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EDUARDO JOSÉ DE MIRANDA KRUSCHEWSKY
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Conto
 
PURA ou a revelação dos brancos segredos
Por: EDUARDO JOSÉ DE MIRANDA KRUSCHEWSKY

- Besteira, meu bem... Deixa, vai, deixa... Esse negócio de depois do casamento é besteira.
-Não. Não quero. Onde já se viu, Guto? Onde Deixa de ser libertino, rapaz! Eu sou pura, meu filho, pura! Antes do casamento não pode. Olha aqui, no Livro das Filhas de Maria: “Não profanarás teus brancos segredos”.
- Besteirada pura. Além do mais, seu seio é cor de rosa. Isso aí é prá quem tem o seio branco. Deixa de ser besta!
- Quem tem que deixar de ser burro é você. Os brancos segredos que o livro fala é o corpo intacto de toda virgem, é não ser contaminada por atos libidinosos.
- Ah, meu Deus, dai-me paciência.
Ficaram nesta disputa, chegou o dia do casório, mas o ato sexual não se realizou. A moça, com relutância, para cumprir seu papel de esposa permitia, por baixo das cobertas, uma leve carícia e só! O casamento não se consumava, ela, resistente, fiel aos preceitos que aprendera no Livro das Filhas de Maria, esquecida de que o casamento já ocorrera. João sendo recusado pela mulher, passou a demorar na rua, bebendo:
- Isto é hora de chegar em casa, seu Guto? Tome jeito. Vai ver tava com as raparigas... E essa camisa suja de batom? Aí, meu Deus, que esse homem tá ficando é safado...
- Safado, o quê? Que batom? Tá variando, mulher? Isso aqui é graxa de sapato. Fui comprar uma pra meu sapato marrom e sem querer melei o dedo. Depois, descuidado, passei a mão na camisa. E num ando com mulher dama, não, me respeite. E outra coisa: se andasse, você tinha que ficar na sua! Eu estaria procurando na rua o que tenho direito, já que você não quer revelar seus brancos segredos...
Um dia, ao voltar da reunião das Filhas de Maria na sacristia da paróquia, ela encontrou o bilhete anônimo enfiado por baixo da porta. O bilhete era uma bomba: dizia que ela poderia pegar o marido em flagrante delito se fosse a um bar no fim de linha do bairro vizinho. Lá, com certeza, ela surpreenderia o infiel com uma mulher. Confusa, na mesma hora, deixou o véu, pegou a bolsa e foi ao local indicado.
Encontrou o safado do Guto tomando uma caipirinha e, despudoradamente, alisando as pernas de uma loura oxigenada...
- Mas, até você, meu marido?
O traidor tomou um tremendo susto. Ligeira como uma gazela, a mulher tratou de escapulir, deixando ele sem ação. A recatada senhora, fuzilou-o com os olhos e, sem mais nada dizer, deu meia volta tomando o caminho de casa. Refeito, Guto pagou a conta e foi atrás da esposa, imaginando que desculpa teria para convencê-la. Aquilo devia ser fuxico de alguma mulher mal amada. Gente que, com certeza estava de olho nele...
- Meu bem, fica assim, não. Olha, aquela dona é apenas uma amiga. Eu tava era limpando as pernas dela que estavam cheias de farelo do sanduiche que ela comeu. Afinal, pra que servem os amigos? Fiz um favor à senhorita.
- Eu vi, eu vi! Eu recebi um bilhete me avisando e foi batata! Eu vou embora pra casa de minha mãe.
Depois de meia hora tentando convencê-la, explodiu:
- Tá bom. Eu fiz mesmo, Fiz mesmo e pronto! Quem manda você trancar as pernas? Fica aí com essa frescura de “ brancos segredos” e esquece de que quem não tem em casa, vai comprar na rua...
Ela desandou a chorar:
- Seu monstro! Não quero, não quero e não dou.
Ele, jeitoso, propôs:
-Filhinha, vamos fazer um trato? Nós já temos quase três anos de casados e você continua intocada. Vamos fazer o seguinte, se você me revelar seus brancos segredos, eu nunca mais arranjo mulher fora do casamento. Topa?
Ela ficou calada, choramingando e, finalmente, murmurou:
- Tá. Eu prometo, mas com uma condição...
- Pode ser agora? Agorinha mesmo?
- Eu deixo, mas se doer eu não vou aceitar. Jure que não vai doer. Jure, por favor. Se eu senti qualquer dorzinha, nunca mais vou te perdoar... Aí, meu Deus, tou morrendo de medo!

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