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João Márcio F. Cruz
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PAIS E FILHOS - CONTAMINAÇÕES FAMILIARES
Por: João Márcio F. Cruz

PAIS E FILHOS – CONTAMINAÇÕES FAMILIARES

Sabe-se que a mãe estressada, portadora de alguma neurose que desencadeia processos bioquimicos onde libera, na corrente sanguínea, catecolaminas e glicorticóides, vai levar, ao seu bebê, um leite materno "contaminado". As substâncias do stress são um "veneno" para a criança. Esses conflitos não resolvidos alteram a estrutura bioquímica do leite, comprometendo a saúde da criança.

Há crianças que rejeitam a mama porque sentem inconscientemente, o mau estado do "produto" lhe oferecido. Outros ingerem mas desenvolvem vários quadros clínicos doentios. A felicidade e carinho materno traduz-se num leite de qualidade, capaz de atender as necessidades do filho, evitando a transmissão de resíduos de emoções negativas ao inocente.
Outras influências ocorrem no campo psíquico. Carl Jung estudou tais relações inconscientes em sua obra O desenvolvimento da personalidade. As vezes, é no estado onírico, como narra a história abaixo, que ocorrem tais “infecções psíquicas” do campo mental da mãe no filho.

OS SONHOS DAS CRIANÇAS
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Pedrinho (6 anos) tinha “pesadelos” constantes. Acordava gritando, chorando, esperneando. A mãe, muito apreensiva, pelas dificuldades financeiras, guardava dentro de si, seus medos e culpas por não conseguir oferecer ao filho tudo que ele precisava. Separada, sofria em silêncio pelo esgotamento de cuidar de tudo sozinha.
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Até os 7 anos, o inconsciente da criança está cheio dos conteúdos psíquicos recalcados da mãe.
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Pedrinho, na verdade, estava sonhando as “angústias”, “medos”, “desesperança” de sua mãe. Analisando e interpretando os “sonhos” de Pedrinho, pode-se descobrir o que sua mãe sentia e como ela poderia administrar suas preocupações para não “contaminar” seu filho e entender que ele precisava mais da sua mãe em paz e saudável do que de coisas e objetos.

O STRESS
Essa influência do “stress” – estado de humor – dos pais a seus filhos é estudada e pesquisa por vários autores mundiais, entretanto, a maior descoberta vem dos meandros amnióticos onde até mesmo o feto sofre a influência da mãe, mesmo antes da concepção.
As experiências do psiquiatra Thomas Verny, tão bem documentado em suas duas obras ‘A Vida Secreta da Criança Antes de Nascer” e “O bebê do amanhã”, narram situações reais onde, o adulto regride ao estado fetal e “lembra”, ou seja registra memórias congênitas durante os noves meses que viveu dentro da mamãe. Tais lembranças trazem á tona importantes indagações onde mostra que o feto, antes mesmo da mielinização cerebral e formação do hipocampo – sede da memória de longo prazo – eles já armazenam informações.

Sempre pensou-se que antes da memória explicita/lingüística, e da memória implícita/ inconsciente, nenhum registro mnemônico existiria. Foi justamente essa nova informação da psicologia perinatal ou intrauterina que trouxe revoluções na percepção do bebê, da criança e da relação mãe e feto. Segundo Candace Perto, os peptídeos – hormônios encarregados de transmitir informações por todo o corpo – existem e funcionam como receptores e transmissores. Isso significa que existe uma rede única – psiconeuroendocrimunologia – de comunicação interna onde tudo fica armazenado nas células. Em sua obra “conexão mente e corpo”, ela detalha essa relação que rompeu o abismo cartesiano que dissociou a mente do corpo.

PAIS CONSCIENTES, FILHOS PROTEGIDOS

Essas experiências pré-natais ficam marcadas como cicatrizes indeléveis nesses fetos que se tornarão adultos funcionais ou com alguns transtornos, se conseguirem elaborar traumas eclodidos ainda no berço placentário. Além dessa memória celular que antecede as memórias do neurológicas, existe toda a influência que a criança sofre de seus pais no pós concepção.

Até os 7 anos, o inconsciente da mãe e filho é único. Ou seja, como no caso dos pesadelos, citados acima, onde a criança sofria a influência dos dramas recalcados pela sua mãe, da mesma forma, ela será bombardeada por todos aqueles conteúdos não resolvidos – o aspecto sombra da psicologia analítico.

Dos 7 anos aos 13/14, a criança recebe o inconsciente do pai, logo, todo problema nesse período, terá relação com os problemas psíquicos não resolvidos ou ocultados do pai. É bom frisar que não seria, propriamente, a ansiedade, o nervosismo, a tristeza dos pais que afeta – contamina – a criança mas aquelas situações que eles preferem esconder do que abordar. Qualquer conteúdos da mente reprimido, torna-se mais forte porque degenera-se numa sombra, conjunto de aspectos não aceitos ou não integrados. O caso abaixo ilustra bem:

MEU PAI FOI EMBORA, MINHA CASA DESMORONOU

Depois de 21 anos de casados, Sr. Jorge saiu de casa. A esposa, profundamente transtornada, viu-se totalmente desamparada. Seja pela questão econômica, já que ela dependia do esposo para tudo e não trabalhava, seja pela questão emocional porque nunca pensou que seu casamento teria um fim. Meio a esses dois abalos, começou a trabalhar lavando roupas nas casas de alguns conhecidos. Os dois filhos, André de 6 anos e Fátima de 11, sofreram muito mesmo sem saber os reais motivos. Certos assuntos são evitados em certas famílias no afã de constranger ou trazer á tona dores passadas.

Durante meses, os dois filhos choravam no quarto, sentindo a falta do pai enquanto a mãe chorava na sala, assistindo TV e fingindo que tudo estava bem. Essa mãe, movida por boa intenção, acreditava que seria doloroso conversar com os filhos sobre a saída do pai. Muitos acreditam que assuntos evitados desaparecem. Não é bem isso que ocorre. Segundo a lei da constelação familiar onde o inconsciente engloba tudo aquilo que é ocultado, escondido e dissimulado, aqueles assuntos pendentes, que carregam problemas não resolvidos continuam influenciando na vida dos envolvidos.
Numa atitude saudável, em vez daquela família sofrer isolados, uns dos outros, eles poderiam chorar juntos, compartilhar seu sentimento perda e buscarem consolar-se com amor e quiçá com perdão aquele amado pai que lhes deixou.

Logo as crianças adoeceram do pulmão. Uma infecção que levou-os aos hospital, exigindo um tratamento prolongado. A mãe, por sua vez, desenvolveu depressão e constatou, depois de uma crise hipertensa, que deveria medicar-se para controlar sua pressão sanguínea.

Aquele pai é o arrimo da casa. Quando ele foi embora, desorganizou aquele arranjo familiar deixando profundas mágoas nos filhos e esposa, porém, não foi a saída, em si, dele que causou a doença na família, mas a dificuldade que eles tiveram em abordar, conversar sobre o assunto. A elaboração de um problema diminui consideravelmente seus efeitos.

Dores ocultas são mais problemáticas do que dores faladas, comentadas, discutidas.
Segundo as últimas informações, os filhos estão se recuperando muito bem de sua infecção pulmonar e a mãe segue com seu tratamento.
Diante de um problema, a melhor maneira, de não for possível resolve-lo, é abordar o assunto, sem medo, com as pessoas envolvidas para que esse “tema” reprimido em família não seja empurrado para o inconsciente familiar e não venha somatizar-se em doenças físicas.

CONCLUSÃO

Ser pai, mãe é assumir seus dramas sem usar ou interpretar um personagem perfeito e idílico para educar seus filhos porque as crianças saberão se suas palavras e gestos são de amor e sinceridade, ou pura interpretação de quem foge dos próprios sentimentos e ainda tem a ousadia de tentar “educá-los” fugindo de si mesmo. Uma criança não precisa de pais perfeitos, ela precisa de pais humanos, que assumem seus problemas, conversem honestamente com seus rebentos e saibam ama-los dentro daquilo que são e podem ser.



João Márcio
Psicopedagogo Clinico
Especialista em Saúde Pública

Referências bibliografias:
O bebê do amanhã – Thomas Verny
O que é psicologia pré-natal – Joanna Wilheim
A biologia da crença – Bruce Lipton
A vida do bebê no útero – Peter Nathanielsz
Conexão mente e corpo – Candace Pert
Árvores maravilhosas da mente - Marian Diamond
Evolução em Quatro Dimensões - Eva Jablonka, Marion J. Lab
A maternidade e o encontro com a própria sombra – Laura Gutman
O poder do discurso materno – Laura Gutman
Os quatro Pilares da educação – João Márcio
A doença como linguagem da alma na criança – Rudiger Dahlke
Infância, a idade sagrada – Evania Reichert

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