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Luiz Roberto Pires Domingues ☼
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Crônica
 
Ética e Moral
Por: Luiz Roberto Pires Domingues ☼

Após a afirmação por mim feita numa crítica despretensiosa de que nem tudo que é legal é ético ou moral, surgiu a curiosidade de uma leitora a respeito do que seja, de fato, ser ético e moral, apesar de não ter tido eu, naquele momento, qualquer pretensão de definir o que seria um e outro. A razão da falta de uma definição mais detalhada estava exatamente no fato de não ter sido um texto elaborado com esse objetivo específico.

Mas, diante da necessidade de melhor esclarecer, digo à Julia que, apesar de não ter eu o dom do filósofo, e nem de ter feito um profundo estudo a esse respeito, posso, como simples curioso, tentar ajudá-la nesta compreensão, pois as mais diversas definições encontradas em compêndios e matérias que tratam do assunto deixam, regra geral, de tocar no âmago da questão, de forma a demonstrar com clareza a verdadeira diferença entre uma coisa e outra. Por isso a dificuldade que as pessoas têm de visualizar a diferença; que aliás é grande.

Posso adiantá-la que o dicionário Houaiss, por exemplo, tem uma definição muito boa, que vai-lhe permitir perceber a diferença entre ética e moral, ou ainda, de um comportamento ético e de um comportamento moral.

Como tudo na vida, quando começamos com exemplos práticos antes de definirmos algo, torna-se muito mais fácil a sua compreensão. Saber então o que é ético ou o que é moral, ou ainda que comportamento fere a ética e qual fere a moral, é interessante se descreverem alguns exemplos de situações com a qual já estamos acostumados a nos deparar em nosso dia a dia.

Assim, quando você lê ou ouve falar que um determinado profissional não deve falar mal de um colega de profissão, está tendo um comportamento antiético, comprometendo a ética; assim também quando um concursado é chamado para um emprego na frente de um outro melhor classificado. Quando um deputado assina o ponto de comparecimento a uma sessão que ele de fato não esteve presente está ferindo a ética. Da mesma forma, comer com a mão em vez de usar garfo; não ceder lugar na condução para as pessoas mais idosas; não cumprimentar o vencedor no final de uma partida esportiva; furar uma fila; desviar recursos públicos para fins ainda que públicos, mas diversos do inicialmente planejado. São todos exemplos de falta de ética.

Se alguém por ventura mentir testemunhando falsamente em juízo estará ferindo a moral. Assim também se alguém desviar recursos financeiros públicos para o seu bolso, enganando o eleitor, e furtando a Administração Pública. Colar numa prova é uma conduta que fere a moral; da mesma forma age aquele que é desonesto ao perceber que o Caixa lhe deu um troco a maior do que devia, e fica com o dinheiro; não ser fiel aos amigos também fere a moral.

Não sei se já deu para perceber a diferença. Pois bem, reproduzo o que aprendi numa aula de Filosofia, quando o ilustre mestre nos disse que se fere a ética, quando se praticam atos contrários aos bons costumes estabelecidos pela sociedade, através das regras sociais. São assim externas à pessoa, vêm de fora para dentro. São determinadas por normas sociais, sejam elas de que natureza forem. A moral, ao contrário, vem de dentro de cada um, e representa normalmente os princípios que cada pessoa tem. Mentir, enganar, ser desonesto, ser mau caráter, ser infiel, ser corrupto, por exemplo, são princípios que cada pessoa tem ou não tem. Partem dela, da sua formação, do seu interior, da sua educação. Partem de dentro para fora.

Parece que esse mestre está certo, e por ele tenho me guiado.

Por isso a definição encontrada no Dicionário Houaiss está bem perto da sua verdadeira significação. Numa de suas acepções, diz ele que ético vem do uso e do costume; e que a moral pertence ao domínio do espírito do homem.

Espero ter ajudado à Júlia a compreender melhor a diferença que poucos textos esclarecem bem a distinção entre um e outro.

Luiz Roberto Pires Domingues

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