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João Márcio F. Cruz
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COMO AS MEMÓRIAS PODEM SER FABRICADAS PARA OCULTAR UMA INFÂNCIA TRAUMÁTICA?
Por: João Márcio F. Cruz

Como psicopedagogo clinico, encontro sempre pessoas descrevendo sua infância no inicio, e depois descobrimos que suas "memórias" foram fabricadas para ocultar certos dramas familiares que permaneceram no inconsciente pra fugir do sofrimento de ter de enfrentá-los. Nesse processo de autodescobrimento, vamos costurando fios onde percebemos que existiu A INFANCIA OFICIAL e a INFANCIA REAL onde, quase sempre, não combinam, e as vezes, até distorcem completamente o que realmente aconteceu.

Nesse busca por descobrir a verdade de cada um, me surge LAURA GUTMAN, uma companheira também psicopedagoga argentina, que aborda essa importante função de NOMINAR aquilo que acontece para nos conferir autonomia em nossas vidas.

Abaixo um dos trechos mais elucidativos sobre essa função nômia:


AS MEMÓRIAS PODEM SER CONSTRUÍDAS PRA EVITAR A DOR

A consciência só recorda o que é nomeado. Isso significa que, se nos acontece algo que ninguém nomeia, não recordaremos. Por exemplo, podemos ter padecido de abusos sexuais em nossa infância. Obviamente ninguém disse nada, em princípio porque todos os adultos que havia ao redor olhavam para o outro lado. Ninguém nunca disse: ―Estão abusando de você e isso é um horror. Ao contrário, o que se disse é: ―Mamãe tem muitos problemas e não se deve fazer nada para preocupá-la ainda mais. Ou então: ―Isso é um segredo, você tem sorte porque te amo, você é a criança mais doce do universo e por isso foi escolhida.

Portanto, até mesmo se nos aconteceu algo bem concreto, doloroso, sofrido, triste ou ofensivo, a consciência não lembrará. Porque não houve palavras. Então tampouco houve uma ―organização do pensamento. Não foi possível ―acomodá-lo em nenhuma estante mental nem emocional. Aconteceu algo conosco, mas é como se nunca tivesse acontecido. Podemos ter sensações enevoadas ou confusas, mas não lembranças concretas. Então crescemos e como ninguém nomeou ―isso, e nós mesmos sendo crianças também não saberíamos ―com que palavras explicar, ―isso.

Podemos ter vivido algo e não lembrar. E, ao contrário, podemos não ter vivido algo e, no entanto, se foi nomeado por alguém importante durante nossa infância, lembrar disso como se fosse uma verdade inquestionável.

LAURA GUTMAN – O poder do discurso materno






Pp. João Márcio
Psicopedagogo Clinico
Especialista em saúde publica
Ensaios da vida cotidiana

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