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Crônica
 
A FORÇA SILENCIOSA DA RESILIÊNCIA
Por: Valdir Sodré

A FORÇA SILENCIOSA DA RESILIÊNCIA
Valdir Sodré

Dedicada à amiga Adriana Alves Cabral

Na canção Quase sem Querer, Renato Russo entoava que “sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?”. Ouso em repetir a palavra resiliência para criar mais um campo reflexivo em torno da complexidade de compreender a dádiva da vida. De fato a vida foi feita para corajosos e enfrentar as incertezas e os percalços de sua caminhada denota uma profunda necessidade de se ancorar no esteio da força vital da fé contornada pelo amparo da esperança e pelo insustentável escudo da têmpera de um guerreiro. E afinal quais são as palavras que nunca são ditas para podermos compreender o mistério da vida?

Segundo Sun Tzu, “lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema. A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”. A arte da guerra é semear paz dentro de si mesmo e vencer as batalhas que travamos em nós mesmos. Isso é pôr em prática a inteligência intrapessoal na busca incansável do equilíbrio fundante de uma vida plena e serena.

A Bíblia Sagrada relata que Jó era um homem íntegro, temente a Deus e se desviava do mal, mas que mergulhou num mar de sofrimento e tribulação, quando foi duramente provado pela perda de seus bens, de seus filhos, de sua saúde e de sua dignidade, permitidos e gerenciados por Deus para que ele não fosse provado além de suas forças. Tribulações que nos ensinam a ter paciência no meio das provações. Nos versículos de 11 a 13 do capítulo 6, Jó questiona dialogando com Deus: “Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que tenha ainda paciência? É porventura a minha força a força da pedra? Ou é de cobre a minha carne? Está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?”

A lição de Jó nos ensina que, portanto, se alguma tragédia nos atingir, ou cairmos em alguma prova difícil que demanda paciência e resignação, necessitamos ter a serenidade necessária para bem compreender aquele momento, retirando dele as lições necessárias e as forças novas que animarão nossa alma e curarão nossas feridas não importando as marcas registradas.

Viktor Frankl, sobrevivente do campo de concentração nazista e criador da Logoterapia, nos orienta que “se não está em suas mãos mudar uma situação que lhe causa dor, você sempre poderá escolher a atitude com a qual vai enfrentar esse sofrimento”.

Todos esses aspectos e histórias de vida nos oportunizam estabelecer a construção fundamental do caminho do autoconhecimento. Silenciosamente somos envolvidos por uma força capaz de criar lentes que nos educam no ato de olhar para frente, assumindo uma postura suave de enfrentamento das circunstâncias que ferem nossa capacidade existencial. Essa força silenciosa se chama resiliência.

Resiliência é poder de recuperação, caracterizado por atitudes extremamente subjetivas e pessoais para consolidar a extraordinária capacidade de cada ser humano em adaptar-se frente às adversidades da vida (In: 2009, Valdir Sodré).

Pessoas resilientes sabem se adaptar às mudanças, apóiam-se em suas próprias forças, acreditam que aceitar é necessidade vital para avançar e são conscientes que ninguém é imune ao sofrimento.
Conforme preconiza Leonardo Boff,

o ser humano, na verdade, nunca termina de construir-se. Cada fim é um novo começo. Vive distendido entre a galinha que permanentemente quer a concreção e a águia que sempre busca a superação. Entre um dia-bólico que o mergulha na obscuridade e o sim-bólico que o anima para a luz. Ele é uma abertura sem fim. Assim é no tempo. E assim será também na eternidade. O ser humano é um projeto infini¬to, conatural ao infinito de Deus. Deus mesmo, por participação.

Assim como não há receitas prontas para educar filhos, permanecemos na força do silêncio pessoal e divino em busca de adquirirmos uma capacidade transformadora e inteligível para extrairmos das adversidades da vida algum sentido impactante e corajoso para ter consciência reflexiva sobre a importância essencial e indispensável da certeza de permanecermos firmes na tarefa resiliente da caminhada da vida.

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