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Crônica
 
Ser Mãe Dói
Por: Patrícia Pivato

Ser mãe dói...
Dói quando o bebê nasce - de parto natural ou cezariana.
Dói quando ele mama errado - ou quando não mama.
Dói quando ele chora de noite com cólica e você não pode fazer passar com um beijo - ou quando ele dorme tranquilo e você não, porque está a observar e contar sua respiração com medo dela parar de repente.
Dói quando você precisa deixá-lo na creche/berçário/escolinha - ou quando você não precisa, mas pensa em deixar porque te dizem que é o melhor para ele.
Dói quando ele fica doente e você não pode fazer nada para diminuir seu chorinho - ou quando você fica doente e não tem poder para se auto curar e cuidar dele como precisa.
Dói quando ele cai e te olha com os olhinhos cheios d'água, o grito de medo/dor meio entalado na garganta e você só pode abraçá-lo e contar com uma pedrinha de gelo como consolo - ou quando você quer evitar a queda, mas sabe que você precisa deixá-lo cair para ele aprender a se levantar.
Dói quando ele prefere o colo do pai, da vó, da tia, da madrinha ou da babá ao invés do seu- ou quando ele prefere o seu, mas você sabe que precisa dividí-lo com outros colos para que ele aprenda a ser menos dependente de você.
Dói quando você está fazendo tudo certo, mas mesmo assim te criticam o tempo todo - ou quando você não tem certeza se está fazendo o certo e as críticas te lembram disso o tempo todo.
Dói quando você precisa trabalhar/estudar e sabe que para isso precisa de um espaço/tempo sem seu bebê por perto - ou quando precisa de um tempo sem seu trabalho/estudo por causa do seu bebê e poucos (ou ninguém) te apoiam nisso.
Ser mãe dói e meu bebê ainda tem 1 ano de idade. E eu ainda não sei como - ou quanto - vai doer quando ele for feliz correndo para a professora na escola e esquecer meu beijo... Ou vê-lo chorar quando seu peixinho dourado morrer... Ou sua decepção quando descobrir que o Papai Noel e o coelhinho da Páscoa - ou o Mickey - não são reais... Ou seu silêncio com sua primeira decepção amorosa...
Eu gostaria de poder voltar no tempo e dizer para a minha mãezinha que agora eu sei de sua dor e que ela podia chorar sem se esconder... Que é normal ter dúvidas e ser frágil, mesmo quando os filhos estão olhando... Que as lágrimas podem curar ao mesmo tempo que machucam...
Eu queria poder voltar no tempo e dizer para minha mãezinha que tudo bem chorar... Que além da dor de ser mãe, também existe a glória de ser mãe... Que lágrimas não são defeitos e que também fazem parte da grande responsabilidade e honra de ser mãe e que mãe não é um ser supremo que precisa ser forte o tempo todo senão será menos mãe por isso...
Eu queria voltar no tempo e dizer à minha mãezinha que ela, na verdade, não precisava chorar porque a culpa não era dela e sim minha... E ainda assim, se ela continuasse a chorar, queria dizer que chorando por mim, ela só provava que era a melhor mãe que eu podia ter...
Porque assim eu, talvez, não precisasse me sentir culpada por querer chorar na frente do meu bebê ou do meu marido ou da vizinha toda linda e cheirosa que veio trazer a correspondência depois do trabalho e me lembrou que eu nem penteei o cabelo hoje, que dirá trabalhar...
Porque assim eu, talvez, não achasse que o chuveiro é o único amigo capaz de me abraçar e lavar as lágrimas da minha face que brotam dessa dor de ser apenas mãe e não a mãe perfeita que meu bebê merece...
Porque assim eu, talvez, pudesse chorar olhando nos olhinhos do meu bebê e, um dia, nos olhos do meu filho adolescente ou adulto e ainda assim me sentir forte...
Porque assim eu, talvez, pudesse ouvir as críticas e encarar como um incentivo para criar meu bebê conforme meu coração e razão mandam e não conforme me mandam...
Porque assim eu, talvez, me sentisse mais mãe, sabendo que também a minha mãezinha, chorou por essa dor de ser mãe muitas e muitas vezes e, ainda assim, foi e continua sendo a melhor mãe do mundo para mim...
Porque assim eu, talvez, entenda de uma vez por todas que ser mãe é não ser perfeita e, ainda assim, ser tudo aquilo que meu filho precisa para encontrar a sua própria perfeição... Mesmo que eu chore em seu caminho...

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