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Crônica
 
2013
Por: Valdir Sodré

2013 foi um ano surpreendente tanto na minha vida pessoal quanto no cenário contemporâneo do Brasil e do mundo. 2013 foi para mim o ano da temperança, que é a virtude de quem é moderado, sóbrio e comedido. Temperança, assim sendo, é a palavra que sintetiza o significado integral do ano que ora se finda.

Tal acepção e prática habitual se devem ao equilíbrio alcançado por mim no decorrer de todo o ano. A temperança alcançada se complementa a autopreservação de 2012, ao desbravamento de 2011 e a restauração de 2010. 2012 reservou para mim, nos seus últimos dias, a conquista de uma vaga no programa de pós-graduação da Universidade de Brasília, retornando-me à pesquisa acadêmica, que foi concretizada e iniciada em 2013. Meu olhar atento de pesquisador conduziu a conquista de um equilíbrio constante exercido no desabrochar dos meses e dias deste inesquecível ano. Equilíbrio este vivido em todas as esferas que compõem meu viver, seja no âmbito da saúde física e mental, seja na vida profissional e social.

A sobriedade marcou determinantemente meu caminhar e pude assistir perplexo a tragédia, em Santa Maria/RS, da morte de quase 250 jovens numa boate, que apresentara um espaço inadequado associado ao uso indevido de artefatos de fogos pelos músicos da festa. Este fato expôs para o Brasil a vulnerabilidade de espaços de diversão noturnos, numa exigência das autoridades competentes de uma melhor vigilância e controle. O luto pelas vidas dessas centenas de jovens demarcou o início de 2013.

Sem sombras de dúvida, o fato mais marcante de 2013 fora o julgamento do Mensalão, maior esquema de corrupção da história política brasileira, com a condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, de quinze mensaleiros, presos, em sua grande maioria, em regime fechado. Tal fato se contrastou com os diversos protestos espalhados pelo Brasil de milhares de brasileiros nas ruas, cujas reivindicações se condensavam em torno do fim da corrupção e pela melhoria da saúde e da educação. Tais protestos foram manchados pelas inúmeras cenas de vandalismos, que não se convergiam com os gritos históricos de apelos democráticos dos inúmeros brasileiros, em sua maioria, jovens, cujas manifestações foram marcadas com uso das redes sociais virtuais.

Minha conduta moderada e responsável se aliou ao exercício intimista da fé e pude assistir inesperadamente a renúncia do Papa Bento XVI e o início do pontificado do Cardeal argentino Jorge Bergoglio, que assumiu o nome de Papa Francisco. Seu carisma e sua simplicidade foram demonstrados em sua primeira viagem internacional, quando no Rio de Janeiro conduziu a Jornada Mundial da Juventude, com a participação entusiástica de milhões de jovens católicos.

No cenário político mundial, o escândalo da espionagem norte-americana, vazada pelo ex-analista de inteligência Edward Snowden, expôs o gigantesco aparato de bisbilhotagem de Barack Obama, que também atingiu o Brasil, incluindo até mesmo a presidenta Dilma Rousseff. Tais espionagens abalaram as relações entre o Brasil e os Estados Unidos e puseram a prova os verdadeiros interesses norte-americanos.

O fim de 2013 foi marcado pela morte do líder revolucionário Nelson Mandela. Sua despedida foi destacada por um mesclar de tristeza e festa e seu legado político conciliador, frente ao fim do regime de segregação racial do Apartheid, na África do Sul, demarcou definitivamente a vitória da democracia e da vida sobre à intolerância e a morte. De fato, Mandela está vivo em cada um de nós que acredita no verdadeiro espírito fraterno, solidário e democrático.

Enfim, muitos outros acontecimentos ocorreram em 2013, porém há de considerar que todos eles compuseram o impulso da roda-viva da História, que nunca deve ser contada, mas sim vivida e vivenciada, demarcando o ritmo do curso da vida. Estabelecer a temperança como síntese de 2013 é acreditar nos sonhos por dias melhores, sob a égide inesgotável da esperança, alicerçada na fé, no discernimento e na força transformadora do amor. Apesar dos pesares, foi muito bom viver serenamente este ano tão fervoroso e freneticamente transformador. Que venha 2014! Assim seja!

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