atividade qualquer. Na realidade, isto levava a entrar uns dinheirinhos a mais em casa.

Aprendi, ainda na infância, lidar com madeira. Meu pai, ferroviário, tinha em casa, uma fabriqueta de fundo de quintal onde se produzia brinquedos de madeira, o comum da época, que eram comercializados por um bazar que ficava onde hoje é o calçadão. Naquele tempo, embora a população fosse em número bem menor do que a atual, proporcionalmente, se via muito menos meninos nas ruas do que agora. Aquela fabriqueta tomava um pouco bastante do meu tempo de jogar futebol com bola de meia na calçada. Outros guris do quarteirão também tinham lá seus afazeres. É lógico que os aprendizes daquela época, não se tornaram todos adultos nas profissões de origem. Mesmo que houvesse mais dificuldades para estudar, entre as famílias de baixa renda, há exemplos de tantos que evoluíram, se projetaram na vida, até mesmo ajudados pela formação à duras penas, sacrifícios, que os tornaram pessoas de fibra firme, de boa têmpera, para enfrentar a vida.

Mais recentemente as leis tentaram corrigir o trabalho "escravo" de exploração do menor. O bom sentido disto parece ter se desviado um pouco do que poderia se tornar uma boa realidade futura. Com o crescimento vertiginoso da população e a perda das origens que acabei de citar, pré-adolescentes ficaram à margem do trabalho. Somando-se a isto, dificuldades que os impedia de estudar, ajudou a surgir mais um fator de multiplicação dos menores soltos, à toa na vida. Este, talvez, passou a ser mais um ponto de origem para tantas notícias negativas no dia-a-dia, em que grupos de jovens delinquentes importunam a sociedade com arrastões em cidades grandes.

Como citei no início, no jornal da TV apareceu a gravação do sistema de vigilância de um banco onde houve uma tentativa de assalto. Duas pessoas em ação. Um alto e um bem pequeno. Pois o pequeno era um menino de oito anos e o alto era o seu pai. Explodiram o caixa eletrônico, utilizando bananas de dinamite. Foram presos. O pai, que tinha em casa um estoque desses explosivos, disse à polícia que havia levado o filho porque não tinha com quem deixar, já que a mãe trabalhava à noite.

Comparando os meninos aprendizes de ofícios de antigamente a este de hoje, o que se pode pensar de uma inversão de comportamentos em nível de sociedade? Mas que pai é este? Como será que chegou a formar tal estrutura? Que valores, totalmente ao contrário, a sociedade lhe permitiu desenvolver, a ponto de passar isto para seu filho? Com tais aprendizados, como será o mundo do amanhã?

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