A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 
Artigo
 
Saber e Fazer
Por: Valdir Pedrosa

SABER E FAZER

“- Há de estranhar, certamente, tenha eu fracassado, sabendo tanto. Minha tragédia angustiosa, porém, é a de todos os que conhecem o bem, esquecendo-lhe a prática.” [1]

Não obstante possuir uma boa bagagem de conhecimentos e informações, Belarmino faliu em sua missão no orbe terrestre. Por que isto acontece com tantas pessoas? Na conversa com André Luiz é o próprio ex-doutrinador quem fornece a resposta: ele, assim como muitos outros, se enquadrava na extensa lista de indivíduos que conhecem o bem, que sabem o que precisam e devem fazer, mas que acabam ficando apenas no campo da teoria, menosprezando os aspectos práticos que a vida nos exige a todo momento. É preciso ressaltar que em qualquer setor da existência humana, para se fazer algo bem feito, antes é imprescindível não se esquecer de outro verbo: saber. O que, quando, onde, como, por que e para que fazer, devem direcionar nossas ações, a fim de que os resultados sejam úteis e satisfatórios ao bem comum. A observação demonstra que o saber é a antessala do fazer.

As leis divinas atestam a sabedoria infinita do Criador ao facultar ao homem o progresso intelectual antes do progresso moral. O conhecimento aplicado gera sabedoria e discernimento, os quais nos permitem uma melhor utilização do livre-arbítrio, norteando nossas escolhas de forma consciente, amparadas no bom senso, na lógica e na razão. Nos informa O Livro dos Espíritos [2] que o progresso intelectual precede o moral, mas que nem sempre o segue imediatamente, o que, aliás, seria desejável. Em outras palavras, podemos dizer que Deus concede a seus filhos múltiplas oportunidades de aprendizado para que sejam capazes de saber o que deverão fazer. Com isso, o homem não poderá alegar que obrou com desconhecimento de causa. Se consultar sua consciência, suas experiências pretéritas e até mesmo, se pedir auxílio ao Pai Celeste através da prece, identificará sinais que lhe apontarão o caminho a ser seguido.

Todavia, infelizmente não são poucas as vezes em que o homem vacila e cai. Há que se salientar que, via de regra, despertados para as nossas responsabilidades perante a vida, ao próximo e a nós mesmos, ensaiamos presentemente os primeiros passos na senda do bem e do amor. Porém, nem sempre esses passos são firmes, seguros e confiantes. Isso porque as tendências instintivas e as experiências menos dignas do passado que geraram dor e sofrimento, ainda teimam em permanecer de forma ostensiva e resistente em nossa casa mental, nos inibindo ou nos travando na jornada que devemos realizar.

A solução para este problema, tão comum para grande parte da humanidade que se agita nos dois planos da vida, se encontra no Evangelho, conforme ensinou o Mestre: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda. Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.”[3]

Pronto! Eis aí o grande desafio de todo espírita: ouvir, no sentido de estudar, compreender e assimilar os ensinamentos de Jesus, complementados e esclarecidos pelos princípios espiritistas. Contudo, o compromisso não se resume tão somente à teoria. É de fundamental importância colocar em prática tudo que temos aprendido, utilizando todos os conhecimentos e recursos para contribuir efetivamente na construção do reino de Deus na Terra.

De que adianta dizer a plenos pulmões que somos espíritas se os nossos atos não fazem jus à fé que abraçamos? De que vale ter fé se não a transformamos em fato gerador de bons frutos? Tiago já nos alertava: “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.”[4]

Que possamos refletir no assunto, consultando nossa intimidade e respondendo as seguintes perguntas: onde estamos construindo nossa casa, na rocha ou na areia? Nossa fé é viva ou morta? Ainda fazemos as coisas simplesmente por fazer ou já procuramos antes saber para depois fazer?

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 11 (Belarmino, o doutrinador).
[2] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – questão nº 780.
[3] Evangelho Segundo Mateus 7:24-29.
[4] Epístola de Tiago 2:17.

Valdir Pedrosa – Novembro/2013

 Comente este texto



Comentário (0)

Deixe um comentario

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: cAbN (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.