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Artigo
 
UM LIVRO EM UMA NOITE
Por: ANTONIO CARNIATO FILHO

Uma interessante conversa entre uma jovem e talentosa Acadêmica,doutorando em letras, escreve através de uma cronica maravilhosa, sobre o livro do autor Antonio Carniato, intitulado "Labor, Poesia e Amor". Veja o primor da peça literária.Obrigado Carolina, você e o máximo e o meu livro valorizou-se.Abraço do confrade. Antonio

Noite de conversa com o Caríssimo Confrade Nicola
Carolina Tomasi
Doutoranda em Linguística pela FFLCH-USP; ocupante da cadeira n. 2 da Academia Santarritense de Letras

As palavras portuguesas “poesia”, “poetar” e “poeta” não dão conta do que Heidegger queria dizer com o termo “dichtung” (poesia), “dichten” (poetar) e “dichter” (poeta). Todos esses vocábulos nos enderençam, de certa forma, a “dichten”, que, etimologicamente, tem o sentido de “colher, ajuntar, concentrar, reunir, compactar” (cf. HEIDEGGER, 2010, p. 238); já “dichtung” vem de “dictare” que vem de “dare”, que suscita o sentido de doação, de oferenda.
20h00 do dia 15 de setembro: posse dos novos Acadêmicos. Eu, sem bolsa. Abre parênteses: há anos que não carrego sacolas nem valises femininas/meu marido carrega meu RG, minha carteira de motorista, meus cartões/batom? estava na bolsa de minha mãe/ Agora, só não posso perder o marido; fecho os parênteses.
23h15: nas mãos, um livro Labor, poesia e amor. E aqui chamo o meu querido confrade Nicola (Antonio Carniato) para lhe agradecer a noite de insônia mais tranquila que já tive. . Leitor, conto agora ou calo-me para sempre:
Confrade, li seu livro em uma noite! A cada página corrida, recebi de seus escritos um presente sagrado, uma doação de sentido, a oferenda de Heidegger! Com a permissão da bella Nereide (adorei te conhecer ontem; achei Marinela muito parecida com você; por tabela, matei saudade!), conversei com o confrade a noite toda!
-- Não é que eu não sabia que o confrade atendia pelo nome de Nicola! Caramba! Desde menina, confrade, adorava ouvir da boca de meu avô calabrês essa palavra. “Nicola Petroccini, vô?” É! Meu amigo do bixiga!
-- Pois, é Confrade Carolina! Para meus amigos de Santa Rita, Nicola! No Porto Ferreira, Carniato!
-- Ah... Confrade, e essa história de você ser amigo do meu tio avô Edward Thomazi?! Putz... ele ainda foi seu cupido! Não sei se você sabe que meu bisavô Domingos, o barbeiro, deu uma paulada na cabeça dele!?
-- Não me diga, Confrade!!!
-- Digo. Então, Confrade... Boêmio, madrugadeiro, músico. Vida que eu pedi a Deus, mas ele ainda não me escutou! Sério! Levou uma paulada de tanto dormir com o galo cantando e acordar quando o vô Domingos cantou o galo na cabeça dele! Ele também tem um apelido, Confrade! É Rochinha, porque é aprendiz do Rocha, o barbeiro. Sábio Edward! Ele não te disse que essa história de separação era puro charme e você não percebeu? Nereide está aí para dizer que o boêmio Rochinha tinha razão.
-- Danadinho esse meu cupido, o Rochinha.
-- Confrade, não sabia que você não gosta de carne seca! Eu também não; próprio dos nascidos de maio, creio eu.
-- Ah... também é de maio?
-- Sou. Queria ter conhecido aquele radinho Invictus, de duas faixas. Vou te confessar uma coisa: aaaamo radinho. Sou corinthiana como você (outro segredinho de confrades, cá entre nós!). Também ia no Pacaembu com meu pai. Sabe aquele Doutor lá? Não o filósofo, o Magrão! Sou fã dele e do Casão.
-- Eu também.
-- E o bolor de São Bernardo?
-- Era a continuação da vida, Confrade Carolina.
-- Pude até sentir o cheiro. Ah... Gostei de saber o nome de seus amigos: João Maia, Inocêncio, Zinho Del Bel. Por sinal, o Zinho é meu tio avô também.
-- Não me diga?
-- Digo. Gostei da história do cavalo Guarani e da égua Andorinha. “Um dócil, a outra treteira”. E os Dicks? Um, de cestinha na boca; o outro, um cão de guarda paulistinha. E que chato aquela história da maleita!? Ainda bem que o Confrade, mesmo com as injeções azuis, está aí vivinho da Silva pra nos contar. “Ma-lei-ta”: palavrinha que minha nonninha me chamava quando eu tremia de frio... “maleiteira, menina!?”. A língua é assim, Confrade! Cria, inventa, reinventa. O duro mesmo é a maleita do “mundo real”, aquela que o Confrade conhece bem. E o jornal Barra Limpa? Bela iniciativa! Gostei!
-- Obrigado, Confrade Carolina!
“Ainda não dormiu?!” (Saulo puxando o lençol!). Nem ouvi (ou fiz que não ouvi). Era o final de Labor, poesia e amor.
Boa noite (já era dia!), Confrade Nicola/Carniato, concordo com você que “nem todas as primaveras nos trazem alegria” e que nem todo anúncio de “bom princípio” é bom. Espero, Confrade, que a arte nunca queira imitar tanto a vida, que nos separa, que nos desola. “Labor, poesia e amor” condensou 82 anos (1932-2014) em uma noite de fantasia, a noite inesquecível de 15 de setembro de 2014.
Eis o mistério da doação de sentido das letras. Obrigada, querido Confrade, pela noite de insônia!

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