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Artigo
 
A LIBERDADE CRIADORA E O APRENDER SEMPRE
Por: Valdir Sodré

Em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), ao reunir alguns dos maiores pensadores do mundo na Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, sob a coordenação de Jacques Delors, produziu o relatório "Educação: um tesouro a descobrir". Tal documento destaca e aponta os quatro pilares da Educação no Século XXI: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Afinal, o que significa, na prática, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser?

Inicialmente, para refletirmos sobre essa questão, vale ressaltar que

junto com a dimensão de necessidade desponta no ser humano também a dimensão de criatividade. Ele não quer apenas matar a fome. Ao fazê-lo, coloca empenho, investe libido, cria arte e beleza. Ele não come apenas com a boca. Come também com os olhos, enfeitando esteticamente seu prato de comida. (...) Não basta atender às necessidades básicas e com isso fazer a revolução da fome. Importa criar espaço para o exercício das capacidades humanas e da criatividade. Por isso é necessário completar a revolução da fome com a revolução da liberdade criadora. Por aí se garante sua dimensão de conexão com os outros e com o mundo (In: O despertar da águia – o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade, Leonardo Boff).

Sendo assim, o ser humano modifica o mundo ao mesmo tempo em que é modificado por ele. É convidado a ser protagonista de sua própria história, assumindo o papel como sujeito histórico-social que constrói e reconstrói o mundo em que vive. Para tal, todo ser humano, na contemporaneidade, necessariamente deve fazer o exercício da reflexão e da crítica, a partir do pensamento autônomo, como partícipe ativo e criativo de sua história.

Aprender a conhecer engloba a aprendizagem dos conhecimentos científicos e culturais, distinguindo o que é real do que é ilusório, numa composição personal, inteligente e criativa frente aos saberes de nossa época. Aprender a conhecer “também significa ser capaz de estabelecer pontes entre os diferentes saberes, entre estes saberes e seus significados para nossa vida cotidiana; entre estes saberes e significados e nossas capacidades interiores”¹.

Aprender a fazer é a aprendizagem da criatividade. É dar luz a produção de ‘algo’ que ao mesmo tempo em que é ‘novo’ também é ‘valioso’ em determinado campo da ação humana, conforme preconiza Albertina M. Martinez.

Aprender a conviver, a viver juntos, é a aprendizagem da alteridade. Envolve categoricamente “reconhecer-se a si mesmo na face do outro”¹. É aprender a colocar-se no lugar do outro, respeitando a autonomia que coexiste em cada ser humano. Aprender a conviver pode também compreender como uma aprendizagem da criatividade coletiva, visto que cada um de nós é um ser único e que tem uma subjetividade/interioridade que concebe o mundo de forma muito particular.

Aprender a ser é um construto individual realizado a partir das tensões entre o mundo interior e o mundo exterior. O relatório da UNESCO afirma que os três primeiros pilares descritos anteriormente assentam-se sobre o quarto pilar. Aprender a ser é a aprendizagem formativa da integralidade, sob a tríade do ser humano que é cognitivo, psicomotor e afetivo. É a pedagogia criativa das diferenças.

Para realização da revolução da fome humana, aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser requer a criação de espaços para o exercício das capacidades humanas e da criatividade. Para completar a revolução da fome com a revolução da liberdade criadora, exige-se de cada ser humano a corresponsabilidade da construção dialógico-amorosa das dimensões conectivas com os outros e com o mundo. A contemporaneidade, num tempo de enfrentamento das incertezas, propõe à humanidade a inauguração de novas formas inteligíveis, intrapessoais e interpessoais, que sublinhem o caminho determinante e indissociável que queremos e devemos apontar para as novas gerações futuras. A engenhosidade de tal tarefa nos indica que ainda temos muito que aprender, mesmo sabendo a lição de cor. A porta para essas aprendizagens serão abertas incondicionalmente pelo fabuloso jeito humano criativo de ser e viver, num caminho determinante de aprender sempre...


¹ OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI, http://contextopolitico.blogspot.com.br/2008/11/os-quatro-pilares-da-educao-para-o.html

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