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Crônica
 
MUITO MAIS ALÉM DE LER, ESCREVER E CONTAR
Por: Valdir Sodré

MUITO MAIS ALÉM DE LER, ESCREVER E CONTAR
Valdir Sodré
www.paralerepensar.com.br/valdirsodredossantos
Dedicado a pedido de Marcinha


Algumas pessoas admiram e são leitoras frequentes dos textos que escrevo, pelo fato de ter uma formação acadêmica em Matemática e ter também uma habilidade significativa no ato de escrever, de expressar-me inteligivelmente como cronista e pensador.

Tal admiração se deve ao desenvolvimento das habilidades mutuamente em diferentes campos da ciência. Por conseguir concatenar a racionalidade das ciências exatas e a filosofia, a beleza e a comunicação das ciências humanas.

Cabe, então, apontar por que existem tais representações sociais que separam as áreas das ciências exatas das ciências humanas?

Moscovici (In: Representações Sociais: investigações em psicologia social, 2003, p. 10) salienta substancialmente que

as representações sociais são entidades quase tangíveis. Elas circulam, se entrecruzam e se cristalizam continuamente, através duma palavra, dum gesto, ou duma reunião, em nosso mundo cotidiano. Elas impregnam a maioria das nossas relações estabelecidas, os objetos que nós produzimos ou consumimos e as comunicações que estabelecemos.

Tal substância simbólica determina uma leitura coletiva social que indica práticas sociais consensualmente nas nossas relações interpessoais. É um modelo rígido que rege nossas formas de ser, viver e estar.

Afinal, por que grande parte das pessoas que têm formação no campo das humanidades tem uma representação social negativa em relação às áreas do conhecimento das ciências exatas, dentre elas a matemática? Da mesma forma, porque aqueles que têm formação no campo das ciências exatas normalmente apresentam dificuldades e representações sociais negativas nas áreas do conhecimento das humanidades?

Parte do necessário entendimento às essas ambiguidades pode ser explicada pela fragmentação histórica do conhecimento. Na verdade nos tornamos especialistas em determinada área do conhecimento e nos fechamos às especificidades inerentes da área de formação pessoal, restringindo nossas ações a um determinado campo de atuação. Concomitantemente, passamos a deixar de desenvolver um olhar mais holístico sobre a teia da diversidade do conhecimento.

Inevitavelmente precisamos quebrar paradigmas que fragmentam o conhecimento humano. E o caminho natural da humanidade na contemporaneidade é inaugurar novas formas que possam unir as diversas áreas do conhecimento com um olhar multirreferencializado, hipertextualizado e holístico. Entoa-se assim o reconstruir de uma substância simbólica (símbolo), que se torne força motriz para tudo aquilo que nos une (o conhecimento).

Particularmente sou licenciado em Matemática e pós-graduado em Educação Matemática e ainda permaneço em formação contínua como estudante no programa de pós-graduação na Faculdade de Educação na Universidade de Brasília. Tenho a experiência de mais de 24 anos como professor em diversos níveis de ensino.
Descobri que para ser um melhor professor de matemática, desde meus primeiros anos de profissão, precisava ter uma oratória mais refinada no uso de minha língua materna.

Matemática é uma linguagem universal. A matemática que é ensinada aqui no Brasil é a mesma que é ensinada em qualquer outro país do mundo. O que diferencia a comunicação no processo ensino-aprendizagem é o uso da língua materna local. O exercício pertinente de permanentes leituras de diversos livros e textos, juntamente com o cuidar de minha formação profissional, naturalmente me levou ao mundo da escrita, de forma apaixonada e terapêutica. Descobri que nas entrelinhas da construção de um texto também existem lógica e intuição, que são as bases fundamentais da Matemática. Educar matematicamente não está dissociado do uso mais refinado de nossa língua materna e de outras existentes. Descobri que a Matemática tem uma história riquíssima e que contribui no ato de ensinar e aprender. Que a partir de sua história é possível mapear geograficamente onde essa ciência foi desenvolvida, realçando os aspectos socioculturais. Enfim, a interdisciplinaridade e transdisciplinaridade são fontes inesgotáveis de aprender e de ensinar matemática, que estão muito mais além de ler, escrever e contar.

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