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Conto
 
A lenda de Alexandria
Por: Marlene Passos


A lenda de Alexandría.
(autora: Marlene Passos)

Deriel, recém formado em arqueologia, resolve fazer uma reunião de amigos em sua casa, seria um despedida. Chegam os amigos, apreciam os aperitivos e comentam sobre a viagem.
- Afinal, fará a sonhada viagem para o Egito! -diz Roberto.
-Garanto que vai aproveitar todo o tempo, nem vai querer descansar. -fala Mariane.
-Pessoal, vou ficar apenas 30 dias, mas vou aproveitar toda a eternidade em cada minuto! Vou visitar todos os museus, quero tirar fotos, conhecer as pirâmides e a esfinge de Ptolomeu Xl, pai da maravilhosa rainha Cleópatra. Essa esfinge foi resgatada pelo arqueólogo Frank Goddio.
-Já sabemos da fascinação que você tem pela rainha de todos os tempos, a belíssima Cleópatra. -Diz Mauricio.
-E se realmente acontecer a lenda de Alexandría? -pergunta Anistéla.
-Não creio em lendas, pessoal. Creio que toda lenda tem seu encanto, mas... não passa de lenda.
Alexandría foi a antiga capital do Egito, mas apesar de não ser mais capital, continua lá exercendo seus mistérios. Às vezes me vejo enxergando o passado de encontro ao presente...
-Como assim? -pergunta Cristimare.
-Às vezes me pego sentindo a brisa do Mediterrâneo, aquele azul todo confundindo-se com o mar. Já cheguei a sentir-me presente no dia em que Alexandría foi fundada por Alexandre, o Grande, no ano 332 ªC . depois sinto sua fama com o passar do tempo pela intensa atividade científica e filosófica. A lenda não me atrai e sim o passado! -diz Deriel.
-Sei que naquelas águas azuis permanecem escondidos tesouros da antiga cidade, que viveu na época dos Ptolomeus. Submergiu após muitos terremotos e assim nasceu a lenda de Alexandría.
Na ilha de Antihodos, Cleópatra tinha um palácio, e nesse lugar foi encontrado um navio de 30 metros de comprimento e 10 metros de largura e, nesse trecho é que surgiu a lenda.
-Deriel é mesmo apaixonado por essa história! - fala Cristimare.
-Pessoal, essa história é mesmo incrível, nas amostras feitas concluíram que o barco é do período entre 90 ªC e 130 d.C. Foi encontrado também em ótimo estado de conservação uma caixa com vários manuscritos mostrando evidências da existência de um santuário. Os manuscritos dizem que a lenda se tornará real e Cleópatra retornará à vida no momento em que um rei subir ao trono.
-É claro que essa parte faz parte de uma bonita lenda! exclama Deriel.
-E se não for somente uma lenda? -Diz Anistéla.
-Mas que rei será esse? -pergunta Roberto.
-Não sei, à única coisa que sei é que sou fascinado pela vida de Cleópatra, vou aproveitar o tempo para pesquisar e mergulhar no exuberante Mediterrâneo.
-As vezes me pego pensando nela, sei que com seu domínio sedutor exerceu encantamento entre escritores e poetas, parece até que consigo vê-la em suas vestes transbordando beleza e sensualidade, dotada pelo amor vivendo em seu luxo esplendoroso. Às vezes parece que ouço sua voz delicada e macia a chamar-me, pedindo para despertá-la dos séculos, a voz deliciosa de se ouvir, com frases inteligentes e maliciosas. Ela é mesmo a deusa dos tempos! Dominava várias línguas: o grego, o egípcio, o aramaico e o latim. Rainha aos 17 anos enfeitiçava com sua magia, viveu para a política e para o amor e sofrendo pela morte do amado Marco Antônio, suicidou-se fazendo-se picar por uma áspide venenosa.
-Puxa vida, Deriel se transporta ao falar da rainha mais bela! -Diz Mariane.
-Meu Deus, Deriel está enfeitiçado pela rainha, cuidado com a lenda . Alerta Roberto.
-Não é só Cleópatra que me fascina, é toda a história do Egito, dos faraós, da bela visão dos templos de Luxor e de Carnac, o templo de Dayr-el-Bahari, o templo subterrâneo de Abu-Simbel, nesse maravilhoso tempo em que se levantavam esses templos, a capital era Tebas. O progresso é necessário para a evolução dos povos, mas não pode destruir o mistério do tempo. A mitologia egipcia também é fabulosa em todas as paragens da história, vejam como é fascinante o etéreo de Ra, deus do sol; Osíris, deus da fecundidade e da morte; Horus, deus da razão e da habilidade e Set, deus da desordem e da destruição.
Conta uma lenda que Set matou seu pai, o que provocou a seca do Nilo; mas seu irmão lutou pela justiça e venceu, então Horus trouxe fertilidade novamente, dando vida a terra e água.
-O Egito é realmente encantado com suas histórias de pirâmides e Faraós, eu por exemplo, sou fascinada pela breve vida do faraó Tutancâmon, que morreu aos 18 anos mas deixou um infinito brilho. confidencia Mariane.
-Não sei nada sobre o Egito, só sei que fica no nordeste da África e faz fronteira com a Ásia abrangendo beleza em todas as versões. -explica Silvana.
-Um dia eu também quero conhecer alguns países da África. -fala Anistéla.
E assim os amigos passam horas falando sobre o Egito e suas belezas. A madrugada vem e eles se despedem de Deriel, desejando boa viagem.
As horas voam nas asas da ansiedade, o vôo Boeing é perfeito. Deriel chega ao Cairo, atual capital do Egito, sente até um arrepio ao estar ali. Descansa uma noite e depois vai para Alexandría. No hotel onde escolhe para ficar, conhece dois arqueólogos já experientes. Ambos eram da Europa. Os três trocam idéias e se dão muito bem. Deriel é convidado para mergulhar nas águas azuis do Mediterrâneo, e fascinado aceita. O novato da arqueologia olha para as lacunas do espaço e sente o Ka do mistério, a alma era chamada de Ka, como à própria tradução da imortalidade. Envolto em brumas do pensamento deixa a ansiedade tomar conta de seus sentidos, tudo estava meio suspenso, mágico, uma voz o chamava nas camadas densas do coração.
Resolve sair um pouco sozinho, vai ao museu em que estava exposta a caixinha de manuscritos. Quando entra sente algo diferente o impulsionando para outro lado do museu. De repente um anel cai ao chão, Deriel guarda para entregar quando saísse. Olhando os objetos do museu surpreende-se ao ver o anel sair de seu bolso e cair novamente no chão. Ele pega o anel e coloca-o em seu dedo. Nesse exato momento sente ser possuído por um êxtase sem explicação. Olha em um espelho próximo e se vê vestido como um faraó. Olha novamente e já se vê com suas próprias roupas. Sem entender, rapidamente sai do museu e vai a um templo, uma linda jovem vem servi-lo.
-Ela sabia que viria! -diz uma jovem vestida de odalisca.
-Ela quem?! -pergunta Deriel.
-O anel que está usando o vai conduzir ao estreito caminho do tempo, os séculos serão apenas detalhes.
-Não estou entendendo.
-A rainha precisa encontrar o pergaminho dourado, seu tempo aqui está se esgotando, ela será eternamente escrava das trevas se você não ajudá-la a libertar-se das correntes impiedosas da morte.
-Não possuo poderes sobrenaturais.
-Possui, muito mais do que pensa. O pergaminho mostrará o caminho da paz que ela ainda não encontrou através dos séculos.
-Isso só pode ser um pesadelo.
-Não é pesadelo. A lenda diz que um rei ao encontrar o trono, subirá e então ela voltará a vida , e nesse pergaminho você saberá o que fazer. Esse pergaminho é o mapa da eternidade.
-Não acredito. Você está falando de Cleópatra?!!!!
-Sim, à rainha se foi antes da hora, por isso perdeu-se nos atalhos da escuridão, não conseguindo encontrar a passagem secreta da paz, o portal se fechou para ela.
-Que portal é esse?
-O portal seria a felicidade levando-a ao seu amado Marco Antônio.
-E eu? O que eu tenho com um passado tão distante?
-Ainda não tomou consciência do passado? Você é Marco Antônio! Só você poderá libertá-la do vale da escuridão.
-O que? Não pensa que vou acreditar nisso!!!
-Um arqueólogo vive buscando vestígios do passado, e você carrega esses vestígios em seu próprio Ka.
-Isso é loucura! Vou sair daqui.
Quando Deriel tenta sair, ouve uma doce voz o chamando.
-Deriel... como sempre lindo.
Ele lentamente se vira e fica pálido ao ver uma deusa em sua frente.
-O que é isso? Você deve ser alguma louca tentando se passar por Cleópatra.
-Olhe naquele espelho.
Deriel o vê ao lado da rainha séculos atrás. O amor flui com tal velocidade o buscando no tempo que deixa-o sem palavras. Ele tenta hesitar.
-Não fuja de mim como no leito de morte que o senti fugindo, deixando esvair a ultima respiração. Nos pertencemos um ao outro por toda a vida. O mundo material se faz supérfluo quando trata-se da eternidade.
Deriel fica tão apavorado que foge. Chega ao hotel. Passa a noite em claro sem poder dormir, amanhece e, sem esperar os amigos, vai ao mergulho. Chega à praia mas antes de entrar na água, as ondas trazem uma concha do mar. Ele a abre e espanta-se ao ver um pergaminho dourado e uma pérola azul.
-Será um aviso? Nunca vi uma pérola azul!
Sem pensar, vai rápido ao templo. A jovem odalisca o recebe dizendo: -Cleopatra o espera na sala ao lado. Deriel entra em uma sala extremamente luxuosa e perfumada. Ao ver a rainha banhando-se em uma piscina cheia de pétalas de rosa fica entorpecido.
-Venha, à água está maravilhosa.
-Não... eu não posso estar aqui.
-Inconscientemente você quer estar aqui, por que reprimir esse desejo?
-Não. Preciso ir embora.
-Por que fugir desse destino se nossas almas estão a volitar?!
-Nossas almas não podem estar esvoaçando, porque eu pertenço ao mundo dos vivos e você...
-O que é vida para você, ficar preso a crenças sem sentido? Pois eu vos digo que vida é eternidade, é amor se confraternizando com a sabedoria dos tempos. Ela sai da água e coloca uma veste amarelo ouro, transparente, sendo realçado com seus cabelos negros, deixando visíveis suas curvas sensuais. Deriel, surpreso, não consegue tirar os olhos de tanta beleza.
-Preciso ir... -ele diz balbuciando.
-Venha despertar nosso amor no cálice de meus beijos, devolva-me a vida.
Ela aproxima-se olhando-o profundamente. Ele, sem reagir, deixa cair ao chão o pergaminho, a pérola azul vai aos pés da rainha.
-Eu sabia que você era Marco Antônio. -ela sorri.
-Isso só pode ser alucinação!
-Somente meu verdadeiro amor poderia encontrar a pérola azul.
-As ondas a trouxeram para mim em uma concha do mar... tudo isso é muito louco. Sou um arqueólogo e não um místico buscando poderes do passado.
-Você é um místico quando acredita em vestígios do passado.
-Creio na realidade vivida pelo passado, é diferente.
-Provarei que é um místico sensual, de todos os tempos. Experimente essa sensação...A rainha o beija com resíduos do passado fazendo-o transformar-se em Marco Antônio. Ele a beija como se fosse uma inesgotável fonte sobrenatural dos apaixonados, um beijo com a potência da onda titsuname um beijo capaz de transportar qualquer coração. Em total voluptuosidade se entregam sem medo do tempo, caem nas águas da piscina e se banham nas flores do passado, presente e futuro. Os corpos se misturam e se endeusam no crepúsculo dos sonhos, como se devolvessem a aurora de toda fantasia roubada pelo tempo. Depois do amor deitam-se nas bordas da piscina, Deriel,
deslumbrado, diz: -Ah... nem que eu procurasse nos quatro cantos do universo, jamais encontraria um amor assim, com tanta magia, tanta... ah... como é bom desfrutar a imortalidade...
-Quando o amor é verdadeiro sobrevive ao tempo, ultrapassa até fronteiras imaginarias, se confronta com o destino e vence a batalha do desafio sobrenatural. Vou lhe dar um presente que o tempo guardou para seu merecimento, olhe para as águas. Nesse instante emerge das águas uma coroa de rei toda de diamantes e esmeraldas. A rainha a coloca na cabeça de Deriel, e diz: -Agora é sua ,de fato, meu rei, só falta subir ao trono.
-E onde está?
-Primeiro se vestirá de faraó e depois com as honras do tempo te sentirá rei.
Deriel torna- se o faraó mais lindo de todos os tempos, lentamente emerge das águas uma escada, ele sobe e senta-se no trono da vida eterna. Nesse instante o tempo se transporta e todos os trovões despertam para festejar o triunfo do poder, as ondas mostram-se inteiras e a rainha ganha um brilho especial.
Deriel a chama: -Venha minha rainha, agora sinto que serás eternamente minha deusa estelar. Precisarei decifrar os hieróglifos do pergaminho?
-Já foram decifrados por seu coração, salva-me da escuridão eterna.
Ela senta-se no trono ao lado e se beijam, imortalizando-se em cada carícia.
O espaço brilha de tal forma que a lua une-se a todos os astros fazendo uma corrente de mistérios. Depois do amor ele resolve voltar a realidade: -Minha rainha, não podemos ficar preso ao passado assim.
-Será que ainda não entendeu? Pertencemos a um espaço sem tempo.
-O que isso quer dizer ?
-Quer dizer que nos imortalizamos pela paciência dos séculos e nos unimos pelo amor. O tempo tornou-se apenas um detalhe. Você poderá voltar para o seu país a hora que quiser, não será escravo do tempo.
-E você ? Não posso deixá-la.
-Irei com você, usarei o nome de Kadine e todos pensarão que somos pessoas comuns.
-Podemos mesmo?!
-O tempo nos deu esse poder.
E assim, juntos, voltaram ao Brasil, casaram-se e viveram somente para a felicidade.
-Está feliz minha rainha?
-Para sempre. Como é bom não precisar chorar a morte de um amor, sabendo que a sensibilidade de cada coração nos torna imortais.
-Não importa se é passado, ou presente, ou será futuro, só o que importa é sobreviver a todas as tempestades do destino, e só o verdadeiro amor possui esse poder.
-Por isso estamos aqui agora e sempre, juntos eternamente juntos.
Num doce olhar imortal, selam mais uma história de amor, mais um desafio vencido, mais um tempo quebrado pela magia do coração. E assim os olhos se fecham e se encontram no frescor dos lábios apaixonados.
Marlene Passos

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