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Resenha
 
Graciliano Ramos: São Bernardo
Por: Marlene A. Torrigo

No romance São Bernardo, num enredo rude e contundente, o personagem-narrador Paulo Honório, fazendeiro nordestino, conta sua trajetória de vida. Desconhecedor de suas origens é criado por uma preta velha. Até tornar-se próspero fazendeiro foi ajudante de cego e caixeiro viajante. Jovem, esfaqueia um homem por causa de uma namorada, vai preso e na prisão aprende a ler.
Homem da terra, Paulo Honório segue contando como conseguiu adquirir a fazenda São Bernardo, transformando-a num império rural. Conta como endividou-se com agiotas e empréstimos bancários. Segue sua narrativa expondo todo seu sofrimento na mocidade, enfocado no sonho de se tornar um rico fazendeiro. Sem remorsos, descreve como enganou e endividou o desarvorado herdeiro da fazenda São Bernardo, homem afeito à vida libertina. Devendo a roupa do corpo, só resta ao herdeiro vender a fazenda para Paulo Honório, tornando-se um seu criado.
Empregando todos os meios lícitos e ilícitos para reerguer a as terras agora suas, o novo dono de São Bernardo consegue sua ascensão. É homem abrutalhado. Manda matar o fazendeiro vizinho que avançava com suas cercas, roubando grandes extensões da fazenda São Bernardo. Trata mal seus empregados, não se importando com suas necessidades, visando apenas lucros que venham deles. Só amolece com sua velha ama e seu amigo Casimiro Lopes. Resolve casar-se.

“Amanheci um dia pensado em casar. Foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo de saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar.”

Casou-se com Madalena, normalista culta e extremamente boa. Ela veio morar em São Bernardo, trazendo a tia que a criou. Preocupa-se Madalena com as necessidades dos empregados, em ensinar o abcd às crianças. O abrutalhado e desconfiado Paulo Honório principia tratar mal a tia da mulher e, numa sequência de perversidade, a própria mulher. Abarrota-se de ciúmes. Atormentado, derruído por fraquezas psíquicas, acredita que está sendo traído por Madalena, que acredita estar de safadeza com todos da fazenda.

“Atormentava-me a ideia de surpreendê-la. Comecei a mexer nas malas, nos livros, e a abrir-lhe a correspondência. Madalena chorou, gritou, teve um ataque de nervos. Depois vieram outros ataques, outros gritos, choveram descomposturas, e a minha vida se tornou um inferno.”

Madalena, inocente e indefesa, não aguenta tanta desconfiança e truculência. Suicida-se, arrastando o marido ao arrependimento tardio. Reconhecido agora dos seus erros, em meio à solidão, mentalmente fragilizado, ele passa a buscá-la por toda a casa grande. A partir daí, em companhia apenas do amigo Casimiro Lopes, seu cachorro e seu filho com Madalena, nascido pouco antes do suicídio dela, o autor-narrador principia a contar a sua história de pobreza e riqueza, ascensão e queda como proprietário da fazenda São Bernardo.

* Graciliano Ramos: Escritor alagoano, 1892 / 1953. É considerado o mais rigoroso estilista do romance neo-realista do Brasil e um dos maiores clássicos da Literatura Brasileira.

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