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Crônica
 
AS NOVAS FORMAS DE ESCRAVIDÃO
Por: Valdir Sodré

Enfaticamente a escravidão foi e ainda é uma das páginas mais injustas, imorais e perversas de toda história da humanidade. Tal fenômeno humano existiu e existe desde os primórdios da humanidade e consistia e ainda consiste em uma prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro, tornando-o escravo.

Diversas civilizações, até mesmo aquelas consideradas evoluídas em determinado período histórico, fizeram uso da escravatura por séculos, com propósitos econômicos.

No Brasil, a escravidão foi adotada a partir do período colonial até o fim do Império. Foi marcada pelo uso de escravos provenientes do Continente africano, ressaltando que muitos indígenas também foram vítimas dessa feroz prática humana. Os escravos da Terra de Santa Cruz foram utilizados na agricultura e na mineração, a serviço dos portugueses para a manutenção da economia. Somente em 13 de maio de 1888 a escravidão foi oficialmente abolida através da assinatura da Lei Áurea.

No entanto, essa prática imoral adquiriu novos formatos e, ainda até os dias de hoje, continua viva em determinadas formas sociais na contemporaneidade, como tráfico de mulheres para prostituição forçada, a escravidão doméstica, o trabalho infantil, além de outras formas de ações forçadas de um ser humano para outro. A essas práticas contemporâneas utiliza-se a expressão escravidão moderna.

Salienta-se que

A expressão escravidão moderna possui sentido metafórico, pois não se trata mais de compra ou venda de pessoas. No entanto, os meios de comunicação em geral utilizam a expressão para designar aquelas relações de trabalho nas quais as pessoas são forçadas a exercer uma atividade contra sua vontade, sob ameaça, violência física e psicológica ou outras formas de intimidações. Muitas dessas formas de trabalho são acobertadas pela expressão trabalhos forçados, embora quase sempre impliquem o uso de violência.¹

Situar a vida e recente morte do líder Nelson Mandela é relembrar do regime de segregação racial do apartheid, movimento de política oficial na África do Sul, entre os anos de 1948 a 1994, no qual cercearam direitos da grande maioria de habitantes negros em prol de total conjunto de direitos a uma minoria branca. A segregação racial na África do Sul já existia desde seu período colonial. O apartheid foi a forma de oficializar esse modelo racista desumano. O apartheid nada mais foi do que uma forma de escravidão, que por vários anos privaram a cidadania de milhares de negros, segregando acesso a diversos serviços públicos, como saúde e educação, dentre outros.

A presença histórica de Mandela demarca movimentos de resistência social a essa prática política desumana e sua morte representa uma vitória dos sonhos de uma sociedade mais justa, fraterna, solidária e igualitária. Seu exemplo nos conscientiza de que ainda há muito que fazer, lutar e reivindicar em face a uma sociedade contemporânea capitalista, que subjacentemente ainda suscita inúmeras formas de escravidão.

Na contemporaneidade, somos escravos de vícios, do dinheiro, de dívidas, da opressão, de ditaduras modernas, da solidão, do individualismo, do desamor, dos modelos econômicos, das indiferenças, da injustiça e do poder, além de muitas outras formas de escravidões modernas.

Quebrar as amarras dessas formas de escravidão é romper com todo o tipo de ação humana que invoca a desigualdade. É deixar nascer em cada um de nós o espírito da solidariedade, da fraternidade, do acolhimento, da caridade, do senso de humanidade, da esperança, da harmonia, do discernimento e do amor.

Conforme Leonardo Boff afirma, em seu belíssimo livro O Despertar da Águia – o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade, o ser humano é um ser de necessidade e de criatividade. Ser que tem a necessidade premente de comer, de vestir-se, de abrigar-se, de reproduzir-se, de comunicar-se, de ser feliz e de sonhar.

Nascemos para e pela comunicação, na carência primordial de conviver com o outro, de forma em que o diálogo seja fonte permanente da convivência humana, respaldado pela concretude de um espírito de alteridade e de respeito mútuo. Ademais, aprender a conviver reside na consciência de que somos diferentes para sermos iguais. Realçar esse dinamismo filosófico é pôr em prática o desejo profundo de que para ser feliz é principalmente fazer o outro feliz. Isso é determinantemente amar uns aos outros. É rechaçar todo tipo desumano de escravizar e de escravizar-se.

¹ www.brasilescola.com/sociologia/escravidao-nos-dias-de-hoje.htm

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