A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

Luiz Roberto Pires Domingues ☼
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Crônica
 
Já Não se Fazem Homens Como Antigamente
Por: Luiz Roberto Pires Domingues ☼

Eu sou de uma geração muito antiga, e que já não se encontra facilmente na face da Terra, pelo menos nessa nossa gentil pátria varonil.

Eu sou de um tempo em que os homens tinham dignidade, e honravam a calças que vestiam. Era ssim que se desenvolvia qualquer denúncia da prática de atos criminosos, nos quais os delinqüentes eram apanhados com a boca na botija. Tentavam se esconder e tapar o sol com a peneira, enquanto fosse possível, mas, uma vez descobertos, tinham a hombridade de se declararem culpados, confessarem e assumirem os erros cometidos, numa demonstração de, pelo menos, bom caráter.

Outrora quando o homem se via sem qualquer defesa para os atos ilícitos cometidos, ele, por si próprio, se dava como culpado, numa afirmação contundente de que era homem o suficiente para não negar os crimes que cometera. Ser homem era assumir a culpa pelos atos que sabidamente foram por ele cometidos. Dizia-se: “Eu sou homem, e assumo pelo que fiz sim. Não posso negar, pois a minha hombridade não me permite isso. Tenho de pagar pelo que fiz, e não vou-me escusar, mentindo”. Assumia, porque um homem que era homem, honrava os atos que tenha praticado voluntariamente, sem tentar esconder e mentir descaradamente, como se estivesse sendo vítima de uma tremenda injustiça. Negar era humilhante e demonstrava falta de caráter. O homem de outrora era verdadeiramente homem, e assumia todos os desvios de cometidos.

Mas, os tempos são outros, e muitas coisas mudaram neste País. A dignidade então foi para o espaço. A mentira ganhou status presidencial, nos mais diversos níveis. A honra ficou para um plano desconhecido, e poucos políticos sabem o que isto significa. A honestidade passou a ser uma vergonha. A hombridade envelheceu-se. A prostituição política emergiu como um bem maior do estado brasileiro. O “ser inocente” passou a ser uma defesa dos políticos que fazem muito pouco da inteligência humana e do povo brasileiro, e, ignorando os gestos dos outros homens de verdade, que assumiam os seus erros, tentam se esconder, na mentira descarada, dos baixíssimos atos praticados, comissivos ou omissivos, sabidamente imorais, indignos e até desumanos, com uma conduta de envergoinhar qualquer bandido de uma estirpe menor.
No conhecido julgamento do Mensalão do Governo do ex-Presidente Lula, o Supremo Tribunal Federal fez o Brasil acordar. Afinal temos alguma esperança de mudar. A tão decantada impunidade parece que está “cantando para subir”. Parece! E como demorou! O voto do Ministro Marco Aurélio é uma preciosidade, e reflete bem o que os nossos imbecis políticos pensam do povo como um todo, incluindo-se aí as próprias autoridades do País. O Ministro postou-se como um julgador que sabe o que lê, e não fez parte do time de retardados desse povo heróico retumbante, que os políticos imaginam todos serem.

Em seu voto deixou uma verdade insofismável:
“Poupe-me de atribuir a José Genoino, com a história de vida que tem, tamanha ingenuidade. Aliás, no Brasil há essa prática de nada se saber. Pelo menos notada nos últimos anos”, afirmou. Além de Genoino, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre afirmou desconhecer o esquema do mensalão.
“Apontar Delúbio Soares, e parece que ele próprio aceita posar como tal, como bode expiatório, como se tivesse autonomia suficiente para levantar milhões e distribuir esses milhões, [...] a conclusão subestima a inteligência mediana.”

É óbvio que o Ministro Marco Aurélio julgou com base no que leu, e não se deixou levar pela certeza dos mensaleiros que, de fato subestimam e subestimaram a inteligência mediana. Inteligência mediana, disse o Ministro, com uma clareza e uma lucidez de um homem normal.

Meu digníssimo Ministro, não se fazem mais homens de verdade como antigamente. E os que aí estão hoje mentem, e continuam mentindo descaradamente, na certeza de que a inteligência humana, e principalmente dos brasileiros, é medíocre. Mentem para o povo, para a esposa, para o filho e para eles mesmos. Mentem tanto, que provavelmente eles próprios passem a acreditar nas suas mentiras. E acham que o povo é babaca, insano e idiota. Mas ao final é mesmo, eles têm razão, porque assistem a todas essas barbaridades cometidas por seus dirigentes, e continuam votando, e vendo o seu parco dinheirinho arrecadado como imposto ser vilipendiado parar no esgoto deste País apodrecido, especialmente no lamaçal do Congresso Nacional, escaramuçado nos bolsos de meia dúzia de alguns chamados políticos. Reclama o povo, sim, em conversas fiadas, nada mais do que isso. Muitos desses políticos riem, e continuam fazendo o que muitos sempre fizeram, e nada acontecia. Nunca nada de sério aconteceu... Nunca ninguém devolveu nada aos cofres da República. Nunca. Os senadores deixaram de recolher o imposto de renda devido nos últimos anos à Receita Federal, e agora, cobrados, querem que o Senado Federal, e não eles, senadores, paguem o imposto por eles devidos. Isto é um País sério, ou um País de “merda”? Na Suécia todos iriam para a cadeia. perpétua, talvez. Isto é uma afronta à dignidade de um povo submisso e honesto acima de tudo. Os políticos, se é que podemos chamar isso de políticos, deviam ter vergonha de se submeter a a situações como estas. Vergonha na cara, de usar o dinheiro do povo, para esses fins, numa demonstração de que o seus bolso está acima de qualquer valor ético e moral.

Mas se nada nunca aconteceu, não seria agora que iria acontecer alguma coisa. Pois é, mas também nunca se teve um Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. E Deus, se é que ele é mesmo brasileiro, fez com que esse Ministro fosse escolhido relator deste processo. Sorte do povo, sorte no9ssa. Um trabalho digno, sério, honesto, construído em milhares de laudas não poderia deixar o Brasil nas mãos sujas de quem o teve, e não soube honrá-lo. O Brasil não merecia que tanta podridão pudesse sobreviver ao caos que este País vive na educação e na saúde. O povo brasileiro merece e merecia o que ele de fato tem direito. Não seria justo que um outro relator pudesse dar um rumo diferente à bandidagem que fez do Legislativo e do Executivo deste Estado brasileiro um mar de lama, que transformou o Congresso Nacional num antro de corrupção, com poucos personagens, sim, mas personagens vis que queriam transformar o Brasil no seu brinquedinho predileto para o cometimento de atos criminosos com a garantia e a inteira certeza da impunidade.

Os bons tempos se foram. Não se trata de saudosismo. Trata-se simplesmente de se ver com tristeza que o tempo dos homens de verdade se foi. Os homens que, diante da constatação dos atos ilícitos que eles tenham praticados, seguia-se a sua confissão, como uma conduta digna de um homem que tinha, no mínimo, um caráter, hombridade e vergonha de continuar mentindo. Mentindo, sabendo que todos sabiam que ele está e estava mentindo. E ele continua mentindo, dizendo que irá provar a sua inocência. Meu Deus, é tanta mentira que os homens de verdade, hoje, são, na verdade, homens de mentira.

Por isso, uma parte dos políticos são o que são.

Luiz Roberto Pires Domingues

 Comente este texto


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: KeEQ (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP sera enviado junto com a mensagem.